Imperialismo em chamas: Sem justiça, sem paz!

Gustavo Rocha. (Foto: Divulgação)

Por Gustavo Rocha*

A sensação é sensacional, como diria nosso amigo rapper Djonga, mas os motivos são muito tristes, afinal, quem não gostaria de ver os racistas sendo queimados e ardendo em fogo? Sim, parece macabro demais, mas é a revolta de centenas de anos de violências contra o povo das Américas sendo externalizada, enquanto o capitalismo segue queimando em brasa, aguardando a próxima vítima do racismo estrutural (que retroalimenta o sistema opressor racista) para entrar em chamas.

Minessota em chamas, Kenosha em chamas, EUA em chamas e o Brasil está em brasas (sim, as coisas por aqui são diferentes) porém não menos graves, pois as fogueiras podem ser gigantes por (e nem estou falando das queimadas criminosas da Amazônia).

Os protestos em Kenosha, no estado americano de Winconsin, depois de viralizar o vídeo em que Jacob Blake (jovem negro de 29 anos) é brutalmente atacado com sete tiros pelas costas, diante de seus três filhos, trazem novamente para o centro do debate, os levantes antirracistas e os gritos de revolta, de uma sciedade que não tolera mais o racismo como lógica operacional do Estado.

As contradições do imperialismo norte-americano em declínio internacional. (Foto: Divulgação)

Blake é mais uma vítima negra do racismo institucionalizado nas policias americanas, assim como Breonna Taylor, George Floyd, Eric Garner e muitos outros, revelando que o povo negro por lá (assim como por aqui) também não consegue respirar e nem ter paz, há muito tempo. Vale destacar, que as grandes aliadas nesse caos tem sido as tecnologias (algo bastante simbólico para a terra do Tio San) pois elas possibilitam captar imagens como provas dos abusos policiais, utilizando as redes sociais como fontes de denúncia e fazendo viralizar, um verdadeiro ciclo sistêmico que devasta as famílias e comunidades negras.

Isso revela outro dado importante: a sociedade deixou de ser omissa e não aceita mais a podridão do sistema policial americano, que ainda segue tratando as pessoas negras como se não fossem humanas, pois a qualquer momento um registro de abuso policial pode ser feito e/ou de qualquer outro caso, que envolva algum episódio de racismo (fica a dica brasileiros antirracistas!)

Teremos de aguardar as eleições de 3 de novembro, para saber qual será a resposta da sociedade imperialista frente a todos esses escândalos envolvendo questões raciais nos EUA, pois como disse o democrata Joe Biden (rival do capitão Trump) “ esses tiros perfuram a alma da nossa nação”. Sendo menos poético que Biden, eu diria que os tiros estão perfurando “coincidentemente”, os corpos afro-americanos e que realmente a sensação de ver a nação norte-americana em chamas, é sensacional, pois enquanto não houver justiça, não haverá paz!

*Gustavo Rocha (Afroguga), ativista social antirracista e lgbti+, militante do MNU e do Coletivo Juntos RS, graduando em ciências sociais-UFSM, pré-candidato a vereador por Santa Maria pelo PSOL.

Compartilhe

Voltar ao topo