Diga ao povo que fico

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Por Airton Araújo*

“Não se substitui um presidente da República a toda a hora, ainda que se queira”. Com essas palavras, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Gilmar Mendes, proferiu o seu voto de minerva para absolver naquela instituição, a chapa vencedora da eleição de 2014, encabeçada por Dilma Rousseff, tendo como candidato a vice-presidente, Michel Temer, vindo esse, a assumir o cargo até então, após o impeachment imposto a titular. É importante realçar que a chapa foi denunciada por abuso de poder econômico e político naquele sufrágio, acusação essa, oferecida pelo PSDB, atual participante da base do governo e fiador das políticas governamentais do executivo.

A decisão e a assertiva de Mendes denotam duas conclusões: primeiro; que não era esse o presidente da República a ser cassado por tal crime. Segundo; se não se substitui um presidente a toda a hora, é porque o mandato do atual governante e amigo, Michel Temer, não será abalado até 31 de dezembro de 2018. Para chegar a esses dois pontos, basta relembrar o telefonema entre Sergio Machado e Romero Jucá, antes da votação pelo impeachment de Rousseff, no qual, cogitam “mudar o governo federal para estancar a sangria da Lava Jato num pacto do eventual governo Michel Temer com o Supremo, com tudo”.

Parte do pacto obedecido no TSE, o governo e o “presidente” Michel Temer, tem agora  outra batalha a ser travada. Trata-se da denuncia que está para acontecer no Supremo Tribunal Federal, apontada pela Procuradoria Geral da República contra Temer, sob a batuta de seu chefe, Rodrigo Janot, acusando o governante  de ter cometido três crimes: corrupção passiva, organização criminosa e obstrução à justiça. É importante salientar que uma vez no Supremo, a denuncia é refletida pelo relator, Edson Fachin, junto com seus pares e,  depois é enviado o processo ao Congresso que é onde, enfim, rejeitam ou aceitam uma denúncia contra o presidente da República.

E é exatamente no Parlamento que Temer navega em águas puras, rasas e serenas, pois, para seguir adiante a investigação contra ele, o placar deve ter a votação mínima de 342 votos de aceitação da denúncia, algo pouco provável no momento. Isso se deve, pelas verbas oferecidas pelo executivo aos deputados na forma de emendas ou, pelo envolvimento de parte expressiva dos Congressistas em atividades ilícitas e criminosas, dentre eles, o presidente da Câmara dos deputados, Rodrigo Maia e Eunicio Oliveira, presidente do Senado Federal, ambos citados na Operação Lava Jato e, ambos, fiéis aliados do presidente. Como se vê Temer terá vida mais fácil na política daqui em diante, até porque, os movimentos das ruas encontram-se em inércia total e a imprensa conivente com o grave momento do País. Por tudo isso, o presidente pode bradar em bom tom a frase histórica de Dom Pedro I: “diga ao povo que fico”.

*Airton Araújo, é doutor em ciências políticas pela UFRGS.

 

Daniel Ribeiro

22 anos, estudante de administração gestão pública.

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