Ativista e Promotora Legal Popular da ONG Themis morre em operação policial na Vila Cruzeiro, em Porto Alegre

Jane era Promotora Popular Legal e exercia trabalho social relevante na comunidade. (Fotos: Repórter Popular/Divulgação)

Do Repórter Popular

No começo da tarde de hoje (08/12), a Brigada Militar realizou uma operação na Vila Cruzeiro, na Zona Sul de Porto Alegre, que resultou na morte de Jane Beatriz Silva Nunes, mulher negra, mãe de família e funcionária pública da Secretaria de Segurança Pública do município. Jane, que também era ativista pela igualdade de gênero, Movimento Negro e Direitos Humanos, com formação como Promotora Legal Popular (PLP) pela ONG Themis, tinha 60 anos de idade e chegava em casa quando se deparou com policiais armados invadindo sua residência.

Ao se aproximar dos policiais, Jane teria pedido o mandado, e segundo testemunhas, teria sido empurrada escada abaixo. Com a queda, a vítima teria sofrido forte impacto na cabeça, vindo a óbito no caminho para o posto de saúde da Vila Cruzeiro. A versão que corre na mídia hegemônica conta que Jane teria sofrido um “mal súbito”, tendo sido socorrida pelos policiais, mas segundo testemunhas, ela foi mais uma vítima da violência policial. A sobrinha da vítima relata, também, que esta versão oficial é mentirosa, pois Jane estava muito bem de saúde, e voltava para casa após ir no mercado, onde foi comprar alimentos para os bisnetos.

 

Moradores se revoltaram com mais esta ação violenta da polícia, e trancaram as duas vias da Avenida Tronco com barricadas. O protesto ainda ocorre no momento em que redigimos esta matéria. O Batalhão de Choque da Brigada Militar se deslocou até o local para conter os moradores, com uso de caminhão com canhão d’água e forte aparato repressivo.

“Isso só mostra que a comunidade é oprimida de todas as formas. Então é um absurdo o que eles fizeram hoje com ela”, relata com indignação uma liderança da comunidade. “Esse protesto é uma forma da mídia enxergar que, ou a polícia não é preparada, ou ela tá verdadeiramente agindo como milícia”.

 

O Repórter Popular expressa sua solidariedade à família de Jane, e se coloca à disposição para a denúncia do caso.

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