Conheça Quênia Lopes – A gaúcha que é caracterizadora assistente em novelas globais

Quênia Lopes, especialista em tranças nagô também consegue desenvolver a técnica em si mesma – tranças twist. (Foto: Arquivo pessoal)

Por Camila Moraes

Filha de militantes negros, da atriz Vera Lopes e do jornalista e escritor Paulo Ricardo de Moraes, Quênia Lopes se mudou para o Rio de Janeiro em 2003, após o grupo de rap feminino do qual fazia parte chamado Anastácias ter ganhado o prêmio de melhor Demo Feminina no Festival de Rap Nacional, Hutus. Jovens e inseridas na cultura Hip Hop estavam em busca de lançar novos voos no cenário musical. O Grupo, inicialmente formado por 10 meninas negras entre 18 e 24 anos, resolveu fazer a mudança para a cidade maravilhosa. Com o passar dos anos algumas permaneceram na cidade e outras foram em busca de novos pousos.

Quênia Lopes, gaúcha e caracterizadora assistente de novelas globais no Rio de Janeiro (Foto: Ricardo Stricher)

Quênia Lopes se especializou na técnica de trançar, arte que aprendera com a sua mãe.   “As tranças na minha vida vão muito além da estética, são símbolo de potência e empoderamento. Meu trabalho de trançadeira me levou por caminhos que não esperava e pude conhecer pessoas e lugares incríveis”, revela. E um desses caminhos foi chegar à Rede Globo, empresa onde trabalha há cerca de seis anos. Quênia comenta que começou como oficineira, depois virou funcionária e desde o ano de 2017 assume o cargo de Caracterizadora Assistente em novelas globais. “Ver uma atriz ou um ator usando tranças na televisão é, sem dúvida, um ato de resistência, mesmo que  algumas vezes seja indiretamente. Por exemplo, quando o caracterizador titular vem com essa demanda e a mesma é aplicada na prática, percebo como uma vitória. Pois são milhares de pessoas assistindo àquele conteúdo com exemplos positivos por meio da estética. Sou reconhecida por familiares e amigos como trançadeira e é muito legal após acabar uma cena de novela em que algum personagem apareça trançado receber mensagem de que identificaram o meu trabalho ou até de clientes que desejam fazer o mesmo modelo da atriz ou do ator. Isso é muito gratificante. É fruto de muita dedicação, pois acho que em qualquer área de atuação precisamos nos especializar constantemente”,  afirma.

Quênia Lopes ao lado da atriz congolesa Eli Ferreira que interpreta Marie na novela atual das 18h “Órfãos da Terra”. (Foto: Ricardo Stricher)

Entre 2016 e 2017, Quênia morou em Luanda/Angola onde cursou Moda com ênfase em Modelagem e Estilismo, na escola Arte e Fashion da estilista e apresentadora do programa Sexto Sentido/ TV Zimbo Dina Simões. Atualmente ela também administra sua empresa Quênia Tranças, um ateliê de moda e estilo inspirado na temática africana. Com essa proposta busca ampliar e valorizar a identidade afro-brasileira. No seu ateliê, além de desempenhar sua profissão primeira, trançadeira, também produz roupas, bolsas, acessórios e ministra workshop de tranças. Atenta às histórias de vidas contadas pelos mais velhos sobre costumes e habilidades manuais, Quênia Lopes nos ensina: “Há toda uma ancestralidade cultivada em cada fio de cabelo. Seguimos na trilha de nossos antepassados para reconhecer a nossa história e preservar a memória e a cultura de um povo por meio da arte que produzimos, seja nos cabelos, nas roupas ou acessórios”, finaliza.

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