Moro usa termo denegrir em audiência e Lula chama sua atenção

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Por Renato Rovai, da Revista Fórum

Lula deu mais um depoimento ao juiz Sérgio Moro na tarde de hoje em Curitiba. Assisti, como se costuma dizer em jornalistês, na diagonal. Ou seja, vi trechos.

Não me pareceu de novo um juiz ouvindo um acusado, mas dois adversários num embate. O que é algo absurdo do ponto de vista jurídico. Mas, infelizmente, é algo que tem se consolidado.

Quem tem ido aos tribunais nos últimos tempos tem notado uma Morização da magistratura. A forma como juízes têm tratado advogados, testemunhas e réus é algo incompatível com o estado democrático e com o ambiente do amplo direito de defesa.

Mas vamos ter que viver ainda tempo de trevas, mas vai passar, como já disse Chico Buarque em outro momento da história.

Na olhada diagonal que dei no depoimento me chamou atenção um trecho em que Lula dá um puxão de orelhas em Sérgio Moro por conta do uso da palavra racista denegrir.

Moro diz que aquilo não faz parte do processo e foge do assunto como se ele fosse um absurdo. E deixa evidente qual é o seu ponto de observação do mundo.

Se fosse respeitoso com a luta por democracia neste país e reconhecesse minimamente os descalabros racistas daqui, o mínimo que deveria ter feito era reconhecer o erro e pedir desculpas. Até porque é chato cometer este tipo de erro, mas não é incomum.

Vivemos numa sociedade racista, machista, capitalista e cheia de istas e por vezes reproduzimos preconceitos.

No que diz respeito a palavras que fazem referências ao negro, talvez apenas duas sejam positivas: grana preta e cocada preta. De resto, tudo é ruim.  Tudo em tese seria referência a escuridão, mas só que não…

A decisão do juiz Sergio Moro de dar de ombros para o chamamento de Lula, que o avisou que o movimento negro condena o uso desta palavra, comprova que ele não está nem aí nem para a justiça como espaço de reparação histórica.

Moro é o Moro. O juiz acima da lei e das injustiças. O juiz que sequer por dizer algo tão simples: desculpas, eu errei…

Assista ao vídeo:

Daniel Ribeiro

22 anos, estudante de administração gestão pública.

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