Medalhista da maratona olímpica usa pódio para protestar contra situação de sua etnia na Etiópia

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Etiópia

Medalhista ainda não decidiu se voltará ou não à Etiópia

‘Se eu voltar parao meu país, posso ser morto’, diz o etíope Feyisa Lilesa da etnia oromo; ‘levarei esse protesto da minha gente onde quer que eu vá’

“Se eu voltar para o meu país, posso ser morto”. A frase foi dita pelo etíope Feyisa Lilesa ao explicar o gesto feito por ele, que cruzou os braços sobre a cabeça, ao atravessar a linha de chegada da maratona olímpica em segundo lugar neste domingo (21/08).

Lilesa, que recebeu medalha de prata, é da etnia oromo que, como conta, está sendo fortemente reprimida em seu país: “foi um sinal de apoio aos manifestantes que foram mortos pelo governo do meu país. Eles fazem o mesmo sinal lá. Tenho parentes e amigos na prisão. O governo está matando o meu povo, o povo oromo. Talvez me matem quando eu voltar. Se não, eles vão me colocar na prisão”, disse Lilesa, ao repetir o gesto diante de jornalistas durante entrevista coletiva concedida à imprensa.

Gesto despertou curiosidade de jornalistas e presentes no evento

Gesto despertou curiosidade de jornalistas e presentes no evento

A etnia amhara, minoritária na Etiópia, governa o país desde sua descolonização e mantém, desde os anos 1970, uma guerra de baixa intensidade contra os oromo que, por sua vez, se organiza em diferentes frentes de luta armada.

Há aproximadamente 2,5 milhões de refugiados oromo na Somália e Eritrea.

Com relação à sua situação e segurança ao chegar na Etiópia, Lilesa ressaltou que ainda não decidiu se voltará ou não ao país.

A posição dele, no entanto, pode ser alvo de penalização por parte do COI (Comitê Olímpico Internacional), que não permite manifestações políticas durante os jogos.

Sobre isso, ele respondeu que “há muitos problemas no meu país, onde tudo é muito perigoso, e eu seguirei protestando pelos presos oromo porque essa é minha terra”.

Fonte: Opera Mundi

Daniel Ribeiro

22 anos, estudante de administração gestão pública.

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