Capitólo e 11ª BIENAL: Diálogos com o Triângulo Atlântico

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De 28 de abril a 5 de maio, a Cinemateca Capitólio Petrobras apresenta uma série de sessões especiais em diálogo com a Bienal11, que nesta edição destaca a arte africana e afro-brasileira a partir do tema central O Triângulo Atlântico. A programação tem entrada franca.

A programação da Cinemateca apresenta obras seminais realizadas no continente africano, como a cópia restaurada de A Negra de… primeiro longa do pioneiro senegalês Ousmane Sembène, considerado o pai do cinema realizado na África subsariana, o curta Monangambé, de Sarah Maldoror, nome influente do cinema político realizado na Angola, e Carta Camponesa, da senegalesa Safy Faye, o primeiro longa-metragem africano dirigido por uma mulher a ser distribuído comercialmente.

Dois grandes filmes de Nelson Pereira dos Santos que buscam diálogo com a cultura afro-brasileira serão exibidos em cópias 35mm restauradas: O Amuleto de Ogum e Tenda dos Milagres.

A programação também apresenta uma sessão especial do Cineclube Adélia Sampaio, programada pelo coletivo Criadoras Negras – RS, em parceria com o projeto Curta na Cinemateca, e exibe pela primeira vez em Porto Alegre dois documentários: Candeia e Mokambo.

Filmes

O Amuleto de Ogum (Nelson Pereira dos Santos, 1974, 35mm)

A história é narrada pelo cego Firmino, um violeiro nordestino. No sertão, Maria leva seu filho Gabriel a um centro de umbanda, a fim de buscar proteção. O rapaz ganha um amuleto, capaz de gerar grande cobiça.

A Negra de… (Ousmane Sembène, 1966, DCP)

Diouana é uma jovem senegalesa que chega a Riviera Francesa para trabalhar como babá. No entanto, o casal que a contratou a faz executar todo tipo de função doméstica sem receber salário. Confinada no pequeno apartamento de frente para o mar, ela reflete sobre a discrepância entre sua vida na França e seus sonhos antigos de viver na Europa. Cópia da Cineteca di Bologna.

Mokambo (Soraya Mesquita, 2017, HD)

O filme idealizado e dirigido pela jornalista Soraya Mesquita retrata a materialidade e a espiritualidade que o povo Bantu trouxe ao Brasil, responsáveis pela introdução da capoeira, do samba, da culinária e do candomblé.

Carta Camponesa (Safy Faye, 1971, DVD)

Carta Camponesa conta a história de Ngor e Coumba, casal que vive em uma pequena vila no Senegal e há tempos tenta se casar. Os dois enfrentam muitas dificuldades para sobreviver e se manter juntos, porque a colheita de amendoim, única opção comercializável “herdada” da colonização, está sofrendo com a falta de chuvas. Permeando uma linha fluída entre documentário e ficção, uma vez que a diretora filma o cotidiano de sua própria vila, expondo as agruras e as delícias do dia a dia de seu povoado, Safie Faye trabalha a dicotomia entre tradição e modernidade, além de fazer uma dura crítica à colonização francesa dos povos africanos. Foi o primeiro longa metragem africano dirigido por uma mulher a ser distribuído comercialmente. Cópia do Arsenal Institut de Berlim.

Monangambé (Sarah Maldoror, 1968, DCP)

A história de um casal em Angola enfrentando uma perseguição política. O título era um grito de mobilização dos anos 1960 da Frente Popular de Libertação. Cópia do Arsenal Institut de Berlim.
Tenda dos Milagres (Nelson Pereira dos Santos, 1977, 35mm)
A Bahia do século 20 e a forte mistura de raças e religiões são temas da adaptação do romance homônimo de Jorge Amado. A narrativa conta a história de Pedro Archanjo, intelectual autodidata que contestou ideias racistas.

Candeia, o Filme (Luiz Antonio Pilar, 2017, HD)

Documentário sobre a vida e a obra do cantor e compositor brasileiro Candeia, um dos principais nomes do samba.
Mulheres Negras: Projeto de Mundo (Day Rodrigues, Lucas Ogasawara, 2016, HD)
Há poucas coisas tão poderosas e transformadoras no mundo do que a união entre mulheres. Quando se tratam de mulheres negras, as experiências coletivas regem as trajetórias desde a vinda forçada para o Brasil; a resistência e luta pela liberdade, e quando livres, ainda padecem do racismo persistente na sociedade brasileira. No documentário “Mulheres Negras: Projeto de Mundo”, nove vozes femininas negras são apresentadas de maneira suave e potente. Em seus depoimentos, cada mulher fala da sua experiência de sobrevivência calcada em sua raça, gênero, classe e desvendam o que significa habitar em pele negra.

Das Raízes às Pontas (Flora Egécia, 2015, HD)

Luiza tem 12 anos e fala com orgulho de seu cabelo crespo e sua ancestralidade. A história de Luiza é uma exceção. O cabelo crespo como elemento do tornar-se negro e ato político. Os entrevistados, dos mais diversos perfis falam sobre o papel do cabelo crespo como elemento do tornar-se negro e como ato político contra imposições estéticas. Questionar os padrões de beleza, que são impostos cada vez mais cedo, além de tratar a afirmação do cabelo crespo como um dos elementos fundamentais da identidade negra são a principal temática do filme, que também avalia a aplicação da Lei 10.639/03 que regulamenta o ensino da História Afro-Brasileira e Africana nas escolas brasileiras.

Grade de horários

28 de abril (sábado)
18h – O Amuleto de Ogum
20h – Mokambo + debate com a diretora
29 de abril (domingo)
16h – Monangambé + Carta Camponesa (apresentação da pesquisadora Carla Oliveira)
18h – Tenda dos Milagres
20h30 – Candeia, o Filme
1º de maio (terça)
18h – A Negra de…
19h30 – Curta na Cinemateca: Cineclube Adélia Sampaio: Mulheres Negras: Projeto de mundo + Das raizes às pontas
5 de maio (sábado)
16h – A Negra de…
6 de maio (domingo)
16h – Monangambé + Carta Camponesa

Daniel Ribeiro

22 anos, estudante de administração gestão pública.

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