Frente em Defesa dos Povos de Matriz Africana solicitará audiência sobre terreiros ameaçados

Deputada Luciana Genro e Iyá Vera Soares na reinstalação da Frente Parlamentar em Defesa dos Povos Tradicionais de Matriz Africana. (Foto: Celso Bender | Assembleia Legislativa)

Da AL/RS

A Frente Parlamentar em Defesa dos Povos Tradicionais de Matriz Africana foi reinstalada na Assembleia Legislativa nesta quarta-feira (19/06). A Frente será coordenada de forma conjunta pelas deputadas Luciana Genro (PSOL), Sofia Cavedon (PT), Juliana Brizona (PDT) e pelo deputado Sérgio Peres (PRB).

A deputada Luciana Genro assumiu o compromisso na campanha eleitoral de lutar ao lado do povo de terreiro. No ato de instalação da frente, destacou o difícil momento para os povos de matriz africana, por causa da perseguição e da discriminação cometidas contra eles.

“Nós somos os parlamentares que apoiamos essa causa, mas o protagonismo será dos povos de matriz africana. Vamos lutar ao lado deles contra essa estrutura perversa e cruel que persegue e oprime as religiões de matriz africana, e fazer da Assembleia Legislativa também um território de luta para esta causa”, destacou a deputada.Como primeiro encaminhamento do ato de instalação da frente, Iyá Vera Soares solicitou a realização de uma audiência pública sobre a questão da terra, do território e da territorialidade, considerando a perseguição que vem sendo alvo a casa da Mãe Sandra de Bará, localizada há 32 anos na Vila Cristal, em Porto Alegre. Iyá Vera solicita que a discussão abranja ainda as outras 13 casas da região, também ameaçadas pelo processo da prefeitura de remover famílias da localidade para Avenida Tronco, obra em andamento desde 2012.

Para a próxima reunião estão previstas a discussão da privatização do Mercado Público de Porto Alegre, o debate sobre uma versão do hino rio-grandense difundida desde os anos 80 com homenagens ao povo negro e também a discussão sobre a lei do Conselho do Povo Negro.

A deputada relembrou ainda do pedido de recriação da Frente, feito pelo Tata Edson, coordenador de articulação política no Fórum Nacional de Segurança Alimentar e um dos coordenadores da Frente Parlamentar de Segurança Alimentar e Nutricional da Câmara dos Deputados, presente no evento desta quarta.

O pedido foi feito pouco antes do Banquetaço, evento para protestar contra a extinção dos Conselhos de segurança Alimentar (Conseas), uma das primeiras medidas propostas por Bolsonaro, e para fortalecer a campanha “Tradição Alimenta Não Violenta” e para retomar as discussões sobre a sacralização de animais em ritualísticas de religião de matriz africana, considerada constitucional pelo STF em março.

Estiveram presentes na instalação da frente Baba Diba de Iyemonja; mãe Cris de Oyá; pai Ben-hur de Odé, representando o mandato do vereador Roberto Robaina, do PSOL; pai Getúlio de Oxum; mãe Luci; mãe Sandra de Bará; além de outras mães, pais e filhos de santo; o bispo da Diocese Meridional da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, Humberto Maiztegui; a representante da Unegro, Elis Regina; o ex-deputado Pedro Ruas, hoje coordenador da bancada do PSOL na Assembleia Legislativa, e a vereadora de Porto Alegre Karen Santos, também do PSOL, o deputado Valdeci Oliveira, do PT, entre autoridades e representantes de outros parlamentares.

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