O leão e a joia da Nigéria: a escrita de Wole Soyinka em destaque na Feira do Livro

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Wole Soyinka _Divulgação FB

Participação do autor na 63ª Feira do Livro de Porto Alegre é resultado de parceria entre 11ª Bienal do Mercosul e Câmara Rio-Grandense do Livro

A obra de um dos principais autores africanos da atualidade estará em destaque durante  63ª Feira do Livro de Porto Alegre. Nobel de Literatura em 1986, Wole Soyinka é tema de programação especial no último final de semana do evento, dias 18 e 19 de novembro. No sábado, 18, às 15h30, a escrita do autor nigeriano será analisada por Adriano Migliavacca na Sala Leste do Santander Cultural. No mesmo dia, às 18h, um sarau vai homenagear o escritor e sua obra na Tenda de Pasárgada, com a participação de Eliane Marques, Lucia Bins Ely e Adriano Migliavacca.

No domingo, 19, o próprio autor participa de conferência às 11h no Theatro São Pedro e autografa “O Leão e a Joia” (Geração Editorial, 2012) ao meio-dia, no mesmo local.

A visita do autor à Feira do Livro é resultado de uma parceria entre Câmara Rio-Grandense do Livro e 11ª Bienal do Mercosul. Com o tema “O Triângulo do Atlântico”, o evento de artes visuais, que acontece no primeiro semestre de 2018, já promove iniciativas que abordam o encontro entre África, América e Europa.

Sobre a obra


“O Leão e a Joia” é uma fábula contemporânea que tem como cenário a pequena aldeia de Ilujinle, no país iorubá, onde a bela Sidi, a joia, é assediada por um jovem professor primário, Lakunle, treinado nos saberes ocidentais, disposto a erradicar a tradição em nome de uma europeização dos costumes, e por Baroka, o bale da aldeia, chefe tradicional e poderoso que pretende, através do casamento com a jovem, manter o seu prestígio e poder, bem como perenizar a sua linhagem de leão da mata.

O autor explora com fino humor as situações de conflito, dentro das referências da cultura aldeã iorubá. O jovem professor modernizador tenta convencer sua amada das vantagens da ruptura com a tradição, ao passo que o velho Baroka, aos 62 anos, joga toda uma sabedoria ancestral para seduzir Sidi. Ele mesmo faz circular a falsa notícia de sua impotência sexual para depois convencer sua pretendida que o casamento com ela era uma prova para toda a aldeia da virilidade do velho leão, condição fundamental para a manutenção do seu poder e da continuidade da cultura tradicional.

Esta peça pode ser lida como uma busca de alternativas para as sociedades africanas no pós-colonialismo. A mera substituição de brancos por negros nas mesmas estruturas de poder colonial fracassou. A simples manutenção das culturas tradicionais não responde mais aos desafios da África contemporânea.

A escolha de Sidi pode ser a saída para a incorporação de novos personagens sociais (a mulher, por exemplo) em processos de modernização que respeitem as identidades tradicionais. Talvez este seja o verdadeiro sentido do “renascimento africano”.

“O Leão e a Joia” marca a estreia de Wole Soyinka no mercado editorial brasileiro. Este precioso volume é ainda valorizado pelo prefácio de um dos maiores especialistas em cultura afro-brasileira, o dr. Ubiratan Castro de Araújo, professor na UFBA e diretor da Fundação Pedro Calmon.

O Leão e a Joia

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Autor: Wole Soyinka
Gênero: Teatro
Formato: 15,6 x 23 cm.
Págs: 152 + cad. de fotos (16 págs.)
ISBN: 978-85-8130-059-7
Tradutor: William Lagos

Sobre o autor


Wole Soyinka nasceu em 13 de julho de 1934 em Abeokuta, próximo a Ibadan, no oeste da Nigéria. É autor de peças teatrais, romances e poemas, cuja qualidade lhe valeu o Nobel de Literatura em 1986: o primeiro africano a receber esse prêmio. Crítico incansável das ditaduras militares da Nigéria, teve de fugir algumas vezes do seu país; desde 1994, tem residido quase que exclusivamente nos Estados Unidos. Até hoje, continua a escrever e a criticar veementemente a corrupção e a opressão em cada canto de sua idolatrada África.

Atualmente com 82 anos, Soinka foi preso na década de 1960 por tentar mediar a guerra civil nigeriana. Seu ativismo político persiste ainda hoje com suas denúncias ao grupo extremista islâmico Boko Haram – que alcançou o noticiário internacional em 2014 ao sequestrar mais de 260 meninas e utilizá-las como moeda de troca para exigir a libertação de milicianos presos, além de submetê-las a estupros e torturas.

Sobre a Feira do Livro de Porto Alegre

A Feira do Livro de Porto Alegre foi inaugurada em 1955 por incentivo do jornalista Say Marques, diretor-secretário do Diário de Notícias, junto aos livreiros e editores da cidade. O evento é considerado referência no país por seu caráter democrático e pela consistência do trabalho que desenvolve na área da promoção da literatura e da formação de leitores. Realizada desde sua primeira edição na Praça da Alfândega, Centro Histórico da capital gaúcha, a Feira é dividida em Área Geral, Área Internacional e Área Infantil e Juvenil. Centenas de escritores, ilustradores, contadores de histórias e outros profissionais participam do evento, que conta com sessões de autógrafos, mesas-redondas, oficinas, palestras e programações artísticas, entre outras atividades. Alguns desses eventos são realizados no Memorial do Rio Grande do Sul, Santander Cultural, Centro Cultural CEEE Erico Verissimo e Auditório Dante Barone da Assembleia Legislativa.

Em 2006, a Feira do Livro de Porto Alegre recebeu a medalha da Ordem do Mérito Cultural, concedida pela Presidência da República, que a reconheceu como um dos mais importantes eventos culturais do Brasil. Um ano antes, havia sido declarada bem do Patrimônio Cultural Imaterial do Estado e, em 2010, foi o primeiro bem registrado, pela Prefeitura de Porto Alegre, como integrante do Patrimônio Histórico e Cultural Imaterial da cidade.

A 63ª edição ocorre de 1º a 19 de novembro de 2017 e, entre os destaques da programação, estão Conceição Evaristo, Pilar del Río, Otavio Jr., Daniel Munduruku, Sergio Vaz, Ondjaki, Ricardo Araújo Pereira, Rosana Rios e Manuel Filho, entre dezenas de outros convidados, além de uma comitiva de doze autores dos países nórdicos, região homenageada pelo evento. Todas as atividades têm entrada gratuita.

Sobre a Câmara Rio-Grandense do Livro

A Câmara Rio-Grandense do Livro é uma sociedade civil sem fins lucrativos, que tem por objetivo unir entidades e empresas que trabalham pelo livro, promovendo sua defesa e seu fomento, a difusão do gosto pela leitura, a formação de leitores e o fortalecimento do setor livreiro. A entidade conta com mais de 140 de associados, entre editores, livreiros, distribuidores e outras instituições que se dedicam à produção, à comercialização e à difusão do livro, todas com sede ou filial no Rio Grande do Sul.

Serviço

O mundo africano na obra de Wole Soyinka
Oficina que explora alguns dos principais temas e características da obra e do pensamento de Wole Soyinka, explorando algumas de suas ideias sobre literatura, arte e a visão de mundo africana.
Sábado, 18 de novembro
15h30
Sala Leste do Santander Cultural (Rua Sete de Setembro, 1028 – Centro Histórico – Porto Alegre/RS)
Com Adriano Migliavacca

Sarau em homenagem a Wole Soyinka
Leituras de poesias, com a participação do pública, leitura dramática, toque de tambores e apresentação de vídeo para homenagear Wole Soyinka
Sábado, 18 de novembro
18h
Tenda de Pasárgada (Praça da Alfândega)
Com Eliane Marques, Lucia Bins Ely e Adriano Migliavacca

Conferência com Wole Soyinka na 63ª Feira do Livro de Porto Alegre
Domingo, 19 de novembro
11h
Theatro São Pedro (Praça Mal. Deodoro, S/N – Centro Histórico – Porto Alegre/RS)


Sessão de autógrafos de “O Leão e a Joia”
Domingo, 19 de novembro
12h
Theatro São Pedro

Daniel Ribeiro

22 anos, estudante de administração gestão pública.

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