Educação Popular e Direitos Humanos foi tema do Fórum Social Temático de Porto Alegre

A ministra defendeu os avanços sociais que foram conquistados “devagarzinho, com luta e muitas dificuldades”, no Brasil e na América Latina, ao longo dos últimos anos.

Foto: Claudio Fachel

Foto: Claudio Fachel

A ministra Nilma Lino Gomes (Das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos) participou de várias atividades do Fórum Social Temático, incluindo o debate sobre “Educação e Direitos Humanos”, realizado na sexta-feira (22/1), com a presença de nomes internacionais, como o sociólogo português Boaventura de Sousa Santos, o jurista espanhol, Baltasar Gárzon, o diretor do Centro de Direitos Humanos do Marrocos, Driss El Yazami, e a representante do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras em Educação de Valencía (Espanha), Beatriu Cardona.

Em sua fala, a ministra Nilma Lino Gomes reconheceu que o Brasil vive um momento complexo, difícil, mas passível de ser superado, sobretudo se contar com o apoio e a parceria dos movimentos sociais, que sempre tiveram um papel fundamental na construção de políticas públicas, sobretudo aquelas voltadas às minorias.

A ministra defendeu os avanços sociais que foram conquistados “devagarzinho, com luta e muitas dificuldades”, no Brasil e na América Latina, ao longo dos últimos anos, e falou dos desafios da sua pasta, com a criação do novo Ministério que ainda se encontra em fase de estruturação.

Ela também citou as dificuldades de se construir políticas de direitos humanos em um cenário permeado por interesses diversos, concluindo que “um dos maiores desafios dos governos progressistas, em tempos de realinhamento de forças, é se posicionar firmes, mantendo o princípio de que os direitos das pessoas estão acima dos direitos dos mercados”. E complementou ser “estratégico manter a sintonia com os movimentos sociais”, ressaltando que a principal relação entre direitos humanos e educação popular é que ambos buscam “recuperar a humanidade roubada dos sujeitos”.

O jurista Baltasar Gárzon destacou que “a construção teórica dos Direitos Humanos já temos, há grande teorias e tratados, mas nos falta um desenvolvimento prático, real e participativo através de uma dinâmica claramente em defesa dos movimento sociais”. O jurista falou da necessidade de se buscar novos protagonistas, “mais apegados às realidades e conhecedores das dinâmicas sociais”, defendendo a criação de uma escola de educação popular voltada aos dirigentes e lideranças políticas. Garzón também criticou as políticas que ainda se centram em ações individuais, salientando que os países só poderão salvar-se com lideranças sociais, educação popular participativa e fortalecimento de lideranças de base.

Já o marroquino Driss El Yazami falou sobre a situação dos direitos humanos na zona árabe e defendeu a promoção do espírito crítico e a liberdade de pensamento como princípio base da escola.

Segundo ele, é por isso que surge no Marrocos a proposta de colocar nos currículos escolares a disciplina de direitos humanos.

Em sua fala, o sociólogo Boaventura de Sousa Santos destacou que é preciso “transformar a vida, ela própria, na escola”, afirmando que “educar é criar consciência de que o mundo é nosso. Se eu representar o mundo como meu eu poderei transformá-lo”.

A Mesa contou, ainda, com a presença da presidente da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES), Camila Lane; do presidente da Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais (Abong), Mauri Cruz; da diretora da Flacso Brasil, Salete Valesan Camba, e do rapper Moysés Martins, que é cadeirante e membro do Brasil Acessível e do coletivo Família Rap Nacional.

Sobre o Fórum

O Fórum Social Temático foi realizado em Porto Alegre quinze anos após a primeira versão do Fórum Social Mundial, que aconteceu no ano 2000 na capital gaúcha.

Durante os cinco dias do evento foram debatidos diversos temas, como economia solidária, educação popular, luta antimanicomial, direitos dos trabalhadores e trabalhadoras, das mulheres, dos negros e negras, da população LGBT, indígenas, quilombolas, luta do povo palestino, luta pela democratização da comunicação, mobilidade urbana e pelo direito à moradia, entre outros. Um ponto relevante das discussões, ao longo do Fórum, foi a necessidade de defesa da manutenção dos mandatos dos governantes eleitos democraticamente no Brasil e na América Latina.

Todas essas questões foram inseridas no documento final do Fórum, que servirá de base para a próxima edição do Fórum Social Mundial, que este ano acontecerá na cidade de Montreal, no Canadá, no próximo mês de agosto.

Fonte: Seppir

Daniel Ribeiro

22 anos, estudante de administração gestão pública.

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