Moda para ELAS sem violência

Projeto de moda colabora na formação profissional de mulheres em estado de vulnerabilidade social e na recuperação de sua autoestima  

A moda sustentável do Projeto Obirin. (Foto: Facebook/Divulgação)

Da Redação

No próximo dia 10 de fevereiro, às 18h, na Antiga Reitoria da Universidade Federal de Santa Maria – UFSM, acontece o lançamento do Projeto Obirin “Feminina Moda Negra” que irá atender 50 mulheres oriundas de comunidades periféricas do município de Santa Maria RS. O Projeto que tem a Associação Ara Dudu como responsável, foi um dos 20 selecionados no Edital ELAS na Moda sem violência do Fundo Elas de Investimento Social em Parceria com Instituto CeA. 

Em Santa Maria o projeto trabalha como uma forma de iniciativa na luta pelo fim das diversas formas de violência contra as mulheres dentro da cadeia da moda e que contribuam para uma moda justa, inclusiva e sustentável.  As atividades previstas são Capacitações de Corte, Costura e Modelagem para as beneficiadas, além de promover atendimento jurídico, psicológico e auxiliar para inserção no mercado da moda e do trabalho. Ao final do Projeto um grande desfile está previsto para acontecer na cidade com a mostra das produções realizadas.

Entre as inscritas foi dada a prioridade para mulheres de baixa renda, mulheres negras e mulheres transexuais, uma vez que no campo da moda essas são as diretamente afetadas pela exclusão e preconceitos que também atingem o campo da moda.

Formação transformadora

De acordo com Isadora Bispo uma das Coordenadoras do Projeto, “ este projeto atua diretamente para o empoderamento político, social e econômico destas mulheres , pois acreditamos que a   partir do momento em que juntas se percebem e debatem sua participação enquanto cidadãs na sociedade brasileira, questionam o porquê de ainda estarem desenvolvendo trabalhos precarizados, recebendo menos que os homens, sendo vítimas do desemprego e de uma desigualdade estrutural que se expressa, inclusive, em todas as formas de violência contra ela”, finalizou.

A linha traçada pelo projeto para inspiração da moda, pauta na Cosmovisão Africana, que traz para este grupo de mulheres o entendimento da influência da cultura afro-brasileira. Consequentemente, as ações dialogam diretamente com demandas e necessidades no tocante ao combate ao racismo e a intolerâncias. Nesse sentido foi desenvolvida toda uma linha de produtos de vestuário e acessórios inspirados na cosmovisão africana.

De acordo com Coordenadora de Produção Carmem Lucia (Baiana), “no processo de produção são confeccionadas as estampas, criados  os designs, feitas as costuras, e por fim a comercialização. Essa é uma forma de vestir que eleva a autoestima, resgatando as nossas histórias ancestrais e consequentemente faz com que possamos nos enxergar como sujeitos dentro do mundo da moda. Com isto, que mudamos a cara da periferia em que moramos e transformamos realidades nos fortalecendo com apropriação na geração de trabalho e renda, que as tornam mais fortes para superar a violência e denunciar as diferentes formas de opressão”, salienta.

As atividades do Projeto acontecem semanalmente  na comunidade do Beco da Tela, no Centro Cultural Axé Silvia Leme e na Antiga Reitoria da UFSM, no Centro de Santa Maria. A Pró-Reitoria de Extensão da UFSM e o Ilê Axé Omin Orun atuam como parceiros na realização do projeto.

Mais informações pelo email : coletivoaradudu@gmail.com

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