Museu do Percurso do Negro promovendo a visibilidade de personalidades negras da história da cidade de Pelotas RS

O pelotense Miguel Barros: Uma trajetória ligada à arte e à cultura. (1913/2011). (Foto: Arquivo de família/Divulgação)

Da Redação

O artista visual Miguel Barros, identificado como “O Mulato”, nasceu em 1913, em Pelotas RS, expôs sua obra em vários estados brasileiros e, também, no exterior e faleceu em 14 de fevereiro de 2011, em Mogi das Cruzes no interior de São Paulo. Esteve à frente do jornal da comunidade negra “A Alvorada”, integrou o clube Chove Não Molha e participou do 1º Congresso Afro-Brasileiro, em Recife, na década de 1930.

Como fevereiro de 2021 assinala dez anos da morte do artista, o Museu do Percurso Negro, de Pelotas, idealizado pelo ex-vereador do Partido Socialista Brasileiro (PSB) Luís Carlos Mattozo, encaminha à Câmara Municipal de Pelotas, nesta quarta-feira (04), projeto de lei para que Miguel Barros venha a dar nome à rua 1 do loteamento Eldorado, na cidade.

Conforme Mattozo, a iniciativa já tem acolhida de Paulo Coitinho (Cidadania) e a expectativa é de que os vereadores negros também a apoiem. Na comunidade, Mattozo destaca a contribuição do pesquisador Adão Monquelat, do artista plástico Roberto Moura Bonini, de Henrique Pires (assessor especial da Prefeitura). Também destaca o apoio das pesquisadoras Darlene Vilanova Sabany e Juliana Cavalheiro Rodrighiero (UFPel), autoras do artigo “História apagada: Barros, o Mulato, o pintor negro de Pelotas”, publicado em 2020.

Ex-vereador Luís Carlos Mattozo, um dos idealizadores do Museu do Percurso Negro. (Foto: Divulgação)

Breve biografia

Filho de Mercedes e João Moreira Barros que era   dono da fábrica de carimbos Sem Rival, Miguel Barros nasceu em 24 de agosto de 1913. Aos dezessete anos começou a estudar no Instituto de Belas Artes, que funcionava no Conservatório de Música de Pelotas, onde foi aluno de João Fahrion e Leopoldo Gotuzzo. Fez sua primeira exposição aos dezenove anos, em 1932.  no “Studium Inghes”, em Pelotas, apresentando 41 trabalhos de paisagens e figuras locais. Dois anos depois, além das atividades artísticas, Miguel Barros integraria a redação do jornal “A Alvorada” e a Frente Negra Pelotense (FNP). Ainda em 1934, representou a FNP no Congresso Afro-Brasileiro em Pernambuco, onde também realizou exposição da sua arte. Em 1935, O Mulato publicou em artigo no Diário de Pernambuco: “E houve um filósofo negro, desconhecido, que deixou um provérbio, perfeitamente real: ‘quando o branco come com o preto, a comida é do preto’ “. Como resgata Monquelat, é o que ele sempre repetia “quando via algum de seus patrícios na intimidade de um branco interesseiro”.

Autorretrato de Miguel Barros. (Foto: Arquivo de família/Divulgação)

Após as exposições em Recife, Miguel Barros começa a viajar e expor em vários locais. Em 1937, começa a assinar suas obras como “Mulato”.  Realizou, 23 exposições no Brasil (1937-1981) em João Pessoa, Natal, Maceió, Rio de Janeiro, Belém, Niterói, Belo Horizonte, São Paulo, Juiz de Fora, Recife e Piracicaba. No exterior, expôs na Argentina (Buenos Aires, Rosário, Bariloche), no Uruguai e nos Estados Unidos (Nova York). Em 1973, reúne seus artigos falando de arte e publica o livro “Teoria sem número”. Ainda na década de 1970, fixa residência em Mogi das Cruzes, onde participa de várias associações. Compra uma chácara e passa a cultivar a maior parte dos seus itens de alimento. Praticava meditação e, pioneiramente, era adepto da reciclagem. Nesse local também cria seu ateliê e expõe na cidade e na região. A cidade manifesta seu acolhimento e respeito ao artista com a criação de um prêmio com o seu nome, no ano de 2015, para o Salão de Artes Plásticas e, também, no ano de 2016, quando da criação da Academia Mogicruzense de História, Artes e Letras, concedendo a Barros o título de patrono da cadeira de número 5.

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