Década Internacional de Afrodescendentes é tema de aula magna na UFABC

By / 1 ano ago / Brasil / No Comments

Aula Magna abriu o quadrimestre de 2016 do Bacharelado de Ciências e Humanidades da Universidade Federal do ABC, em São Paulo

(à esquerda) Prof. Dr. Acácio Almeida (UFABC) e a Ministra Nilma Lino Gomes. (Foto: Divulgação)

(à esquerda) Prof. Dr. Acácio Almeida (UFABC) e a Ministra Nilma Lino Gomes. (Foto: Divulgação)

A Década Internacional de Afrodescendentes foi o assunto da Aula Magna do Bacharelado em Ciências e Humanidades da Universidade Federal do ABC, Campus São Bernardo do Campo (SP). Proferida pela ministra das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos, Nilma Lino Gomes, a aula contou com auditório lotado na noite desta terça-feira (23). Na abertura da atividade, estiveram presentes o vice-reitor da UFABC, Dácio Matheus, o professor do Bacharelado em Relações Internacionais, Acácio Almeida, e o professor titular no Centro de Engenharia e Ciências Sociais, Ramon Fernandez.

A aula magna marca o início do quadrimestre de 2016 do Bacharelado em Ciências e Humanidades da UFABC e o fato da universidade ofertar pela primeira vez a disciplina “Estudos étnico-raciais” como disciplina obrigatória.

“A universidade pública tem que ter a cara do povo. E hoje olhando para esse auditório vejo que a universidade está refletindo a diversidade do nosso país”, declarou Nilma Lino Gomes, no início de sua fala, ao mencionar a importância das ações afirmativas.

“É um desafio para a UFABC transpor os limites da falsa dicotomia entre excelência acadêmica e inclusão social. Não é fácil construir uma instituição que supere esse tipo de visão, mas nosso trabalho tem esse objetivo”, afirmou o vice-reitor, Dácio Matheus. “Os temas tratados pelo ministério das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos são fundamentais para a universidade e temos muito a aprender nas áreas de gênero, juventude, igualdade racial e direitos humanos”, disse.

A UFABC foi uma das primeiras universidades do país a adotar o sistema de cotas, antes da aprovação da Lei nº 12.711/2012. “Uma das marcas da UFABC é nosso esforço para ajudar a diminuir as grotescas desigualdades raciais no país. Adotamos as cotas raciais e para alunos da escola pública desde o início das nossas atividades, trabalhando nessa perspectiva”, afirmou o professor Ramon Fernandez durante a mesa de abertura.

O professor Acácio Almeida ressaltou a trajetória da ministra para a consolidação da Lei nº 10.639/03, a qual altera a Lei de Diretrizes e Bases e torna obrigatório o ensino de História e Cultura Africana e Afro-Brasileira nas escolas de Ensino Fundamental e Médio. Almeida também destacou as ações da UFABC no que diz respeito às ações afirmativas adotadas pela universidade. “Além das cotas nos bacharelados, também temos as cotas na pós-graduação, que aumenta 30% as vagas do mestrado e do doutorado para preenchimento por candidatos autodeclarados negros ou indígenas. Também trabalhamos no concurso para contratação de professores na área de estudos étnico-raciais e na construção de um instituto pan-africanista”, afirmou o professor.

Aula Magna

Os eixos e objetivo da Década, o contexto histórico que a antecedeu e os desafios da luta pela promoção da igualdade racial no país foram alguns dos temas abordados pela ministra. “Não podemos pensar na Década Internacional de Afrodescendentes como algo isolado. A Década existe porque existe um histórico de lutas e negociações; e essa lutanão é só dos afrodescendentes e do movimento negro, mas de indígenas, brancos e aqueles grupos que tem senso de justiça e que querem que as mudanças necessárias aconteçam”, afirmou Nilma.

“Esse momento é uma culminância da articulação nacional e internacional dos afrodescendentes. A Década surge apoiada sobre três eixos: desenvolvimento, justiça e reconhecimento. E o Governo brasileiro vem trabalhando na implementação da Década, por meio de articulação e elaboração de políticas públicas de promoção da igualdade racial, com iniciativas como a Lei 10.639/03, as cotas nas universidades, no serviço público, com a regulamentação do Estatuto da Igualdade Racial e a divulgação e implantação do Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial”, declarou. “Nós temos o dever de transformar em políticas públicas os três eixos trazidos pela Década, no sentido de transformar a vida dos cidadãos e cidadãs brasileiros. Temos que manter o foco na garantia de direitos e não enfraquecer as lutas: precisamos fortalecê-las, sem perder as especificidades, pois como diz o provérbio, ‘quando as teias de aranha se juntam elas podem amarrar um leão’”, concluiu Nilma Lino Gomes.

Parcerias

Ações afirmativas, direitos humanos e diversidade nas universidades foram alguns dos temas discutidos pela ministra das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos, Nilma Lino Gomes, na reitoria da Universidade Federal do ABC (SP).

A ministra, juntamente com o secretário de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Ronaldo Barros, foram recebidos pelo reitor, Klaus Capelle, e pelo vice-reitor, Dácio Matheus, no Campus Santo André da UFABC. A universidade foi uma das primeiras no país a adotar as cotas raciais para ingresso na graduação e é pioneira na aplicação de ações afirmativas para pessoas com deficiência.

Fonte: Seppir

Daniel Ribeiro

22 anos, estudante de administração gestão pública.

Leave a comment

Your email address will not be published. Required fields are marked. *