2ª Marcha do Orgulho Crespo, em Porto Alegre, exalta o cabelo negro

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Marcha reúne grande público jovem em protesto pelas ruas da cidade. (Fotos: Banco de Imagens/NZ)

Por Juarez Ribeiro

Centenas de pessoas participaram da 2ª Marcha do Orgulho Crespo, no dia 15 de novembro, em Porto Alegre, com concentração no Parque da Redenção, seguindo, após as 15h30, para o Largo Zumbi dos Palmares, juntando-se às atividades culturais da “26ª Semana da Consciência Negra de Porto Alegre”.

Além da sonoridade das palavras de ordem e das canções cheias de entusiasmo entoadas no decorrer da marcha, o visual composto pelos diversos tons de peles negras chamou atenção, enaltecido pelas cabeças exibindo a diversidade dos cabelos crespos em cortes e penteados criativos cacheados livres, trançados, ao estilo  black tradicional e adornados por turbantes coloridos.

As organizadoras da Marcha consideram que houve avanços positivos neste segundo evento, conforme relata Íris Nunes dos Santos, 35 anos, analista de RH, que avalia a marcha como uma manifestação política com perspectiva de dar visibilidade a questões de negras e negros para toda a sociedade. Neste ano, aumentamos o interesse de jovens negros, de militantes sociais, famílias e crianças que têm fortalecido a construção de nosso trabalho permanente e, com isto, atingimos um grande público. Isso é bastante transformador para quebramos paradigmas demonstrando que a força de articulação do povo negro vai às ruas em busca de seus direitos, isto me tocou bastante em ver todas essas gerações juntas, salienta Iris.

Para Suellen Rodrigues, 29 anos, universitária, bacharel em direito, personal hair de cacheados e crespos, e membro da organização, a marcha cumpre seu papel que é ter a mulher negra como protagonista social e política. Buscamos envolver as mulheres na luta para conquistarmos espaços em locais públicos, faculdades, escolas, em entrevistas para emprego e em todos os locais que quisermos estar. Não conseguiremos mudar o mundo, mas nosso objetivo é estar com cada irmão/irmã, pois eles não estão sozinhos nesta luta cotidiana de enfrentamento ao racismo estamos com ela e com ele, unidos para somar mais força, enfatiza.

Origem do Movimento no Brasil

O Movimento do Orgulho Crespo  teve origem em São Paulo em 2015 e se estendeu para o resto do país, pregando o resgate da identidade negra através da  valorização da estética afro-brasileira, como caminho para o empoderamento político-social. Defendendo a ideia de que  o cabelo crespo,  em seus inúmeros estilos, é parte da característica de negras e negros e compõe  a simbologia corporal  da ancestralidade africana, o movimento afirma que sua atitude vai além da estética. Acredita estar promovendo   a ruptura de um padrão de beleza imposto às mulheres negras há séculos no país e  que as induziu  ao desprezo e à negação de traços de sua identidade étnica.

Efeitos

A consequência imediata dessa movimentação foi travar um significativo enfrentamento com a indústria de cosméticos no Brasil que não atende o segmento da população negra com produtos adequados aos seus tipos de cabelos, induzindo, com muita frequência, ao tratamento químico que produza alisamento.

O Brasil é o terceiro mercado global em beleza, atrás da China e dos Estados Unidos, movimentando anualmente US$ 43,5 bilhões (em 2015), segundo a Abihpec. Nesta fatia de mercado, os negros  e negras representam parcela expressiva de consumidores, o que lhes confere  poder para mudar rumos de produção.

 

Daniel Ribeiro

22 anos, estudante de administração gestão pública.

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