Brasil recebe a rainha Diambi Kabatusuila

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Do Dinestela

O Brasil  recebe de 27 de fevereiro a 12 de março, a rainha Diambi Kabatusuila Diambi Mukalengna Mukaji wa Nkashama (Rainha da ordem do leopardo), República Democrática do Congo com a finalidade  de promover um encontro intercultural com comunidades indígenas e Casas de Matriz Africana que preservam saberes do Congo Kinshasa para troca de informações culturais.  A agenda da rainha será extensa e conta com visitas a quatro estados brasileiros. Sua turnê “Pela paz no Brasil” começa em Salvador, 27/02, segue para Minas Gerais (6, 7 e 8 de março) e Rio de Janeiro (9, 10, 11 e 12). A agenda prevê  encontros em universidades, com coletivos étnico raciais, tour pelos pontos turísticos de referências históricas para os povos indígenas e negros, visitas em espaços religiosos e em projetos sociais com crianças.

Diambi Kabatusuila foi coroada como o governante do povo Bena Tshiyamba de Bakwa Indu da região central de Kasaï, parte do antigo Império Luba na República Democrática do Congo em 31 de agosto de 2016. Agora detém o título de Diambi Mukalenga Mukaji Wa Nkashama (Rainha do Ordem do Leopardo). Ela foi investida e introduzida em Kinshasa pela Associação de Autoridades Tradicionais e Consuetudinárias do Congo em 5 de agosto de 2017. 

Em carta de confirmação à sua anfitriã, Cristiane Santos, a rainha se mostrou ansiosa pela visita. “Estou ansiosa pela oportunidade de trocar informações de nossas culturas mútuas, passar um tempo com as pessoas bonitas do Brasil”, ela estará acompanhada de uma comitiva de aproximadamente 8 pessoas. Entre as autoridades estão a princesa Laurence – DRC / BE, Embaixador Chabal – Zâmbia e o Honorável Mamadou Diop Thioune. Ainda fazem parte da comitiva: April Robbins – Bobyn – USA, Prince Randy – Benin,  Terry Riggs – Nigéria / Reino Unido, Alfa Kuaba – Angola / UK, Elaji Malik – Senegal, Professor Small – USA (a confirmar), Dr. Leonard Jeffries – USA (a confirmar), Jason Swanston – USA (a confirmar), Professor Antoine – Ciciba Congo (a confirmar), Professor Cerdotola – Gabão (a confirmar), Anthonica – Jamaica / UK (a confirmar) e  Andrew Lindo – Reino Unido (a confirmar).

Rainha do Congo e índia brasileira – Um encontro de  irmãs

Segundo Cristiane Papiôn, coordenadora do  OCA – Observatório Cultural das Aldeias, responsável pela vinda da Rainha ao Brasil, a articulação para a vinda da rainha ao Brasil começou no ano passado quando as duas se encontraram por acaso no Cristo Redentor e ela foi reconhecida como irmã ancestral da mesma. “A amizade com a rainha Diambi iniciou no ano passado, quando a rainha veio na comitiva do rei de Ifé, junto ao Instituto Expo Religião. Estava na sombra do Cristo e ela veio sorridente e viu as nossas semelhanças, o colar de dentes de onça, uma proteção ancestral a irmandade que nos religa  aos ancestrais de África e do Brasil. Lembrou Cristiane”, lembrou Cris.

Papiõn conta que a rainha escreveu para ela dizendo que gostaria de voltar ao Brasil  e encontrá-la novamente. “ A rainha afirmou a sua agenda no Brasil com o contato junto a lideranças de matrizes africanas e a articuladora, mediadora ativista, Cristiane Santos ou Papiõn conhecida no meio das políticas culturais e de intolerância religiosa no Brasil e dessa forma contactou os parceiros para agenda local e novas parcerias”, explicou Papiõn.  O grupo de organização junto ao OCA é formado por assistentes sociais, doutores e mestres nas histórias indígena e africana.

Rainha visita terreiros de umbanda  no Rio

No seu último dia no Brasil, segunda, 11 de março, a rainha irá celebrar a memória da Diáspora africana entre os povos originários e o povo do Congo, com foco na ancestralidade dos descendentes africanos em visita à Casa de Pai Fabrício, uma das casas de umbanda mais antigas do Rio e que praticam a umbanda africanista com raízes do omoloko. A casa completa este em 2019, 105 anos de existência somente na cidade de Queimados, RJ. No domingo, 10, ela visita  a Casa Ilé Ti Oxum La Lia Obá Ti Odou Ti Ogum Alpep – Corte Real da Nação Ijexá em  Belford Roxo. O terreiro  está passando por um  processo de tombamento como Patrimônio Cultural e Imaterial do estado do Rio de Janeiro. Agenda restrita a convidados). Neste mesmo dia,  também visita à casa Muna Nzo Mavuemba Nkosi Biole (Casa sagrada dos Divinos Leões). em Vaz Lobo, Rio de Janeiro. (India Cristine Papiõn e equipe em visita ao terreiro) 

O zelador da Casa, Pai Fabrícius, ressalta a importância histórica e religiosa de uma rainha do Congo, uma de suas raízes ancestrais. “A importância da visita da Rainha Diambi da República Democrática do Congo em nossa casa, significa muito mais do que o fortalecimento cultural religioso entre a religiosidade afro brasileira e a cultura africana, representa a aproximação de nossa ancestralidade através de nossas práticas religiosas, já que nossa base foi sempre dentro da doutrina da falange do grupo dos africanos, em especial dos povos de Congo, Mina e Moçambique que compõem a seara espiritual da gira de todas as Casas da linhagem de Pai Fabrício, difundida por nosso idealizador Custódio de Souza Caravana, no século XIX”, destacou.  A Casa está preparando um jantar afro-indígena e também estão previstas várias apresentações de danças africanas pelo grupo de ação social e pesquisas culturais – Origens.  

Uma rainha com muitas qualificações

Diambi Kabatusuila, nascida na Bélgica, filha de mãe belga e pai congolês diplomata. Ela cresceu em Kinshasa, na República Democrática do Congo. A rainha tem uma extensa experiência de multiculturalismo não apenas por causa de sua própria formação, mas também porque viajou e viveu em muitos países diferentes. Ela fala 6 idiomas é mãe de dois filhos e um neto.

Rainha Diambi é doutora em direito e doutora em filosofia, mestre em psicologia aplicada e mestre em aconselhamento em saúde mental. Ela trabalhou como um terapeuta de saúde mental de bebês e crianças, bem como é  uma especialista em dependência de substâncias. Ela consagrou muito tempo dominando questões relacionadas ao trauma e como isso afeta a identidade e como terapeuta treinada (EMDR) detém um grau como praticante de medicina complementar e alternativa.

Rainha Diambi também é professora de matemática e francês certificada, ela ensinou francês em um programa internacional de Bacaloreate na Flórida. Como bacharel em Finanças e Economia, trabalhou durante vários anos como consultora económica no Observatoire Social Européen em Bruxelas para a Comissão Europeia e outras agências governamentais na UE.

Diambi Kabatusuila foi coroada como o governante do povo Bena Tshiyamba de Bakwa Indu da região central de Kasaï, parte do antigo Império Luba na República Democrática do Congo em 31 de agosto de 2016. Agora detém o título de Diambi Mukalenga Mukaji Wa Nkashama (Rainha do Ordem do Leopardo). Ela foi investida e introduzida em Kinshasa pela Associação de Autoridades Tradicionais e Consuetudinárias do Congo em 5 de agosto de 2017.

A rainha é diretora executiva do Umoja Institute, em Nova Orleans, EUA, vice-presidente do FOKABE, sem fins lucrativos em Kinshasa, na República Democrática do Congo, presidente do conselho de administração da African Views, Nova York, EUA.

Desde muito jovem, a Rainha Diambi sempre se interessou muito por todas as questões relativas à restauração da Identidade Africana através do estudo da história africana e do patrimônio cultural tradicional do continente e além. Um de seus principais projetos, além da empresa de desenvolvimento rural da Kasaï Central, é buscar alianças para mudar a narrativa sobre o povo africano.

“As expressões das culturas africanas foram tão brutalmente reprimidas e demonizadas durante vários séculos com o único propósito de explorar os africanos e suas terras que muitos africanos perderam o senso de si e o que significa ser africano hoje. Os africanos em todo o mundo acostumaram-se a acreditar que não são dignos e que a única maneira de melhorar sua vida é adotar e imitar todos os padrões do Ocidente para reger todos”, observa.

serviço:

Visita oficial da rainha Diambi Kabatusuila ao Brasil

Data: 27 de feveiro a 12 de março

Locais:

Salvador, 27 de fevereiro

Minas Gerais (06, 07 e 08 de março)

Rio de Janeiro (9, 10, 11, 12 de março).

Rio de Janeiro

09- SÁBADO

·      9h – Chegada ao Rio (Guaratiba)

·    15h30 – visita ao  Projeto Casa do Menor

17h50 Mostra de empreendedores afro

·    Noite de celebração a união espiritual indígena e africana, apresentação de  cantos e rituais sagrados indígenas, cantigas de Caboclo, a herança afro-indígena nas matrizes africanas. O evento é restrito a convidados da rainha.

10/03 – DOMINGO

·   7h às 9h – Café da Manhã em Guaratiba (restrito)

·    10h – saída

·    12h às 15h30 – Visita a Casa Ilé Ti Oxum La Lia Obá Ti Odou Ti Ogum Alpep – Corte Real da Nação Ijexá. Rua Nossa Senhora do Carmo, 15, Parque Amorim, Belford Roxo. Almoço e ritual religioso no terreiro em processo de tombamento como Patrimônio Cultural e Imaterial do estado do Rio de Janeiro. (restrito a convidados).

·    17 :00 h –  Visita à casa Muna Nzo Mavuemba Nkosi Biole (Casa sagrada dos Divinos Leões). Rua Alice Freitas, 361, Vaz Lobo, Rio de Janeiro. (encontro ancestral restrito a convidados)

11/03- SEGUNDA-FEIRA

7:00 as 9:00 Café da manhã sítio em Guaratiba (restrito a convidados)

Visita à Faculdade Sellesiana em Niterói

12h às 13h30 – almoço

15h às 19h – UERJ Universidade estadual Rio de Janeiro – Capela Ecumênica (aberto ao público)

15:00 – abertura coral de ogãs e Cantos Guajajara

15:40 – apresentação da rainha Diambi e sua comitiva

16:30 – abertura da mesa étnico empreendedorismo, resistência étnica.

16:30 – abertura da mesa étnico empreendedorismo, resistência étnica.

  • CONVIDADOS:
  • Cristiane Santos – Coordenadora do Oca observatório Cultural das Aldeias
  • Alfa Kuabo Coordenador Internacional da UDA
  • William Berger – doutor em serviço social pela uerj , pesquisador e escritor.
  • Mara Silva – Designer de moda, figurinista, consultora de imagem premiada – Cinema tamoios 2018, consultora de moda.
  • Denílson Baniwa – artista visual e seus trabalhos expressam sua vivência enquanto ser indígena, mesclando referências tradicionais e contemporâneas indígenas e se apropriando de ícones ocidentais para comunicar o pensamento e a luta dos povos originários em diversos suportes e linguagens como canvas, instalações, meios digitais e performances.
  • Lêmba Dyala: Lêmba Dyala  (Rafael Ribeiro), executivo de contas, estudante de ciências sociais (uerj), sacerdote do candomblé Angola/Congo e estudioso do culto Bantu no Brasil e suas contribuições.
  • Rainha Diambi  – fecha a mesa de debates sobre o combate a intolerância.
  •  

Lançamento do livro Índios na cidade do capital – indígenas em contexto urbano na cidade do Rio de janeiro em tempos de Barbárie escrito pelo escritor e doutor em serviço social William Berger, desfile de moda simultâneo.

Rainha participa de desfile Étnico empreendedor

O desfile étnico empreendedorismo apresentado neste dia irá remeter às origens e pertencimentos africanos através de indumentárias, cores e cabelos, destacando a miscigenação de indígenas e africanos. O desfile se propõe a mostrar toda a beleza de sua arte, roupas e indumentárias, um grande legado deixados por estes povos nas terras brasileiras através da arte.

QUEIMADOS – De 20:00 às 23:00 – ENCERRAMENTO (restrito a convidados)

·    Visita à Cabana Espírita de Pai Fabrício ( Rua Capitão Custódio Caravana, 27, Centro, Queimados)

·    Jantar Afro Indígena

·    Despedida com os caboclos e orixás

12/03/2019 – TERÇA-FEIRA

Término da visita Diambi ao Brasil e seu Retorno ao lar

Daniel Ribeiro

22 anos, estudante de administração gestão pública.

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