As travessias de seis escritoras negras

O Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, 25 de julho, marca o lançamento do livro Travessias de Amanaã

As escritoras Ana Dos Santos (a partir da esquerda), Carmen Lima, Fátima Farias, Delma Gonçalves, Lilian Rocha e Taiasmin Ohnmacht. (Foto: Divulgação)

Por Literatura RS

Mulheres são, a priori, entidades. Unidas, são força real; irmanadas na luta, pólvora; coesas em arte, deusas em ebulição. Do encontro de seis mulheres negras, as escritoras Ana Dos Santos, Carmen Lima, Fátima Farias, Delma Gonçalves, Lilian Rocha e Taiasmin Ohnmacht, surge AMANAÃ, um ser instuído pelo poder deste aquilombamento. Uma energia que passa de raiz a semente.

Travessias de Amanaã (Libretos, 136 páginas) reúne textos, poemas e reflexões das seis autoras, numa construção coletiva de mulheres inspiradas em suas vivências, assim como Conceição Evaristo e Maria Carolina de Jesus. A ilustração da capa, de Carmen Lima, revela a potência e a conexão com a ancestralidade presentes nos textos. O título tem ainda edição e design de Clô Barcellos.

Autoras participam de sarau online no dia 25 de julho, às 19h, pelo Facebook. (Foto: Jardélia de Sá/ Divulgação)

No prefácio, Rudiléia Paré Neves, professora e coordenadora do Coletivo de Mulheres Negras Iyá Agbara, reconhece nas autoras a escrita se fazendo tão necessária quanto o ato de respirar. “Essas seis escritoras, que também desempenham outras funções no dia a dia (não há uma só jornada para as mulheres) e que se entregam ao gozo – ou sofrimento? – do ato de escrever, neste livro falam do que e de quem precisa ser dito. Falam do que e de quem foi/é renegado. Falam do que e de quem foi/é esquecido. Falam de amor, de autoamor. Falam de alegrias e de dores”. E prossegue na análise: “E eu me vejo nas mulheres desses textos. Me vejo um pouco em Farisa, a menina que não podia falar com espíritos de brancos; na menina de tranças, que renasce todos os dias e na bruxa, que renasce das cicatrizes; na mulher que rompe com um ciclo de dor e na que parte sem se despedir; na que sonha e acorda molhada e na professora cujo aluno não conseguiu fazer o trabalho solicitado; na que é perseguida pelo segurança da loja e naquela cujo corpo recebe a bala perdida; na resposta certeira e forte aos olhares preconceituosos que recebemos todos os dias. Vejo todas as que são atingidas – e mortas – pelo racismo, pelo machismo, pelas opressões todas.”

O lançamento de Travessias de Amanaã é emblemático: em 25 de Julho, dia internacional de visibilidade à luta das mulheres negras latino-americanas e caribenhas. Nesta data, às 19h, acontece o Sarau Amanaã – Energia de raiz a semente na Sala Libretos (Facebook/libretoseditora) com as autoras Ana Dos Santos, Carmen Lima, Fátima Farias, Delma Gonçalves, Lilian Rocha e Taiasmin Ohnmacht e a convidada Rudiléia Paré Neves, intelectual negra.

Sobre as autoras

Ana Dos Santos

É poetisa, professora de Literatura e contadora de histórias. Gaúcha de Porto Alegre, Rio Grande do Sul. Formada em Letras pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Participou de diversas coletâneas e publicou dois livros de poesia: Poerotisa (Editora Figura de Linguagem) e Pequenos Grandes Lábios Negros (Editora Venas Abiertas).

Carmen Lima

É natural de Porto Alegre. Professora licenciada em Pedagogia, atriz, bonequeira, brincante e contadora de histórias. Dos 30 anos de docência, há 20 atua na rede estadual de ensino, como alfabetizadora, oficineira e mediadora de leitura. Formou equipe de animação e empresa de teatro de bonecos. Esta é a sua primeira publicação, a qual assina também a capa.

Fátima Farias nasceu em Bagé e reside na capital Porto Alegre desde os anos 1980. É poeta, compositora e educadora social, tem como profissão também a gastronomia inspirada em temperos orgânicos. Participa de diversas coletâneas e lançou seu primeiro livro solo em março de 2020, Mel e Dendê (Editora Libretos), onde reúne poesia e prosa, dando um passeio pelos slams.

Delma Gonçalves

Nasceu em Porto Alegre, é poetisa, compositora, produtora cultural. Graduada em Letras com pós-graduação em Produção Textual, suas poesias estão em diversas coletâneas. Publicou Cinco Décadas de Samba no Bairro Santana (Editora Cidadela) e o livro de poesias O Som das Letras. Produziu e é parceira de Bedeu no CD Na Poesia e na Canção Elas e Eles Cantam Bedeu & Delma.

Lilian Rocha

É natural de Porto Alegre/RS, é farmacêutica e analista clínica (UFRGS), especialista em Homeopatia (ABH), musicista (Liceu Palestrina), escritora. É autora dos livros A Vida Pulsa – Poesias e Reflexões (Editora Alternativa), Negra Soul (Editora Alternativa) e Menina de Tranças (Editora Taverna). Participante de inúmeras antologias poéticas brasileiras e portuguesas.

Taiasmin Ohnmacht

É psicóloga e psicanalista. Mestre em Psicanálise: clínica e cultura (UFRGS). Participou da organização do e-book Da Vida que Resiste – Vivências de Psicólogas(os) entre a Ditadura e a Democracia (CRP/RS). Publicou Ela Conta Ele Canta (Cidadela), com o poeta Carlos Alberto Soares, e a novela Visite o Decorado (Figura de Linguagem). Mantém o blog taiasmin.blogspot.com.

Travessias de Amanaã
Ana Dos Santos, Carmen Lima, Fátima Farias, Delma Gonçalves, Lilian Rocha e Taiasmin Ohnmacht
136 p.
R$ 40
Editora Libretos
Compre aqui (link externo)

Compartilhe

EXPLORE TAMBÉM

Voltar ao topo