Os desafios do Movimento Negro em 2015

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Por Paulino de Jesus F. Cardoso*

Após meses em defesa da legitimidade do Governo eleito em novembro de 2014, contra as forças obscurantistas e fascistas que sem voto, não têm nenhum compromisso com a normalidade democrática, creio que podemos concentrar nossos esforços na construção de nossa própria agenda.

Neste sentido, nossa experiência tem indicado que se quisermos fazer valer nossa agenda junto ao Governo Federal, por exemplo, não devemos esperar dele gratidão pelo nosso apoio, até porque esta noção só existe entre as elites que pactuam o poder como se fosse uma ação entre amigos. No Regime Democrático, precisamos fazer valer nosso poder, pela capacidade de representar e mobilizar as populações negras.

Desse modo, se faz urgente criar um fórum de organizações do Movimento Negro para discutir a nossa própria agenda. Ação autofinanciada e/ou apoiada por organizações da sociedade civil e outros parceiros, na qual definamos uma agenda e uma estratégia comum de intervenções em diferentes cenários.

Chamo atenção, em especial, para a agenda internacional. Nossas companheiras feministas nos ensinaram algo importante, a combinação de uma atuação local com firme articulação internacional, com destaque para os organismos de governança multilateral, fundos filantrópicos e agências de cooperação internacional. Na pauta, a Década dos Afrodescendentes, um Balanço da Luta antirracista Pós-Durban, a fundação de mecanismo político de articulação da afrodescendência.

Para tanto, em parceria com nossos (as) irmãos indígenas, palestinos (as), ciganos (as), devemos montar um grupo de estudos estratégicos para estabelecer uma agenda antirracista internacional, de modo a que possamos melhorar nossos diagnósticos, compreender os movimentos da geopolítica internacional e calibrar nossas ações para conter/dirimir ofensivas e contra ofensivas.

Partidos, governos e seus espaços de participação social, sem nossa capacidade de concertação de agenda, tenderão a nos transformar em correia de transmissão de suas próprias estratégias de poder. Lutar por autonomia e protagonismo, implica necessariamente em construir zonas de compromisso e confiança entre nós militantes vinculados à sociedade civil.

Por outro lado, cada uma de nossas organizações precisará se estruturar para priorizar a educação política da nossa população, organizar ações de enfretamento cotidiano da violência racial e de apoio aos esforços de melhoria de vida de cada um dos nossos companheiros e comapanheiras seja onde eles/elas se encontrem.

Alguns camaradas tem nos lembrado que o Movimento Negro para ampliar sua legitimidade junto a outros setores da sociedade civil, precisará se envolver com temas de interesse geral, como é o caso de campanhas contra a Lei das Terceirizações, PEC da Redução da Maioridade Penal, Reforma Política e combate a corrupção/sonegação fiscal.

2015, com todas as suas dificuldades, poderá também se constituir em um marco importante no avanço da luta pela igualdade em nosso país!!

*Prof. Dr. Paulino de Jesus Francisco Cardoso, presidente da Associação Brasileira de Pesquisadores Negros – ABPN, coordenador do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros – NEAB/UDESC – Universidade do Estado de Santa Catarina.

 

Daniel Ribeiro

22 anos, estudante de administração gestão pública.

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