Luis Vagner, o ‘Guitarreiro’, é atração aguardada no Dado Bier em janeiro

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Nome referencial na cena do samba-rock e do reggae, precursor da Jovem Guarda, autor de grandes sucessos comemora os 30 anos do lançamento do seu antológico álbum, ‘O Som da Negadinha’ 

Em meio a muitas influências musicais, o cantor e compositor se define guitarreiro. (Foto: Edu Defferrari)

Nome referencial na música popular brasileira, Luis Vagner, o ‘Guitarreiro’, realiza show comemorativo aos 30 anos do lançamento do cultuado álbum, O Som da Negadinha, no Dado Bier, no Bourbon Country, em Porto Alegre, no próximo dia 17 de janeiro, quarta-feira, às 21h30min. O cantor, compositor, produtor musical e guitarrista estará acompanhado da banda Amigos Leais, formada por Gustavo Nunes (guitarra base), Rick Carvalho (baixo), Marco Farias (teclado),Ras Vicente (teclado) e Catatau (bateria). 

Ao longo de sua carreira, Luiz Vagner lançou 12 discos recheados de sucessos que ainda são cantados em festas, trilhas de novelas e nas rádios do Brasil (sua composição, “Como?”, lançada por Paulo Diniz e regravada por  Bebeto, Zélia Duncan, Franco, Netinho, entre outros, vendeu 5 milhões de cópias). Nos anos 60, ele foi um dos militantes gaúchos da Jovem Guarda. Saiu do Partenon com seu grupo, Os Brasas, para tentar a sorte no centro do País.

No início dos anos 70, Luis Vagner foi um dos papas do samba rock, que voltou com toda a força no verão de 2002, ano que marca o lançamento de seus dois últimos álbuns: Swingante e Brasil Afrosulrealista (Paradoxx). Em Swingante, ele fazia o rescaldo de sua carreira e recuperava canções basilares como “Segura a Nega”, “Só que Deram Zero pro Bedeu” e “Guitarreiro”, algumas destas em parceria com Bedeu, outro nome antológico do samba porto-alegrense. Em Brasil Afrosulrealista, Luis Vagner mapeava sua produção recente, mantendo o suingue que é sua marca particular.

Sua pródiga trajetória também inclui passagem pelo reggae. Em O Som da Negadinha, lançado em 1986, mas “estourado” no ano seguinte em todo o País, o que se evidenciava era a vibe regueira. O disco trazia sucessos como “Olhos vermelhos”, com Helio Matheus; “Mamãe África”, com Bedeu; “Calipso colapso” e “Homem Rasta”. Este LP, ao lado de Conscientização (Copacabana, 1988), é o que melhor radiografa o envolvimento do músico gaúcho com a herança de Bob Marley e Peter Tosh.

A carreira 

Nascido em 20 de abril de 1948, filho de mãe índia (Sulema Lopes), o futuro instrumentista e compositor de Bagé (RS) testemunhou, com apenas quatro anos de idade, a separação dos pais. Seu envolvimento com a música obedece à linhagem familiar. Neto de flautista (Romário Lopes) e filho do telegrafista e maestro da orquestra Copacabana Serenaders, Vicente Lopes, o Sarará, Luis Vagner assimilou em sua infância notas de jazz orquestral e de sambas, choros e gêneros locais. Com essa retaguarda, aventura-se aos nove anos de idade pela bateria de Limão, instrumentista da orquestra de seu pai.

Logo cedo, Luís Vagner teve contato com a música. Seu primeiro violão foi presente do avô e desde então procurou seu próprio caminho, após receber influências de todo o tipo de música. O que, no entanto, foi marcante para sua escalada musical foi a descoberta do rock, ao ver o filme “No balanço das horas”, um dos marcos do estilo no Brasil. É quando começa a compor algumas músicas. 

Em 1963, se muda com a família para Porto Alegre e participa da banda de rock The Jetsons. Em 1966, surgem Os Brasas, formado por Luis Vagner, Anyres Rodriges, Eddy e Franco Scornavacca (que veio a se tornar empresário da dupla Zezé di Camargo & Luciano e dos filhos Kikão, Leandro e Bruno, do KLB), Os Brasas representaram, ao lado do The Cleans, o estopim dos “conjuntos modernos” em Porto Alegre. Em 1966, amparado pelo sucesso no Rio Grande do Sul, o grupo migra para São Paulo, onde em 1967 grava seu primeiro compacto com Lutamos para viver” e Vivo a sofrer.

Nesse mesmo ano, Luis Vagner tem sua primeira canção, “Magoei seu coração”, gravada pelo cantor Demétrius. Na capital paulista, o quarteto integra a Banda Jovem do Maestro Peruzzi, que acompanhava Eduardo Araújo em apresentações televisivas.   

Em 1968, Os Brasas lançam em seu único LP, homônimo, pela Musicolor. No repertório, composições de Luis Vagner com Tom Gomes (“Não vá me deixar”, “Sou triste por te amar”, “Benzinho não aperte”, “Meu eterno amor” e “Um dia falaremos de amor”, com Renato de Oliveira), além de algumas versões e “Beije-me agora”, de Fernando Adour e Márcio Greyck. 

Em 1969, com a dissolução do grupo, Luis Vagner começou a edificar sua carreira solo, lançando um compacto com as autorais “Viagem para o Sul” e “Moro no fim da rua” (com Tom Gomes), esta gravada também por Wilson Simonal e Trio Esperança (homônimo, Odeon, 1971). Em 1974, no ano em que gravou seu primeiro LP-solo, o samba-roqueiro Simples (Chantecler), Paulo Diniz gravou sua composição “Como?” (Paulo Diniz, Odeon, 1974). 

Em 1975, Luis Vagner lançou Coisas e louzas, novamente pela Chantecler, e segue fornecendo novos elementos sonoros com um disco intitulado Guitarreiro (Copacabana, 1976), inteiramente autoral, que trafegou em ritmos variados, do samba e guarânia à chula, pincelados pelo reggae e pelo rock. Destacam-se a faixa-título (referência ao seu apelido, “Gaúcho Guitarreiro”), “Lá no Partenon” e “Queres o que ô?”. Em 1978, sua canção “Guria” foi incluída na novela Dancin’ Days, da TV Globo. Em 1979, em Fusão das raças (Philips, 1979), que ainda traria “Rockeira”, “Neguinha boa (A boa e o trouxa)”, “Medicado por Deus”, “Fazer molho é na cozinha”, “O amor é lindo”, e uma curiosa “Garota de Ipanema” (Tom Jobim e Vinicius de Moraes), a única música que não leva sua assinatura. 

Em 1982 defendeu, no festival MPB Shell, “Crioulo glorificado” (“Ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô / Esse crioulo tá”), composição de Jorge Ben, que no ano anterior havia homenageado o músico que integrava a Banda do Zé Pretinho com a canção “Luis Vagner Guitarreiro”, registrada em Bem vinda amizade (Som Livre). “Crioulo glorificado” ganharia gravação de Luis Vagner em Pelo amor do povo novo (Copacabana, 1982), LP que contou com a participação do Grupo Amigos Leais.

Em 1985 a sua veia reggae circularia pelo Festival dos Festivais, quando defendeu “Não negai”, faixa de abertura de seu disco lançado em 1986.  Em 1986, surge seu primeiro disco ao vivo, O Som da Negadinha (Copacabana), com regravações de seus sucessos. Verticalmente reggae (“Olhos vermelhos”, com Helio Matheus; “Mamãe África”, com Bedeu; “Calipso colapso” e “Homem Rasta”), este LP, ao lado de Conscientização (Copacabana, 1988), é o que melhor radiografa o envolvimento do centroavante gaúcho com a herança de Bob Marley e Peter Tosh.

Na sequência, viria Conscientização (Copacabana, 1988), o ápice da fase Rastafari, novamente sob a retaguarda da Banda Amigos Leais (Toninho Cruz na bateria, Toninho Cresppo na guitarra, Lula Barreto no baixo, Paulinho Ramos na percussão, Gerson Suryá no teclado, Nana e Nene nos vocais).   

Decepcionado com a realidade do mercado fonográfico, em 1989 o ex-produtor de discos setentistas embarca em para a França logo após a morte do amigo pessoal e um dos pilares do samba-rock, Branca Di Neve. Além de participar de festivais (como os franceses “Jazz à Vienne”, Méridien Montparnasse e Festival de Vaux Sur Seine, e o africano Festival d’Abidjan), Luis Vagner reforça sua paixão pelo futebol (atuou aos 42 anos em um time na 3ª Divisão do Campeonato Francês) e ainda gravou um disco (Cilada, Phoenix, 1990). 

Em 1990 retorna ao Brasil para alguns shows onde se apresenta no Aeroanta, em São Paulo. Neste show, a lendária banda The Wailers, de Bob Marley, foi oHomem Rasta Brasileiro, quando Luis Vagner soube, chamou os Wailers para o palco numa das maiores canjas do reggae já ocorrida no Brasil.  Em 1994 retorna e pela DAAZ Musica lança o disco Vai dizer que não me viu, neste álbum várias tendências reunidas, blues, reggae, samba-rock e soul. Em 2001, lança, pela Paradoxx Music, dois discos simultaneamente.

Amparado pela redescoberta do samba-rock no eixo Rio-São Paulo, Swingante focaliza no toque da guitarra o principal guia para tentar apresentar as interseções negras de Little Richard e Chuck Berry com o conterrâneo Lupicínio Rodrigues e com Luiz Gonzaga. Projeto pessoal em que estava debruçado há anos, o CD de ares reggaeBrasil afro sulrealista nasceu com a intenção de mostrar a veia negra do Sul do Brasil. – Tem resgate, tem o agora e tem o futuro, compreensão e aceitação da maravilhosa confluência oculta da nova mestiçagem, naquela parte que fortifica a consciência de um ser negro, filosofa Luis Vagner. 

Com mais de 250 composições gravadas, o Gaúcho Guitarreiro já foi gravado por nomes da nova geração de músicos brasileiros. Entre seus   sucessos, estão “Camisa 10” (Luis Américo), “Espelho mágico” (Sílvio Brito), “Silvia, vinte horas, domingo” (com Tom Gomes, por Ronnie Von), “Vou pular neste carnaval” (Eliana Pittman), “Se quiser chorar por mim” (Wando) e “Segura a nêga” (Bebeto). 

Curiosidades 

Luis Vagner sempre foi um apaixonado por futebol. Jogou, na Juventude, na categoria infanto-juvenil do Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense e, em 1989, após a morte do amigo Branca di Neve, embarcou para a França, onde jogou, aos 42 anos, por um clube da Terceira Divisão daquele país, o Vaux Sur Senne. Após essa experiência internacional, retornou ao Brasil e retomou sua produção musical. 

Discografia:

01.Brasil Afro Sulrealista – Paradoxx Music, 2001

02. Swingante – Paradoxx Music, 2001

03. Vai dizer que não me viu – DAAZ Music, 1994

04. Cilada – Phoenix, 1990

05. Conscientização – Copacabana, 1988

06. Alma Negra – Copacabana, 1988

07. O Som da Negadinha – Copacabana, 1986

08. Pelo amor do povo novo – Copacabana, 1982

09. Fusão das raças – Philips, 1979

10. Guitarreiro – Copacabana, 1976

11. Coisas e louzas – Chantecler, 1975

12. Simples – Chantecler, 1974

Links de vídeos:

http://www.youtube.com/watch?v=yegksiTFYiU

http://www.youtube.com/watch?v=VtxPuQ9jfLg

http://www.youtube.com/watch?v=58OA9qOI5nU

http://www.youtube.com/watch?v=s3Vyz23lTPI

http://www.youtube.com/watch?v=zTVNoUQGrec

http://www.youtube.com/watch?v=yYHjE7NaDp0&feature=PlayList&p=28FECC1C1EB38C74&index=82

http://www.youtube.com/watch?v=LOX5vBRlJJ8

http://www.youtube.com/watch?v=bkdDEFWiQ7A

http://www.youtube.com/watch?v=RtPUtppdu2I

http://www.youtube.com/watch?v=CRy4RoGNgmo&feature=related

http://www.youtube.com/watch?v=SbtELHw-f4o

http://www.youtube.com/watch?v=l2X973txBW0

Serviço:

O quê: Show comemorativo aos 30 anos do lançamento do álbum “O Som da Negadinha”

Quem: Luis Vagner, o ‘Guitareiro’ e banda Amigos Leais

Onde: Dado Bier Microcervejaria (Avenida Tulio de Rose, 80), Porto Alegre-RS

Quando: 17 de janeiro de 2018, quarta-feira, às 21h30min

Quanto: R$ 30,00 (1º lote) e R$ 40,00 (2º lote) em https:/www.sympala.com.br/show-luis-vagner–amigos-leais_229437.

Reservas: podem ser feitas pelo fone 51.3378.3000.

Recomendação etária: 16 anos

Informações: (51) 51 98230.8524

Realização: Carrasco Produções

Apoio Cultural: TV E | FM Cultura | Dado Bier | Graviola

Promoção/Assessoria de Imprensa: Silvia Abreu Consultoria Integrada de Marketing

Realização: Carrasco Produções

Daniel Ribeiro

22 anos, estudante de administração gestão pública.

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