Inter abre as portas do Beira-Rio para a apresentação do quinto Relatório Anual da Discriminação Racial no Futebol

 

Da TV Inter

Em mais uma demonstração de seu engajamento social, o Clube do Povo do Rio Grande do Sul sediou, no Salão Nobre do Conselho Deliberativo, a apresentação do quinto Relatório Anual da Discriminação Racial no Futebol, realizada pelo Observatório da Discriminação Racial no Futebol. Aberto ao público, o evento, realizado na tarde deste sábado (14/09), não apenas revelou os números monitorados pelo grupo no ano de 2018, como também promoveu importante debate acerca dos caminhos a serem adotados por todos nós no combate a preconceitos diversos, seja no esporte ou no cotidiano de um modo geral.

Mediado pela diretora de inclusão social do Internacional, Najla Diniz, o evento esteve dividido em três momentos. Inicialmente, dirigentes de importantes instituições do esporte gaúcho formaram a mesa, dando as boas vindas aos presentes e reforçando seu comprometimento com a luta por uma sociedade cada vez mais igualitária. Representando o Inter estiveram o primeiro vice-presidente, João Patrício Herrmann, e o vice-presidente de relacionamento social, Norberto Jacques Guimarães. Luciano Hocsman, futuro presidente da Federação Gaúcha de Futebol, Renan Cardoso, procurador do TJD-RS, e Alexandre Bugin, vice-presidente do conselho deliberativo do Grêmio, também se manifestaram.

Os diretores do Clube do Povo, em entrevista concedida com exclusividade para o departamento de mídia do Internacional, celebraram a parceria entre Inter e Observatório, destacando, ainda, o evento deste sábado como consonante à história colorada. “Temos uma preocupação grande com quem vive o Internacional. O trabalho em conjunto ao Observatório é muito importante para que possamos continuar alinhados, de maneira não esporádica, mas sim perene, ao combate a todo tipo de intolerância, fazendo do nosso Clube um ambiente cada vez mais humano”, destacou João Patrício. “É muito importante receber este evento tendo em vista o nosso histórico popular e de combate a preconceitos. Ficamos muito honrados em sediar a apresentação de um trabalho da qualidade do conduzido pelo Observatório. Nós sabemos que o futebol tem um significado muito importante na nossa sociedade, indo além do jogo em si, e este evento comprova isto”, completou Norberto Guimarães.

Da esquerda para a direita: Alexandre Bugin, João Patrício Herrmann, Luciano Hocsman, Renan Cardoso e Norberto Guimarães.

Na sequência, Marcelo Carvalho, idealizador e atual diretor executivo do Observatório, assumiu o microfone e apresentou o Relatório, quinto da história do grupo. Reunindo dados referentes ao ano de 2018, o levantamento apresentou uma análise sistêmica de casos de discriminação no futebol de nosso país, e, também, relacionados a atletas brasileiros no exterior, reunindo números, frequência e consequências dos atos de preconceito dentro e fora dos estádios. Ao todo, foram 88 os casos de discriminação no mais popular esporte do Brasil monitorados pelo grupo em 2018, dos quais 44 correspodem a episódios de racismo, e a outra metade a ocorrências de LGBTfobia e machismo.

Em comum, todos os números apresentam um preocupante crescimento em relação a anos anteriores, fato que, na visão de Marcelo, se justifica tanto pela latente intolerância que permeia o futebol brasileiro, quanto por uma maior conscientização das vítimas, que têm se sentido mais dispostas a denunciar. Buscando reverter o cenário de agravamento nos episódios de discriminação, o diretor do Observatório também anunciou que, em breve, serão confeccionadas e distribuídas cartilhas para crianças e jovens de categorias de base, com vistas a orientar o futuro do nosso futebol sobre práticas que devem ser condenadas, e maneiras pelas quais possam ser, efetivamente, combatidas.

Marcelo Carvalho, idealizador e atual diretor do Observatório da Discriminação Racial no Futebol.

Por fim, após um breve intervalo, o público retornou ao Salão Nobre para o terceiro e mais participativo momento do evento. Carlos Guimarães, jornalista coordenador de esportes da Rádio Guaíba, Márcio Chagas da Silva, ex-árbitro e atual comentarista de arbitragem da RBS TV, que sofreu com episódio de racismo no Gauchão de 2014, Claudia Porcellis Aristimunha, vice-pró-reitora de extensão da UFRGS e diretora do Museu da Universidade, parceira do observatório desde 2017, além, é claro, do próprio Marcelo Carvalho, formaram mesa aberta a perguntas dos presentes, discutindo os melhores caminhos para uma sociedade que consiga superar os preconceitos que a estruturam. O diálogo, enriquecedor e emocionante, comprovou que agir é a melhor alternativa a ser tomada na busca por um esporte cada vez mais justo, a partir da adoção de práticas que tornem visíveis e públicos casos de intolerância, para que assim possam ser devidamente combatidos.

Da esquerda para a direita: Marcelo Carvalho, Cláudia Aristimunha, Carlos Guimarães e Márcio Chagas da Silva

Por volta das 18h, quando o evento foi encerrado, o público que veio ao Salão do Conselho Deliberativo esteve unânime em aplaudir a grandiosa ação promovida em conjunto pela vice-presidência de Relacionamento Social e diretoria de Inclusão Social do Clube do Povo com o Observatório da Discriminação Racial no Futebol e o Museu da UFRGS. Entre os presentes, destaque-se, esteve Florindo, o Gigante de Ébano, um dos maiores zagueiros da história colorada, membro do Rolinho, e que atuou no Inter ao longo de toda a década de 50.

Encerrado o evento, foi a vez de Najla Diniz, em entrevista para o Site do Inter, fazer um balanço da tarde vivenciada no Beira-Rio. “Ainda temos muito o que avançar, mas o evento de hoje é um marco importantíssimo para o Clube, ainda mais sendo o Inter uma instituição do povo, e que tem responsabilidades sociais. A presença de Florindo mostra como a história colorada esteve presente aqui hoje. Então, êxito completo, só sucesso, e que continuemos com o debate!” Decidido a devolver todo o carinho recebido pela população gaúcha, exercendo de maneira cada vez mais intensa suas funções sociais, o Clube do Povo segue comprometido, honrando sua história, em realizar cada vez mais ações como a desta tarde, assim caminhando na direção de um futebol – e uma sociedade – livre de preconceitos.

Florindo, o ‘Gigante de Ébano’

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