Alunos africanos de intercâmbio falam sobre dificuldades e preconceito no Brasil

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Confira as histórias de estudantes que vieram para o país por meio de programa de estudos e imigração.

16174613-1309055662488649-6885817302853228066-nIssimo na colação de grau da graduação em economia (Foto: Arquivo Pessoal/Issimo Monteiro)

Por Raquel Base, G1/São Carlos e Araraquara SP

Morar fora para estudar nem sempre é um mar de rosas. Dificuldades com sustento, restrições de trabalho e discriminação são alguns dos problemas, relataram universitários africanos ao G1. Até sábado (27), a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) promove a 13ª Semana Acadêmica Africana.

Há 9 anos em São Carlos, o guiné-bissauense Ivaldino Monteiro, mais conhecido como Issimo, contou que estudar em um país estrangeiro sempre foi um sonho, já que o pai passou pela experiência e os dois irmãos vivem essa realidade no Rio de Janeiro.

Em 2008, Issimo agarrou a oportunidade de cursar engenharia da computação na Universidade de São Paulo (USP). Na época, ele recebia dinheiro da família e morava no alojamento da faculdade. Após se formar, optou por outra graduação: economia. Atualmente ele faz pós- graduação em Araraquara.

Desafio

Segundo ele, garantir o sustento foi um grande desafio. A segunda graduação era paga e o dinheiro enviado pela família não bastava. O visto de estudante não permitia que o jovem tivesse vínculo de trabalho formal no Brasil.

Foi por meio de free-lancers e trabalhos extras que Issimo conseguiu pagar o curso de economia. “Agora eu posso trabalhar, porque a lei mudou. Antes era muito ruim, porque se a situação financeira da família mudava a pessoa ficava na mão”, contou.

Outra dificuldade é ficar longe da família e da terra natal. No primeiro ano não foi fácil, mas ele acabou se acostumando. A internet ajudou a diminuir a distância e a matar saudades.

A presença de imigrantes de países africanos é um fator que contribui para a adaptação. Segundo Issimo, as pessoas se ajudam independente das diferenças.

“Temos uma cultura muito forte, que não desapegamos muito fácil. Quando chegamos a um lugar, tentamos localizar outro africano, isso nos ajuda muito aqui”.

Sueli e o filho brasileiro (Foto: Arquivo Pessoal/ Sueli Helena)
Sueli e o filho brasileiro (Foto: Arquivo Pessoal/ Sueli Helena)

Daniel Ribeiro

22 anos, estudante de administração gestão pública.

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