Aos 45 anos, Fofão, enfim, parou. E a seleção ganhou um novo reforço

Fofão em jogo por seu último time (Foto: Alexandre Arruda/CBV)

Fofão em jogo por seu último time (Foto: Alexandre Arruda/CBV)

 

Fofão mal havia acabado de fazer o último ponto de sua carreira, em um emocionante e merecido jogo de despedida, e José Roberto Guimarães já tentava lhe arranjar um novo emprego. O treinador da seleção feminina quer a ex-jogadora a seu lado para passar experiência às novas levantadoras do Brasil. Ele sabe, talvez mais do que qualquer outra pessoa, o quão importante é contar com as mãos e com a cabeça de uma das maiores jogadoras de todos os tempos.

Fofão já disse sim. Talvez nem ela mesma seja capaz de ficar tão longe do vôlei. Só conseguiu dizer o adeus definitivo às quadras aos 45 anos, no último fim de semana. Persistência. Lutou contra as limitações do corpo, encarou as novatas cheias de gás e foi reverenciada até o final.

Hélia Rogério de Souza Pinto é uma dessas raras unanimidades no esporte. Muitos podem discutir se ela foi melhor ou não do que Fernanda Venturini, mas ninguém questiona seu talento, seu caráter e sua capacidade de agregar tantas pessoas diferentes em torno dela, como os dois mais vitoriosos técnicos do vôlei brasileiro, que por anos foram desafetos. Zé Roberto é seu padrinho de casamento. Fernanda e Bernardinho também são.

Fofão foi persistente e não esmoreceu até conquistar seu lugar. Foi convocada pela primeira em 1991, época em que Fernanda era titular incontestável. Ficou nessa posição por oito anos até ganhar a vaga e levar a seleção ao bronze em Sydney-2000.

Em Atenas-2004, perdeu a vaga de novo para Fernanda, que desistira da aposentadoria. Viu um time de jovens talentosas ganhar a pecha de “amarelão” por causa do tropeço contra a Rússia na semifinal.

Decidiu que deixaria a seleção após os Jogos de 2008 e aceitou o convite de Zé Roberto para comandar uma equipe com garotas que nem haviam nascido quando ela já era jogadora de vôlei. Virou capitã. E foi seu estilo quieto, concentrado e delicado que fez o contraponto perfeito à juventude explosiva de suas companheiras.

Pelas mãos de Fofão, o time exorcizou o fantasma de Atenas e conquistou a primeira medalha de ouro do vôlei feminino do Brasil. Em meio às jovens a sua volta, Fofão chorava como uma criança no pódio. A persistência havia dado resultado –a ex-jogadora esteve em cinco semifinais olímpicas seguidas e obteve também duas medalhas de bronze.

No grupo campeão olímpico, além de ser uma atleta excepcional, a levantadora exercia os papéis de amiga, líder e conselheira. A cada fim de jogo, ela e Zé Roberto trocavam impressões sobre o que acontecia. No quarto, ouvia queixas e dava conselho às companheiras.

Fofão nunca deu declarações bombásticas –mal gostava de dar declarações–, era tímida, quieta, passava despercebida. Mas em quadra e nos bastidores, foi fundamental em todos os times pelos quais passou. Principalmente na seleção. Não à toa Zé Roberto lhe quer tão perto de novo.

Fonte: Esporte Fino

 

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