“Mulher pode, sim, lutar”, diz modelo da Maré que cita legado de Marielle

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(Lorenna Adrian faz seu primeiro desfileImagem: Divulgação/Mathws Aires)

 

Por Amanda Serra, da Universa

Nascida e criada na favela Complexo da Maré, no Rio de Janeiro, Lorenna Adrian tem 18 anos e está prestes a estrear em sua primeira semana de moda — ela desfilará na SPFW, que começa neste sábado (21), em São Paulo. Ansiosa por sua primeira vez nas passarelas, ela se inspira no legado deixado pela vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ), assassinada brutalmente em março.

“A Marielle mostrou que a mulher pode, sim, lutar e defender o que acredita, sem ter medo. Sem nos calarem. Mesmo depois do que aconteceu, ela ainda se faz presente por sua história. Tenho muito orgulho por ter nascido na Maré. Digo isso a quem me perguntar: sim, sou cria da Maré. Em meio a tantos preconceitos, contra mulher, negra e favelada, eu consegui chegar aonde cheguei e isso, para mim, é motivo de muita alegria”, afirma Lorenna à Universa.

A jovem foi aluna de Anielle Franco, irmã de Marielle, e, assim como a maioria dos moradores da favela, ficou abalada com o assassinato da ativista, que se mantém como importante figura feminina de representatividade. “Era uma mulher negra, da favela, que não tinha medo nem vergonha de lutar pelo que acreditava. Isso me inspira.”

Preconceito por causa da favela

Divulgação/Mathws Aires
(Imagem: Divulgação/Mathws Aires)

Até participar de um concurso de moda e ser descoberta por uma agência, a carioca cursava ciências contábeis e morava com os pais no Rio. Agora, segue em São Paulo. Filha única de uma técnica de segurança do trabalho e um operador de telecomunicações, Lorenna se identifica com o universo fashion e tinha como meta ser modelo, não só pela grana, mas também pelo desejo de ser um exemplo para outros adolescentes.

“Tenho o sonho de ter uma ONG que possa incentivar outras meninas a buscarem seus sonhos. Mostrar para essas pessoas que moram em comunidades que, assim como eu, elas também podem realizar seus desejos, no ramo de moda, do esporte, da música, naquilo que quiserem. Na Maré tem o projeto Maré do Amanhã, que tem dado muito certo e é motivo de orgulho.”

Lorenna diz nunca ter sido vítima de um ato explícito de racismo por conta de sua cor, no entanto, já foi questionada por causa do lugar onde morava. “Ao contrário do que muitos pensam, nós moradores somos pessoas de bem. Sempre gostei de morar na Maré. Mas já houve situações em que o fato de eu morar lá foi motivo para me olharem de maneira diferente.”

Em busca de um mundo mais igualitário e justo, Lorenna defende a importância de a moda levantar bandeiras contra o racismo. “É de suma importância ter modelos negros nas passarelas. Temos que abraçar toda a diversidade. É uma quebra de tabus. Todos têm que ter espaço. Me sinto honrada por esta conquista.”

Daniel Ribeiro

22 anos, estudante de administração gestão pública.

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