Artista português Vasco Araújo realiza prévia da exposição que fará na XI Bienal do MERCOSUL

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Artista português dialoga sobre sua obra. (Foto: Banco de Imagens/NaçãoZ)

Da Redação

Na tarde de quarta-feira, 29 de março, o artista plástico português Vasco Araújo reuniu-se com agentes socioculturais representantes de movimentos de mulheres da comunidade negra de Porto Alegre e mediadores selecionados recentemente para atuar junto ao público visitante da XI Bienal de Artes Visuais do MERCOSUL 2018. Seu objetivo foi apresentar sua exposição e dialogar sobre seu trabalho. O encontro aconteceu no Museu de Artes do Rio Grande do Sul – MARGS, onde sua obra estará exposta para visitação no período de 06 de abril a 13 de junho de 2018.

Também presente a esse encontro, o curador da Bienal, Alfons Hug, destacou que sob o tema O Triângulo Atlântico, a Exposição reunirá mais de 70 artistas plásticos dos três continentes: África, América Latina e Europa, 20 dos quais são  africanos e afro-brasileiros.

Vasco Araújo apresentou seu trabalho que tem como tema “É nos Sonhos que Tudo Começa” e que trata da realidade da violência e da exploração portuguesa no Brasil colônia, sobretudo dos abusos domésticos praticados pelos escravagistas portugueses em relação aos escravizados africanos.

A idealização do trabalho a ser exposto e a pesquisa do artista

Vasco Araújo relata que a exposição “É nos sonhos que tudo começa”, se construiu a partir de uma série de pinturas feitas em cima de tecidos de decoração comprados em São Paulo. Nesses tecidos estão pintados trechos dos romances “Yaka” (1985) do escritor angolano Pepetela e “Cadernos de Memórias Coloniais” (2009) da escritora luso-moçambicana Isabela Figueredo. Este trabalho busca refletir e denunciar a relação doméstica abusiva entre colonizadores e colonizados, ou ainda entre senhores e empregados, uma das situações mais brutais no mundo.

A ideia central do trabalho aborda o sofrimento do oprimido e desvela a imposição de uma sociedade imperialista e cruel, possibilitando perceber que essa relação de poder e abuso não só se manifesta através do conceito de exotismo/dominação, como também através de todo o poder que o pensamento eurocêntrico sentia e detinha perante os territórios ocupados e colonizados.

Trata-se de mostrar como as sociedades europeias (a portuguesa como exemplo, dada a origem do artista) se construíram e se desenvolveram em confronto, exploração e violência contra os povos que dominaram e exploraram. É um trabalho que incomoda a todos: a uns porque se veem expostos às barbaridades que os seus antepassados praticaram, e a outros porque veem como os seus antepassados foram violentados. Este olhar para o passado deve servir para refletirmos em que posição nos encontramos hoje, conclui Vasco.

As lideranças femininas negras, os mediadores e mediadoras e as demais pessoas presentes teceram comentários a respeito da força dos textos e das imagens impactantes da exposição, concordando que ali se revelam algumas das atrocidades cometidas sem limites contra homens e mulheres negros no período escravocrata no Brasil. Manifestaram ainda sua expectativa de que o contato com a exposição venha a colaborar na destruição do mito da relação cordial entre a casa grande e a senzala que esconde, ainda hoje em nossa história, a presença de práticas violentas como a do estupro constante de que as mulheres negras foram vítimas nesse sistema.

Daniel Ribeiro

22 anos, estudante de administração gestão pública.

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