Bastou o negro pisar na universidade para o governo com visão eurocentrista propor a privatização

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Por Julio Menezes Silva, do Quilombo News

A Lei 12.711/2012, conhecida popularmente como a Lei de Cotas, que prevê a reserva de vagas a estudantes que tenham cursado integralmente o ensino médio em escolas públicas, está ameaçada. O movimento da Casa Grande é para aumentar as barreiras, tornar plutocracia mais rica e os trabalhadores mais pobres, mantendo-se os privilégios ao homem branco, rico e heterossexual. Aqui vale a ressalva: a expressão “homem branco, rico e heterossexual é uma metáfora de “poder”.  

Nesta terça-feira, 6 de setembro, o “emocionado” filho do papai César Maia e atual presidente da câmara dos deputados, Rodrigo Maia, e o governador do Rio de Janeiro, Pezão, assinaram acordo que liberará R$ 63 bilhões para o Estado do Rio de Janeiro,  falido pela gestão passado do PMDB que tinha o larápio Sergio Cabral à frente. Em troca da ajuda financeira, entre outras concessões, está a promessa do governo Estadual de oferecer à iniciativa privada a gestão (ou parte dela) das universidade públicas brasileiras. 

Atingidos diretamente por essas disputas estão os afrobrasileiros, cujos filhos agora começam a frequentar a universidades públicas massivamente, contribuindo para o empoderamento pessoal, de suas regiões e impactando na melhoria de vida de milhões  de lares brasileiros. Um jovem universitário formado na favela torna-se uma referência até pouco tempo inimaginável. Isso é representatividade. Isso é capaz de mudar uma nação. 

Vale o registro: em alguns cursos os jovens cotistas se igualam ou superam em desempenho os não cotistas. Mas sinceramente: neste momento de fortalecimento das políticas afirmativas, frente a mais de 400 anos de regime mercantil que reservou ao negro a exclusão, o desempenho dos alunos é apenas um mero detalhe. 

O que vale é que menos de cinco anos depois de aprovada, a Lei 12.711/2012 sofre grave ataque. A presença e a representatividade de milhões de estudantes pobres – a maioria deles afrobrasileiros – pode novamente se tornar uma realidade escassa na academia. 

Centenas de argumentos hão de surgir, afirmando que a universidade pública vai melhorar: os professores serão mais bem remunerados, os alunos terão acesso a tecnologia de ponta, as cotas serão mantidas, blá, blá, blá. Lorota e papo furado. Conquista social no Brasil não pode retroagir. Nós somos um país que precisa investir em justiça social. E tal manobra do governo com base em uma visão – que também pode ser chamada de cultura – historicamente eurocentrada, excludente e intolerante, deixa claro e escancarado o racismo estrutural brasileiro. 

Se este governo – chamado de golpista pela esquerda, desacreditado por todos – vai conseguir avançar com a privatização das universidade, o tempo dirá. Os combativos funcionários públicos, os servidores, mestres, alunos e sociedade civil – e a imprensa   atuante não se calará diante de mais um absurdo imposto pela agenda transloucada de Temer e seus comparsas. 

Daniel Ribeiro

22 anos, estudante de administração gestão pública.

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