Movimento Black Money oferece máquina POS sem custo para afroempreendedores

A empreendedora Nina da Silva juntou-se a Alan Soares para, juntos, fundarem o Movimento Black Money, em 2017. Ela é do setor de tecnologia e ele, do financeiro. (Foto: Divulgação)

Por Isabela Butcher, do MT

Mais de 63% da população desempregada é negra ou parda. Não à toa, o empreendedorismo é uma solução para esse grupo excluído do mercado de trabalho e, segundo o Sebrae, a maioria dos empreendedores brasileiros é composta por negros e negras. Outro dado importante é que, dentro do universo de empreendedores negros – que representa pouco mais de 50% da população do Brasil –, apenas 30% conseguem empregar uma segunda pessoa. Pensando em mudar a lógica do “empreendimento de sobrevivência”, Nina da Silva e seu sócio Alan Soares criaram o Movimento Black Money, um hub de inovação para inserção e autonomia da comunidade afrodescendente na era digital. O MBM conta com três verticais: o braço educacional com o Afreektech; o StartBlackUp, que promove o encontro desses afroempreendedores; e o D’BlackBank, com serviços financeiros.

Serviços financeiros

Dentro da vertical de serviços financeiros, da Silva explica que, no momento, começam a rodar um piloto de marketplace com 30 empreendimentos. Outro ponto é a oferta de uma máquina de POS, a Pretinha, lançada em outubro do ano passado. “As maquininhas são subsidiadas. Por isso, nos seis primeiros meses não são cobradas taxas de mensalidade nem custo de aquisição. A ideia é que a gente tenha esses primeiros empreendedores com a fidelização”, explicou. A maquininha está presente em seis cidades do País – Belo Horizonte/MG, Rio de Janeiro/RJ, Porto Alegre/RS, São Paulo/SP, Caieiras/SP e Florianópolis/SC – e pode expandir para outras cidades do Brasil. Da Silva conta que eles não podem abrir o nome do parceiro adquirente.

(Foto: Divulgação)

As taxas cobradas sobre as vendas são personalizadas e variam de acordo com o tipo de empreendimento. As pessoas mandam informações sobre os seus negócios, e o material é estudado a partir do ramo de atividade, o faturamento mensal, a estrutura do negócio. “A partir desses dados, a gente encaminha uma proposta de taxas mais baixas do que as que o estabelecimento já possui. Eles nos enviam o quanto eles pagam e a máquina que têm. E na maioria das vezes batemos as taxas e levamos nossa estrutura de acompanhamento, de suporte personalizado, de engajamento em uma rede, de eventos e conteúdos educacionais”, explicou da Silva. A ideia é que os produtos e serviços sejam integrados de modo que quem possui a maquininha também tenha acesso ao marketplace, aos cursos do Afreektech e que também possam falar sobre seus negócios nas redes do Movimento Black Money.

“O MBM vem para mudar essa lógica do sistema de nos colocar no modo ‘se vira’. A gente precisa de subterfúgios e aí entram todos os nossos braços de atuação – comunicação, educação e serviços financeiros – como base para acabar com o racismo estrutural, que limita nosso poder de atuação. Então, se eu sou um afroempreendedor, por que não posso ser um afroempresário? Por que não posso pensar em ter uma empresa de tecnologia e estar dentro do ecossistema de startups? O Black Money vem para fazer com que as pessoas consumam e criem parcerias e estratégias de negócios entre os empreendimentos negros para gerarmos a possibilidade de escalar esses negócios e aí aumentarmos a empregabilidade de outras pessoas negras, sermos nossos próprios investidores e investidoras e irmos contra a lógica sistêmica que também não nos concede crédito. Por isso o fomento do Black Money para trazer melhores oportunidades para esses empreendimentos na área financeira”, resume a empresária.

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