Batista, uma ausência que fala

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Poetas reunidos: Ronald Augusto (da esquerda), Jorge Fróes, Oliveira Silveira e João Batista Rodrigues. (Foto: Ireno Jardim)

Por Jorge Fróes

Por onde navegará o Batista (João Batista Rodrigues)? Ele foi marinheiro, escreveu o livro Raça, Povo e Poesia, fez parte do grupo de poesia Borá e tinha uma voz tonitruante. O que aqui destaco é nesga, fatiazinha diante do que pode ser uma vida. Assim, justifico a falibilidade ou a incompletude desse texto.

Por onde navegará o Batista (João Batista Rodrigues)? Ele foi marinheiro, escreveu o livro Raça, Povo e Poesia, fez parte do grupo de poesia Borá e tinha uma voz tonitruante. O que aqui destaco é nesga, fatiazinha diante do que pode ser uma vida. Assim, justifico a falibilidade ou a incompletude desse texto.

Quando conheci o poeta Oliveira Silveira, num inexato dia, ele me disse que se sentia sozinho enquanto autor negro, até encontrar eu, o Ronald Augusto e o Batista. Daí em diante participamos de cafés, de rodas de poesia e algumas publicações.

Não sei precisar, mas há tempos o Batista entrou num autoexílio-forçado (escolha ou forma de proteção). Uma vez eu e o Oliveira Silveira fomos até a cidade de Alvorada conversar com o Batista. Saber os motivos de sua ausência. Ele nos recebeu no portão e disse que estava dando um tempo. Conversamos um tempinho, ele nos levou até a parada de ônibus e fomos embora. Depois, de modo esparso, algumas vezes recebemos fortuitamente, notícias dele, dadas pela irmã de que ele estava depressivo. Desde então, sobre o Batista, alguma coisa? Nada. Nunca mais.

Se a ausência do Batista permanece até os dias de hoje, o que temos para dizer?  A poesia. Num tempo em que todas as medidas econômicas visam proteger os que têm (ajuste fiscal), quando se usa de eufemismos como flexibilização das leis trabalhistas (o rato negociando com as serpentes, lá no serpentário), quando se parcela salários (primeiros exercícios de cansaço), quando se espera que se morra primeiro e depois se aposente (sem remuneração, é claro).  A poesia? Sim, a poesia. Senhoras e senhores! O Batista, mesmo ausente nos dá o seu recado.

Raça, povo e poesia

Capa do livro

Novo Circo

Senhoras e senhores!!!

Respeitável público!!!

Em tempos de mudanças

Tenho a honra

De vos apresentar

Nosso novo circo.

Palmas para os novos malabaristas!!!

Especialistas no equilíbrio

De ordem sistemática

Palmas para os novos mágicos!!!

Especialistas em manipulações

E roubos de toda espécie

Palma para os novos domadores!!!

Especialistas no uso do chicote

Contra reivindicações.

Senhoras e Senhores!!

Os palhaços e os animais!!

Continuam os mesmos

Obrigado.

Daniel Ribeiro

22 anos, estudante de administração gestão pública.

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