Movimento Negro Raízes, de Bento Gonçalves, realiza visita ao Projeto do Museu de Percurso do Negro em Pelotas RS

Museu está sendo idealizado pelo Projeto do Museu de Percurso do Negro de Pelotas  para criar memorial que será fonte de informações e pesquisa sobre a presença negra na região sul do estado

Marcus Flávio (à esquerda), Solana Corrêa, recebem projeto do Museu de Percurso de Luis Mattozo (no centro). (Foto: Divulgação)

Da Redação

Na sexta-feira (09/10), a coordenação do Movimento Negro Raízes, de Bento Gonçalves, esteve em visita de intercâmbio no município de Pelotas RS, para tomar conhecimento de importante trabalho que vem sendo desenvolvido para a criação do Projeto do Museu de Percurso do Negro, espaço que resgata a memória da presença da cultura negra na zona sul do estado, abrangendo os diferentes períodos de desenvolvimento do município. A recepção ao Movimento Negro Raízes, representado pelos coordenadores Marcus Flávio Dutra Ribeiro, Solana Corrêa e André Cavalheiro, foi feita por Luis Carlos Mattozo, coordenador-geral do “Projeto Museu de Percurso do Negro de Pelotas” e um dos idealizadores do projeto que é composto por um coletivo de entidades.

Conforme relato de Luis Carlos, a proposta é de instituir, em prédio histórico da cidade – possivelmente na antiga primeira agência do Banco do Brasil – o centro de referência e memória do povo negro, devidamente equipado para agregar um acervo e espaços de vivências e pesquisas e demarcar a contribuição cultural negra no município pelotense, afirmando, efetivamente, a rica e valiosa contribuição da mão de obra africana escravizada. Esse espaço será lugar de memória e reconhecimento da presença dos africanos e de seus descendentes e de sua importância fundamental para a consolidação da riqueza econômica, sobretudo no ciclo da produção do charque, que se constituiu na principal fonte de sua pujança econômica no século 19, revalidando, ainda, as demais influências que exerceram na constituição da identidade sociocultural da cidade.

O trabalho de reconstrução da memória negra 

Para Luis, a tarefa de reconstrução da memória negra em Pelotas, que vem sendo feita pelo projeto desde 2009, simboliza o compromisso de reconhecimento e fortalecimento para a identidade dos afrodescendentes que enfrentaram sempre um processo sistemático de apagamento de sua história e, consequentemente, de seu legado de contribuições construtivas.

A primeira ação que o coletivo realizou foi o pedido de tombamento de importante referencial histórico negro no município, que é o Passo dos Negros, localizado entre o Canal do Arroio Pelotas e o Rio São Gonçalo. Esse local adquiriu tal denominação pela presença constante de negros escravizados que trafegavam pela localidade, vindos pelo Porto de Rio Grande para o abastecimento da mão de obra escravizada que era usada na indústria do charque instalada nessa região, às margens do rio São Gonçalo. O projeto, que conta com o apoio e pesquisas realizadas pela Universidade Federal de Pelotas – UFPEL, foi protocolado em 2009 para tombamento como patrimônio material nacional no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN e ainda não foi aprovado.

Prédio que abrigara o futuro Museu de Percurso do Negro de Pelotas. (Foto: Divulgação)

Está sendo proposta a instalação da sede do Museu de Percurso do Negro em prédio histórico localizado no centro de Pelotas (ao lado do Mercado Público Central) onde funcionou a primeira agência do Banco do Brasil e que deverá abrigar a história através de narrativas e artefatos envolvendo a chegada dos negros à região, conclui Luís.

Nesta visita de intercâmbio, o Movimento Negro Raízes deixou, através de seu coordenador-geral Marcus Flávio, sua contribuição de solidariedade ao trabalho empreendido pelo Projeto do Museu de Percurso, assinando a lista de apoiadores junto às demais representações do município para o tombamento dos locais históricos de referência negra de Pelotas. Essa lista será encaminhada ao IPHAN como documento que atesta a importância deste projeto que ultrapassa os limites do município de Pelotas.

Na visita, os representantes do Movimento Raízes também mantiveram contato com o vereador Reinaldo Elias – Belezinha (PSD) e com a corte da Feira Nacional do Doce – Fenadoce 2020 constituída por Taila Freitas Xavier, Driéli da Rosa e Julia Heisenrardt de Mello.

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