Memória: para recordar de dona Sebastiana

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Por Rodrigo Lopes, do Pioneiro

Ela foi uma figura bastante conhecida entre os moradores do bairro Marechal Floriano e arredores entre as décadas de 1970 e 1990. Sacerdotisa da umbanda, tinha a casa diariamente frequentada por todos aqueles que costumavam buscar um conselho, uma palavra de conforto, uma orientação espiritual, a cura para as mazelas do corpo e da alma.

Passados 25 anos de seu falecimento, Sebastiana Felícima da Silva, ou melhor, dona Sebastiana, tem seu legado revisto graças às lembranças da família e das milhares de pessoas que passaram pelas mãos da “senhora benzedeira que morava perto do campo do Caxias”.

Dona Sebastiana, ou Mãe Bastiana, como também era conhecida, nasceu no município de Praia Grande, Santa Catarina, em 1920. Por volta de 1927, migrou para Caxias na companhia dos pais, Demétrio e Julia, e dos irmãos Luiz e Valdemar – a outra irmã, Lourdes, nasceu aqui. Conforme informações disponibilizadas pela neta Jaqueline Silva, a família instalou-se primeiramente no bairro Primeiro de Maio (Burgo), onde, ainda na adolescência, a jovem começou a manifestar os dons mediúnicos que a acompanhariam por toda a vida.

Ela foi uma figura bastante conhecida entre os moradores do bairro Marechal Floriano e arredores nas décadas de 1970 e 1990. Sacerdotisa da Umbanda, tinha a casa diariamente frequentada por todos aqueles que costumavam buscar um conselho, uma palavra de conforto, uma orientação espiritual, a cura para as mazelas do corpo e da alma. Passados 25 anos de seu falecimento, Sebastiana Felícima da Silva, ou melhor, dona Sebastiana, tem seu legado revisto graças às lembranças da família e das milhares de pessoas que passaram pelas mãos da ¿senhora benzedeira que morava perto do campo do Caxias¿. Na foto, dona Sebastiana e o marido.Dona Sebastiana e o marido Gasparino Caetano da SilvaFoto: Acervo de família / divulgação

O casamento

Após o casamento com Gasparino Caetano da Silva, em outubro de 1940, dona Sebastiana mudou-se para o bairro Marechal Floriano. Foi lá que, na década de 1970, ela fundou o Terreiro de Umbanda Sete Flechas, ao lado do genro e braço direito Amantino Jardim (in memoriam). Durante mais de 30 anos, o espaço localizado na Rua Augusto Piccoli, 1.110, concentrou longas filas, recebendo também pessoas de outras cidades, de múltiplas crenças e credos, urgentes dos mais variados pedidos. Os atendimentos, segundo informações da família, chegavam a 50 por dia.

— Todos que ali procuravam uma palavra de conforto, um axé ou até mesmo um prato de comida jamais saíram desassistidos — recorda Jaqueline.

A neta também costumava acompanhar a avó em casas e estabelecimentos de empresários locais, que solicitavam a bênção de dona Sebastiana em suas propriedades, quase sempre durante a noite, sem o conhecimento público.

— Talvez por se sentirem constrangidos em revelarem-se umbandistas, religião que ainda hoje é cercada de tabus — avalia Jaqueline, completando que, atualmente, inúmeras casas de religião de matriz africana existentes em Caxias têm como chefes pessoas iniciadas na casa da avó.

Ela foi uma figura bastante conhecida entre os moradores do bairro Marechal Floriano e arredores nas décadas de 1970 e 1990. Sacerdotisa da Umbanda, tinha a casa diariamente frequentada por todos aqueles que costumavam buscar um conselho, uma palavra de conforto, uma orientação espiritual, a cura para as mazelas do corpo e da alma. Passados 25 anos de seu falecimento, Sebastiana Felícima da Silva, ou melhor, dona Sebastiana, tem seu legado revisto graças às lembranças da família e das milhares de pessoas que passaram pelas mãos da ¿senhora benzedeira que morava perto do campo do Caxias¿.Dona Sebastiana na casa do bairro Marechal Floriano, onde atendia cerca de 50 pessoas por dia (Foto: Acervo de família / divulgação)

 

Bênção nos jogadores e uniformes 

A neta Jaqueline Silva relembra também que, não raro, deparava com jogadores do time do Caxias na casa da avó. Eles eram levados até ela pelo roupeiro do clube e neto Carlos Alberto, o Boca, para ganhar um axé na véspera de jogos importantes.

— Uniformes do clube também eram levados para ela benzer — recorda.

Ela foi uma figura bastante conhecida entre os moradores do bairro Marechal Floriano e arredores nas décadas de 1970 e 1990. Sacerdotisa da Umbanda, tinha a casa diariamente frequentada por todos aqueles que costumavam buscar um conselho, uma palavra de conforto, uma orientação espiritual, a cura para as mazelas do corpo e da alma. Passados 25 anos de seu falecimento, Sebastiana Felícima da Silva, ou melhor, dona Sebastiana, tem seu legado revisto graças às lembranças da família e das milhares de pessoas que passaram pelas mãos da ¿senhora benzedeira que morava perto do campo do Caxias¿.A jovem Sebastiana, em meados dos anos 1950 (Foto: Acervo de família / divulgação)

 

Ela foi uma figura bastante conhecida entre os moradores do bairro Marechal Floriano e arredores nas décadas de 1970 e 1990. Sacerdotisa da Umbanda, tinha a casa diariamente frequentada por todos aqueles que costumavam buscar um conselho, uma palavra de conforto, uma orientação espiritual, a cura para as mazelas do corpo e da alma. Passados 25 anos de seu falecimento, Sebastiana Felícima da Silva, ou melhor, dona Sebastiana, tem seu legado revisto graças às lembranças da família e das milhares de pessoas que passaram pelas mãos da ¿senhora benzedeira que morava perto do campo do Caxias¿.Dona Sebastiana em meados dos anos 1970. (Foto: Acervo de família / divulgação)

Morte em 1993

Dona Sebastiana desencarnou em 23 de junho de 1993, aos 73 anos.

— Lembro do mar de gente vestida de branco que se formou no enterro. Houve bloqueio da rua em frente ao cemitério e homenagem no jornal — finaliza a neta.

Dona Sebastiana deixou 10 filhos, 25 netos e 37 bisnetos.

Daniel Ribeiro

22 anos, estudante de administração gestão pública.

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