Fica Ahí: Clube pelotense comemora 98 anos

No domingo o Clube Cultural Fica Ahí Pra Ir Dizendo completará 98 anos

Por Carlos Cogoy, do Diário da Manhã

Fica Ahí Pra Ir Dizendo foi fundado a 27 de janeiro de 1921. Para comemorar a trajetória de 98 anos, o tradicional clube cultural afro-pelotense estará promovendo churrasco de confraternização no domingo. De acordo com o presidente Raul Borges Ferreira e a esposa Vilma, que estão organizando a comemoração, a programação terá início às 12h30min. Estão sendo comercializadas mesas, e serão disponibilizados 270 lugares no salão Rubens Lima. Ontem, conforme o casal, restavam poucos lugares. Reservas e informações na secretaria do clube, à rua Marechal Deodoro 368, ou através do fone: 3305.7874.

Atividades 

O clube é referência da cultura negra, e frequentemente é visitado por pesquisadores e autoridades. Em 2017, diz o presidente Raul, o Fica Ahí recebeu a visita do então Ministro da Cultura Sérgio Sá Leitão, e o presidente da Fundação Palmares Erivaldo Oliveira da Silva. Como atividade que tem se mantido regular, e gera receita, os bailes para idosos nas terças e quintas das 15h às 18h. Já no dia 3 de março, acontecerá o concurso de fantasias infantil. Em destaque, o acervo da Biblioteca Negra, que conta com mais de quatrocentos títulos.

Vilma e Raul Borges Ferreira

Vilma e Raul Borges Ferreira

Resistência

Dra. Fernanda Oliveira da Silva

A pesquisadora pelotense Fernanda Oliveira da Silva, que está cursando pós-doutorado na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), estudou sobre o Fica Ahí desde a graduação em história na UFPel. Ela menciona: “Em quase cem anos de resistência do clube, há um longo legado de parcela considerável da população negra pelotense. E o Fica Ahí foi criado num período no qual a discriminação era acentuada. Então, espaço para reunir, juntar, buscando valorizar a cultura, trabalho e educação, o que contrariava os estereótipos atribuídos à comunidade negra. O Fica Ahí foi, e é, a família de inúmeras pessoas que transitaram pelas escadas e salões, muitas vezes abrindo mão de momentos particulares, em prol da construção coletiva. E neste século 21, já sem o aporte das mensalidades, teve de buscar rearranjos e alternativas. O que foi conquistado, em especial pelo empenho de Rubinei Machado. Então, clube que, mais do que resistência, tornou-se espaço para formas de existência da população negra pelotense. Reconhecido no País, o clube fortaleceu-se como possibilidade, à comunidade negra, de existência plena no pós-abolição. Isto numa cidade que ainda é extremamente racista”.

História

O clube começou como cordão carnavalesco. Além da diversão, também a necessidade de união para não sucumbir perante a discriminação. Referência à comunidade negra, o “Fica Ahí” esteve funcionando em diferentes endereços. E houve sedes às ruas Cassiano e Félix da Cunha. Ao final dos anos quarenta, o presidente Rubens Lima – homenageado com a designação do salão principal -, esteve à frente do grupo que trabalhou pela construção da sede própria. Em 1953 houve alteração na identificação, passando de carnavalesco para “cultural”. Assim, o clube desenvolveu projeto educacional, e sediou a Escola Dr. Francisco Simões. Nos anos sessenta, o “Fica Ahí” também foi a sede provisória da Escola Academia do Samba.

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