O Brasil Chora a Morte de Mãe Beata

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Do Cultura PT/RJ

Em primeiro lugar tenho quero pedir licença aos mais velhos para falar sobre uma pessoa tão importante para o Candomblé, cuja morte abalou abateu o país. Mãe Beata de Iemanjá nasceu na cidade de Cachoeira do Paraguaçu, no Recôncavo Baiano e veio para Rio em 1960. Em 1985 fundou seu terreiro em Nova Iguaçu, que mais tarde passaria a ser uma referência para o debate e a prática da cultura afro-brasileira.

Mulher forte se adaptou à Baixada Fluminense no Rio de Janeiro, lugar onde se firmou como uma das principais lideranças da religião, sem, no entanto deixar de declarar seu orgulho de ser baiana nem de fazer referências às suas origens: “sou Beatriz Moreira Costa, Mãe Beata, mulher negra nascida no Recôncavo baiano, às margens do rio Cachoeira do Paraguaçu”.  É importante lembrar que seu terreiro Ilê Omi Oju Aro, no bairro Miguel Couto, virou patrimônio cultural e entrou para o mapa da cultura do estado do Rio de Janeiro. Seu trabalho social abrangia muitos bairros da região. O terreiro era frequentado por pessoas das mais simples até políticos, artistas e intelectuais de renome. Além do culto religioso Mãe Beata realizava muitas festas e encontros culturais, todos abertas à comunidade.

Em 2014 quando Marina Silva, então candidata à presidência da República, se referiu ao Candomblé como seita. Mãe Beata a rebateu publicamente em carta onde explicou a grandeza de sua religião. O documento foi publicado em diversos jornais do país. Conforme os trechos do documento, que seguem:

“… nós não cultuamos satanás. Cultuamos Olorum, Obatalá, Ododuá e Exú, que é o grande dinamizador. Cultuamos os inquices e os vodunces que são deuses como Dafé e Jeová. Cultuamos deuses de energia da natureza que é a coisa mais suprema que pode existir. Por que somos natureza, filhos da natureza. Ao qual a Senhora terá um grande compromisso de preservar essa natureza que pede socorro, pelo descaso de pessoas inconsequentes…”.

“Eu me julgo uma mãe do mundo por que sou de Iemanjá, Orixá que dos seus seios brota a água suprema, que é o leite que amamenta aqueles que a sociedade repudia a exemplo dos gays e das lésbicas. Eu sei chorar com olhos do meu irmão e abraçar esses.”

Foi pela página de Adailton Moreira, seu filho, que ficamos sabendo da triste notícia de sua morte: “É com imenso pesar que comunico o falecimento de minha mãe biológica Mãe Beata de Iyemonjá. Olorun a receba com glória. Posteriormente informo maiores detalhes”.

Amada por uma imensidão de seguidores, Mãe Beata possuía uma consciência política e intelectual que muito influenciava o meio sociocultural fluminense e brasileiro. Sua morte abateu demais o país que ela tanto amava. Ela deixa na terra ensinamentos de igualdade, liberdade e respeito, que devemos propagar. Suas mensagens são de ternura e muita profundidade. Uma defensora mor dos Direitos Humanos, que tinha no combate à intolerância  religiosa sua bandeira constante e a partir da qual ela discutia temas ligados à diversidade como um todo.

Registramos assim o nosso respeito e admiração a essa linda pessoa que nos deixa neste dia. Que sua luz continue a nos iluminar, agora como uma estrela no firmamento.

Daniel Ribeiro

22 anos, estudante de administração gestão pública.

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