Emicida desfila coleção de sua grife, a LAB, na São Paulo Fashion Week

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A coleção da LAB, grife de Emicida e Evandro Fióti - Fernando Schlaepfer - I Hate Flash Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/ela/moda/emicida-desfila-colecao-de-sua-grife-lab-na-sao-paulo-fashion-week-20334287#ixzz4OChjhGUv © 1996 - 2016. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.

Por Luiza Barros, O Globo

Marcada para começar no próximo domingo, a 42ª edição da São Paulo Fashion Week promete novidades: além de mergulhar de vez na transição para o novo formato do “see now, buy now”, em que as roupas ficam à venda logo após o desfile, a semana de moda paulistana ainda vai ser especial para os fãs de hip hop: pela primeira vez, o rapper Emicida apresenta a coleção da LAB, grife sua e de seu irmão Evandro Fióti. Um feito e tanto para a marca de roupas, que começou quando os dois perceberam a demanda por camisetas durante os shows.

— Foi um processo natural. Começamos de forma amadora, com o que chamam de streetwear — explica Emicida, que passou a vislumbrar uma ida para as passarelas após conhecer o estilista João Pimenta, que assina a direção-criativa da grife.

Fióti e Emicida vestem a nova coleção da LAB – Eric Ruiz

— A partir de 2013 começamos a pensar em um outro tipo de linguagem. Depois, o Paulo Borges (idealizador e diretor da SPFW) viu que podia ser interessante a gente estar na semana de moda. Era uma coisa que eu até achava que pudesse acontecer mais tarde, mas que acabou sendo antecipada — conta o músico, que, ao lado de Fióti e Pimenta, teve três meses para pensar a coleção. No fim, o time partiu da lenda de Yasuke, negro de Moçambique que teria se tornado samurai no Japão do século XVI.

— É uma história pouco conhecida que sai do estereótipo para falar de cultura afrodescendente. Na essência, é um personagem que quebra barreiras, que é tudo o que eu venho fazendo na minha rima.

STEPHEN BURROWS

Nas roupas, a história de Yasuke foi traduzida por meio do encontro de referências nipônicas com a estamparia africana, uma paixão recente de Emicida.

— Voltei de uma viagem à África apaixonado pelas estampas e trouxe isso para o João, que juntou as tradições japonesas e africanas na roupa — revela o rapper, que além de admirar a relação de colegas de profissão como Kanye West e Pharrel Williams com a moda, ainda cita o estilista americano Stephen Burrows, um dos primeiros negros a conquistar o mercado, como referência.

‘Você poderia estar olhando para uma passarela da Suécia que seria a mesma coisa, ou teria mais diversidade’

– EMICIDASobre desfiles de moda no Brasil

— É importante lembrar que esse interesse não veio do nada. O Stephen Burrows já trouxe lá atrás uma perspectiva completamente diferente para a passarela, do universo do gay e do gueto. Aqui no Brasil, os Racionais MC’s (grupo de rap fundado por Mano Brown, Edi Rock e Ice Blue e o DJ KL Jay em 1988) já tinham uma marca de roupa muito foda.

A entrada da LAB no line-up da SPFW também é uma boa notícia para uma indústria tão criticada pela ausência de negros e outras minorias.

— Você poderia estar olhando para uma passarela da Suécia que seria a mesma coisa, ou teria mais diversidade — diz Emicida sobre a moda brasileira. — Os casos de racismo (nas grifes) ainda acontecem porque as decisões são tomadas principalmente por brancos. Existem designers negros, mas eles nem sempre conseguem o devido espaço — critica o músico.

 

Daniel Ribeiro

22 anos, estudante de administração gestão pública.

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