‘Ninguém deve ser presidente por toda vida’, diz Obama a líderes da União Africana na Etiópia

By / 2 anos ago / Política / No Comments

‘Francamente, não entendo isto. Adoro meu trabalho, mas, sob a Constituição, não posso voltar a me candidatar. E acredito que poderia ganhar’, disse

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Obama também discursou sobre terrorismo e crise humanitária no Sudão do Sul, na capital etíope, Adis Abeba

“Ainda há muito que quero fazer para manter a América avançando. Mas a lei é a lei, e ninguém está acima dela”, destacou, acrescentando que quando um líder pensa que é a única pessoa capaz de manter a nação unida, “isso significa que falhou” em sua tarefa.

Durante pronunciamento, Obama comentou que a perpetuação do cargo conduz a uma situação de “instabilidade e de luta”, exemplificando com casos de países como o Burundi, onde o presidente, Pierre Nkurunziza, se reelegeu para um terceiro mandato, gerando onda de violência e deslocamentos de milhares de civis no país.

Em vez disso, recomenda o norte-americano, líderes africanos deveriam se inspirar no líder antiapartheid e ex-presidente sul africano, Nelson Mandela, que “deixou um legado durável e foi capaz de sair do cargo e transferir o poder de forma pacífica”.

Terrorismo e Sudão do Sul

Em seu discurso, o mandatário também elogiou a “liderança” da União Africana no combate ao terrorismo no continente e ressaltou que os EUA continuarão apoiando essa luta, com treinamento e apoio logístico, mas descarta o envio de tropas.

Para Obama, grupos extremistas religiosos em atividade na região — como Boko Haram, Al Shabaab e o Estado Islâmico — são “assassinos” que não representam o islamismo pregado pela população.

“O progresso da África também dependerá da segurança e da paz, porque uma parte essencial da dignidade humana é estar a salvo e livre de todo o medo, mas os terroristas continuam atacando civis inocentes”, afirmou. “Milhões de muçulmanos africanos sabem que Islã significa paz”, completou.

Além disso, o líder norte-americano acusou o governo e a oposição do Sudão do Sul de não ter “nenhum interesse” pelo bem-estar de sua população, ao não ter alcançando nem um só acordo de paz após mais de um ano e meio de negociações. Para ele, no país, “a alegria da independência caiu até o desespero pela violência”.

O chefe de Estado dos EUA deixou a Etiópia nesta tarde, após também ter visitado o Quênia, terra natal de seu pai, onde debateu desenvolvimento econômico, acordos comerciais, contraterrorismo e direitos humanos, sobretudo para homossexuais.

Fonte: Opera Mundi

Daniel Ribeiro

22 anos, estudante de administração gestão pública.

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