E se alguém o pano

Obra poética de Eliane Marques tem lançamento na Semana Nacional da Consciência Negra no dia 18 de novembro
Eliane Marques - crédito Anelore Schumann
Por José Walter C. Alves

O novo livro de poesia de Eliane Marques, e se alguém o pano, publicado pela editora Escola de Poesia (Porto Alegre-RS), estará no mercado brasileiro no início de novembro e será lançado na Semana Nacional da Consciência Negra, no dia 18 de novembro. Nesta obra, Eliane Marques aborda a questão da negritude e dos excluídos em geral, já que os poemas se apresentam como materialização estética da condição dos apátridas, dos refugiados e dos sem-nome.

O título do livro “e se alguém o pano” surge de uma conversa crítica da autora com o poema “Irene no Céu”, de Manuel Bandeira, que alguns interpretam como um grito contra as injustiças e as desigualdades ou como expressão de amor. “Porém, eu odiava a Irene do poema de Manuel Bandeira, tão preta e boa e sempre de bom humor. Como poderia ter sido tão preta e tão boa?”, observa Eliane Marques.

A obra, com 104 páginas, contou com a curadoria e a apresentação do poeta e crítico de poesia Ronald Augusto. Segundo ele, nos textos “Eliane dissimula uma raiva contida, bem aplicada, isto é, um tipo de disposição textual capaz de conferir à forma um enviesamento mais cortante, impiedoso: o estilo da revanche”. Para Ronald, “Eliane lança para um nível mais complexo a ideia consagrada de que as tradições das diásporas africanas se resolvem em sincretismo edulcorado, seus poemas mostram o quanto de dor e interdições se pode vislumbrar sob essa mescla cultural. Cada poema se integra a um vasto ideograma de memórias particulares no centro desse processo diaspórico”.

e se alguém o pano - capa do livro

 Em texto sobre o livro, a psicanalista e poeta argentina Marcela Villavella afirma que “Eliane Marques é uma Antígona (creio poder afirmar que a própria Antígona de Sófocles era negra) que se permite levar pelo que acredita, que decidiu sepultar suas próprias mortes com uma fina camada de terra – o poema – até humanizar o que estava condenado a ser quase animal submetido à jaula”. Para Marcela, e se alguém o pano é um livro necessário em sua condição “natural”: “Não se o pode prender como o cabelo das negras, não se o pode trançar, não se o pode alisar, não se o pode civilizar como se esperaria do livro de uma ‘poeta, negra’” (expressão utilizada pelo poeta Oliveira Silveira).

Sobre Eliane Marques

Eliane Marques nasceu em Sant’Ana do Livramento (Rio Grande do Sul), na fronteira entre Brasil e Uruguai. Atualmente vive em Porto Alegre, onde desenvolve os seguintes trabalhos: coordenadora da Escola de Poesia; coordenadora editorial da revista OVO DA EMA e Auditora Pública Externa do Tribunal de Contas do Estado do RS.

Publicou os livros de poesia Relicário (2009) e “se alguém o pano” (2015) e, com outros autores, “Arado de Palavras” (2008). Traduziu o livro “O Trágico em Psicanálise” (2012), da psicanalista argentina Marcela Villavella. Conduziu o projeto “Poetas do Futuro” do qual participaram crianças e adolescentes acolhidos pelo Instituto Recriar, cujo trabalho originou a revista “Não é o Bicho” (2012).  Organizou o livro “No meio da meia-lua, primeiros versos”, do coletivo “Africanamente Escola de Capoeira Angola” (2013). Coordenou, junto com outros poetas, o AEDO – Arte e Expressão da Oralidade – Festival de Poesia, bem como as várias edições do Porto Poesia. Coordenou o extinto grupo de teatro aguaceiro e atuou no curta-metragem “Uma carta ao presidente”.

Graduada em Pedagogia e Direito; Mestre em Direito Público (Constituição, Direitos Fundamentais e Hermenêutica Jurídica) pela UNISINOS; Especialista em “Constituição, Política e Economia”, pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Cursou quatro semestres de Comunicação Social – Publicidade e Propaganda, pela Universidade Federal de Santa Maria. Faz formação em Psicanálise na “Après Coup Porto Alegre Psicanálise e Poesia” e foi uma das ministrantes, nessa instituição, do curso Direito & Psicanálise.

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