25 anos do Instituto Cultural Steve Biko é celebrado na CMS

By / 3 meses ago / Política / No Comments

sueli1Foto Guido Sampaio | Revista Quilombo

Da Revista Quilombo

Ontem (12), a Câmara Municipal de Salvador ficou lotada de ativistas do Movimento Negro da Bahia para comemorar os 25 anos do Instituto Cultural Steve Biko. A sessão teve inicio com o hino nacional interpretado pelo cantor Lazzo Matumbi, o que já ilustrava a emoção que tomava conta da sessão especial no plenário Cosme de Farias.

O vereador e também presidente de honra da Instituto Steve Biko, Silvio Humberto, iniciou a atividade fazendo uma retrospectiva da idealização e fundação do Instituto, de como era e é importante criar mecanismos de enfrentamento ao racismo por meio da educação. Logo após, Jucy Silva, atual diretora executiva da Biko, falou sobre o projeto político pedagógico que permanece em vigor ao longo desses 25 anos. Para ela, “A Biko faz revolução. São anos influenciando posturas e pensamentos dos jovens negros na Bahia”.
A diretora também lembrou dos atuais parceiros e colaboradores, que são importantes para a manutenção desse trabalho, além de citar amigos que sempre estiveram atuantes na história da educação afrocentrada no estado.

25 anos do Instituto Cultural Steve Biko é celebrado na CMS
Foto Revista Quilombo | Sueli Carneiro

Na mesa, junto com a secretária de promoção da igualdade Fabya Reis e com a ex-aluna da Steve Biko, hoje doutoranda em Sociologia, Rosana Chagas,  Sueli Carneiro declarou ter se sentido honrada em poder estar presente  na celebração dos 25 anos da instituição.
“Nós do Geledés consideramos a Biko nossa irmãzinha caçula. Temos 30 anos e vimos essa instituição nascer. A Biko é uma organização que se tornou referência nacional de protagonismo de juventude negra, de promoção e valorização dessa juventude em resposta às estratégias de extermínio que os ameaçam”, afirmou.

Sueli Carneiro é  filósofa, escritora, ativista  do movimento negro no Brasil e atua frente à Geledés, organização da sociedade civil que se posiciona em defesa de mulheres e negros em desvantagens e discriminações no acesso às oportunidades sociais em função do racismo e do sexismo vigentes na sociedade brasileira.

Na plenária, a filósofa ainda lembrou a trajetória de resistência do instituto, a importância da educação para a população negra no Brasil e ressaltou o quanto a Biko desenvolveu e continua desenvolvendo experiências exemplares no campo da educação e que permanecem inspirando outras organizações e indivíduos em nível nacional. Assim, a ativista concluiu o discurso desejando que “os próximos 25 anos sejam tão exitosos, quanto foram esses 25”.

25 anos do Instituto Cultural Steve Biko é celebrado na CMS

O próximo plano dos dirigentes da organização e da sociedade afrobaiana é ver construída a Universidade Steve Biko com  sede no Campo Grande, num prédio de 630m², que vem sendo reestruturado com apoio da Coca-Cola Foundation para abrigar quatro salas de aula, uma biblioteca, brinquedoteca e salas administrativas em três andares. Então agora, segundo Jucy Silva, “Será possível pensar uma universidade verdadeiramente negra e feminista”.

Na celebração, lideranças do Movimento Negro da Bahia, alunos, ex-alunos, professores, colaboradores e pessoas que desejam que o Instituto Cultural Steve Biko permaneça atuante na luta contra discriminação racial e por uma educação inclusiva e afrocentrada. Registraram presença ativistas como João Jorge (Bloco Olodum), Nadinho Silva (Afoxé Filhos do Congo), Cristiano Lima (CONEN), Elias Sampaio ex-secretário de Promoção da Igualdade, Sergio São Bernardo (Instituto Pedra de Raio) e  Vilma Reis (DPE-Ba).

Daniel Ribeiro

22 anos, estudante de administração gestão pública.

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