Marcha das Mulheres Negras de Curitiba é realizada em bairro da periferia

By / 1 semana ago / Política / No Comments

Mulheres realizam Marcha descentralizada em bairro da periferia de Curitiba e mobilizam a comunidade com sucesso. (Foto: Juliana Cordeiro/Banco de Imagens NaçãoZ)

Por Juliana Cordeiro, de Curitiba

A faixa “Direitos Importam! Pretas no Poder!” foi carregada por mulheres negras e centenas de pessoas às acompanharam na marcha realizada na comunidade do Parolin, em Curitiba, no domingo (29/07). Durante a passeata os (as) moradores (as) eram convidados (as) a se juntarem a Marcha das Mulheres Negras em luta pela violência contra mulher, o genocídio da juventude negra, contra o racismo e pelo bem viver da mulher negra.

Organizada pelas militantes das organizações sociais: Rede de Mulheres Negras do Paraná, Instituto Afro brasileiro Paranaense e Usinas de Ideias, o evento ocorreu pela primeira vez em um bairro da periferia de Curitiba. A proposta de descentralizar a marcha surgiu em meio a organização do calendário do Julho das Pretas, que propôs a realização de diversas ações para evidenciar as bandeiras do feminismo negro, dentre elas a Marcha das Mulheres Negras. De acordo com Andrea de Lima, moradora há 35 anos do Parolin e coordenadora da ong Usinas de Ideias, já é possível sentir o impacto da caminhada em algumas mulheres da comunidade.

De acordo com organização do evento, cerca de 400 pessoas participaram da passeata. (Foto: Juliana Cordeiro/Banco de Imagens NaçãoZ)

“A sociedade estigmatiza as mulheres negras, que moram majoritariamente nas favelas, como alguém que só serve para ser empregada. E isso faz com que não se vejam como lideranças. Eu sou negra, sou pobre, como vou liderar? Como vou chegar em algum lugar para liderar? Com a realização da marcha mulheres da comunidade que estiveram pela primeira em um ato como este e não sabiam que poderiam participar, já afirmam ter pretensão de estarem nas próximas passeatas”, afirma Andrea.

No ato final da marcha, realizado em uma praça do bairro, foi feito homenagens para sete mulheres negras da comunidade. Elas trazem uma trajetória de luta na criação de filhos adotivos e cuidado com jovens da classe média, que frequentemente passam mal pelo uso abusivo de drogas e ficam jogados em ruas do Parolin. “Quando vim morar aqui aos sete anos de idade essas mulheres foram meus exemplos. Tinham muito filhos e netos  e ainda adotavam outras crianças. Temos mulheres negras que sempre estão na mídia, então por que não homenagear mulheres que além de ser mãe dos seus filhos  foram mães de outros. Mulheres que apoiaram minha família”, relata Andrea.

 O bloco Curitibano Afro Pretinhosidade esteve presente em todo percurso da marcha. (Foto: Juliana Cordeiro/Banco de Imagens NaçãoZ)

Mulheres em Luta

A cantora Michele Mara, uma das responsáveis pela Marcha do Orgulho Crespo, esteve presente no evento. Além de cantar músicas que exaltam a beleza negra, Michele destacou a importância do empoderamento feminino para superar as diferenças econômicas e sociais entre homens e mulheres, enfatizando o fato de mulheres negras terem salários mais baixos do que homens e mulheres brancas.

Palavras de Ordem pediram libertação de Lula, e lembraram a morte da vereadora Marielle Franco. (Foto: Juliana Cordeiro/Banco de Imagens NaçãoZ)

O grupo de rap Minas Conscientes, composto por ex-moradoras do Parolin, ressaltou mensagens de luta a discriminação de mulheres no rap. As artistas trouxeram para o evento um repertório musical que fala da cotidiano da periferia e às adversidades que mulheres enfrentam.

Desafios da Comunidade 

O descaso do Estado com a população que vive no Parolin não é pequeno. Falta saneamento básico de qualidade, cultura, arte, esporte e lazer de qualidade. O local é conhecido por ter 80% das famílias da comunidade com renda oriunda da coleta de material reciclável. Elas convivem com a discriminação e preconceito pela comunidade sempre ser retratada pela ótica da violência e tráfico de drogas, algo que afeta a juventude local principalmente. Segundo Andrea de Lima é necessário levar até a comunidade ações que colaborem para o desenvolvimento do local e formação de lideranças. “Eu dentro da comunidade não busco poder, busco igualdade e equidade”.

Daniel Ribeiro

22 anos, estudante de administração gestão pública.

Leave a comment

Your email address will not be published. Required fields are marked. *