Justiça queniana anula resultado das eleições e ordena novo pleito

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Após divulgação da sentença, país tem os próximos 60 dias pra realizar um novo processo

636398754087607291Manifestantes em Nairóbi festejam a decisão da Suprema Corte queniana

Da Redação, OM

O Tribunal Supremo do Quênia anulou nesta sexta-feira (01/09) os resultados das eleições realizadas no último dia 8 de agosto e ordenou que um novo pleito ocorra nos nos próximos 60 dias, invalidando assim a vitória do atual presidente, Uhuru Kenyatta
O Supremo disse que a Comissão Eleitoral “cometeu irregularidades” durante as eleições que “afetaram as integridade do processo”, que resultou na vitória de Kenyatta com um 54% dos votos.

“A declaração de Uhuru Kenyatta como presidente eleito não foi válida”, diz a resolução do Supremo, adotada após um processo judicial derivado do recurso apresentado pela principal coalizão opositora, a Super Aliança Nacional (NASA).

Seu líder, Raila Odinga, defendia desde o dia das eleições que os servidores da Comissão Eleitoral sofreram um ataque cibernético que gerou uma vantagem constante a favor de Kenyatta.

O presidente da Suprema Corte, David Maraga, ordenou à Comissão que as novas eleições sejam realizadas “em estrito cumprimento da Constituição”.

Maraga especificou que a decisão foi tomada com o voto favorável de cinco dos sete juízes que a compõem.

O advogado que defendia a vitória de Kenyatta, Ahmednassir Abdullahi, lamentou na saída do tribunal que a decisão do Supremo era “política e não legal”.

“Raila [Odinga] é o presidente já, porque Uhuru [Kenyatta] nos enganou. Raila representa todos”, afirmaou à Agência Efe Jackeline.

Já Sarah explicou à Efe que acredita em “novas eleições”.

Apesar de todos comemorarem, o ambiente antes do veredicto era de pessimismo: “Não esperava este resultado, estava em casa irritada e esperando o pior, mas o conseguimos. Estou feliz, vamos votar de novo e vamos ganhar”, disse à Efe Jesitah.

Joseph pensa o mesmo: “Temos certeza de que agora vamos ganhar”.

O otimismo tomou conta do próprio Odinga, que utilizou a mesma retórica bíblica de durante a campanha eleitoral e disse na saída dos juizados que “a nossa viagem a Canaã é imparável”, depois do que exigiu que os autores deste crime “monstruoso” – a fraude nas eleições – sejam processados.

Em outra das principais áreas opositoras, como a cidade ocidental de Kisumu e Mombaça, no litoral, os seguidores do opositor comemoravam em frente às câmeras de televisão cantando “Uhuru deve ir embora”.

Enquanto isso, em regiões como Nyeri, de apoio maioritário ao partido de Kenyatta, o Jubileu, os seus seguidores apareciam resignados mas dispostos a votar novamente em seu líder nas próximas eleições, que deverão acontecer nos próximos 60 dias.

*Com informações da EFE

Daniel Ribeiro

22 anos, estudante de administração gestão pública.

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