Marcelo Amaro lança terceiro álbum musical com temática afro-gaúcha

O nome do álbum surgiu da leitura do livro A Invisibilidade do Negro no Sul do Brasil – Invisibilidade e territorialidade, organizado pela antropóloga Ilka Boaventura, em 1996. Anos depois Marcelo Amaro compõe a música Afro-gaúcho, em parceria com Mamau de Castro e Dona Conceição.

O projeto carrega no seu conceito musical diálogos de sotaques sonoros do Brasil, tendo a instrumentação do samba urbano carioca como base, entrelaçados aos tambores da Congada do Maçambique, do grande tambor de Sopapo e dos tambores do Mundo.

 

Os arranjos musicais foram escritos por Daniel Delavusca, que com muita sensibilidade musical descreveu boa parte da vivência musical de Amaro, utilizando além de muita percussão, os instrumentos étnicos, somados ao piano, a sanfona e a instrumentos musicais dos naipes de metais e cordas.

Afro-gaúcho instiga a uma viagem musical do contexto afro-sulista ao continente africano, em dez faixas inéditas.  O repertório é composto por sambas que exaltam a negritude como Meu Canto Banto, do exímio e experiente compositor afro-sulista Eugênio Alencar, popularmente chamado de Paraquedas, e de sambas que enaltecem os orixás através do amor, como na faixa Cor Laranja em parceria com Silvinho Blue.

O disco tem participação especialíssima do pianista João Donato, tocando e cantando, em Descendo Santa Teresa, um swing em parceria com Wanderson Lemos e Rodrigo Rodrigues, e o jongo Sankofa, em parceria com Mamau de Castro e Daniel Delavusca, canção inspirada no documentário Sankofa – A África Que Te Habita.

Em Afro-gaúcho, Amaro declara ao mundo seu amor e gratidão imensa ao gênero musical do samba, através de homenagens às suas raízes, memórias afetivas, aos quilombos de todo Brasil, ao Rio de Janeiro, sua segunda cidade, ao quilombo do Morro Alto e à cidade de Pelotas RS (Satolep). Amaro dedica este álbum especialmente ao seu irmão caçula Daniel Amaro e a todos os homens e mulheres de sua linhagem ancestral e afirma: “trago tudo o que lá na CEFER 2 aprendi, tudo que sigo aprendendo nesses 28 anos de música e tudo que irei viver sem aprender”.

É dentro do conceito cultural, de resgate, visibilidade, territorialidade, valorização e equidade que Afro-gaúcho descortina, através da música, um recorte da importância da diáspora africana que aportou de norte a sul do Brasil, demonstrando gratidão ao universo e aos orixás.

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