O povo paga bem!

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Por Paulo Rodrigues*
Pois o DataPaulo, aquele blog que, por discordar de tudo que esse desgoverno tem proposto e apoiado, volta a caminhar pelas margens do rio São Francisco à procura de inspiração e dos amigos que lá deixou, vem a público repudiar atitude do desgoverno em receber os familiares e amigos dos jogadores, que sofreram acidente de avião esta semana, em um encontro rápido no aeroporto da cidade. O DataPaulo lembra que em outro acidente de grandes proporções, o da boate Kiss, em Santa Maria, no RS, a eterna Presidenta cancelou viagem internacional que já estava marcada e viajou às pressas para o local da tragédia, onde cumprimentou pessoalmente familiares e amigos das vítimas. Nas margens do rio São Francisco, já se fala abertamente, nos bares, aos finais de tarde, que cada povo tem o governo que pede.

Ao fechamento da edição, o DataPaulo recebe notícia urgente de um correspondente que foi ao velório das vítimas da tragédia com o avião na Colômbia. Diz o correspondente que o desgoverno, ao final, resolveu comparecer ao velório, esquecendo aquela ideia de cumprimentar as pessoas no saguão do aeroporto. Mas ficou uma dúvida atroz ao desgoverno, pois quando o cerimonial dos atos fúnebres anunciou o nome do desgoverno, ninguém aplaudiu nem vaiou, foi um silêncio total, porém, quando se anunciou o nome do representante da Colômbia, em pé, todos os presentes aplaudiram. O que seria pior: vaiado ou ignorado? Não misturar as estações, política é política, e velório é velório. A inteligência do público soube separar as coisas. Não era hora de vaias, mas também não era hora para aplaudir quem, em dias anteriores, quis fazer cumprimentos lá longe, num saguão de aeroporto.

Os repórteres do DataPaulo voltam às margens para fugirem das tantas bobagens que se andam dizendo nas cidades. Muita gente com bons salários e boa educação ainda anda defendendo que a eterna Presidenta afundou o país, e defende, ainda, que juízes possam dar a interpretação que melhor lhes aprouver sobre fatos recentes. A cidade anda muito tumultuada. Muita gente anda defendendo que filhos de juízes podem receber bolsa auxílio de valor próximo a sete mil reais por mês, mas a bolsa família instituída pelo partido da eterna Presidenta paga a pessoas de baixa renda no valor de cem ou duzentos reais, isso não pode! Está havendo muita hipocrisia, e também muita gente está sendo usada para que outras atinjam objetivos inconfessáveis. Pessoas pobres e outras de classe média estão defendendo o direito dos ricos de terem privilégios, que possam mudar as leis a seu bel proveito. A classe rica nunca pensou em direitos iguais, mas em privilégios exclusivos para si.

Os repórteres do DataPaulo têm andado pelos bares às margens do Velho Chico, ouvindo os caboclos, entre um copo de cachaça e outro. Muitos escândalos têm chegado aos ouvidos dos caboclos diariamente. O último, embora seja difícil falar no último, porque a cada minuto já há escândalo novo, mas, em todo caso, o último foi um escândalo de um edifício de luxo, em construção numa área de preservação histórica, cujo valor de cada apartamento é de mais de dois milhões. Pois bem, dois ministros entram em oposição de ideias, um querendo a liberação de qualquer jeito da construção do edifício, e o outro querendo cumprir a lei, que diz que em área de preservação, ou não se constrói ou se constrói sob parâmetros muito rígidos. Resultado desse imbróglio: primeiro cai o ministro que queria cumprir a lei que, ao cair, denuncia todas as artimanhas de sua queda e, então, leva à queda o outro ministro, que tinha armada toda uma rede de proteção para obter privilégios de toda ordem.

Os caboclos, homens rudes e humildes, que trabalham desde antes que o sol nasça diariamente, perguntam aos repórteres do DataPaulo por que, como e quando se chegou a esse ponto? Perguntam, ainda, por que não se ouve nenhum arranhar de panelas protestando por este estado de coisas. Afinal, pergunta um caboclo, antes as panelas não eram batidas para protestar contra a corrupção que diziam que a eterna Presidenta permitia que praticassem? E hoje, concluiu, por que não se ouve uma panelinha ser arranhada? Ou arranhar a lei não é corrupção? Manobrar para garantir privilégios não é corrupção? Em todos os lugares sempre há um gaiato e nos bares à beira do Velho Chico não iria faltar um que, a certo momento, levantou um copo de cachaça e disse: agora que a merda está feita, deveriam arranhar é pinico!

Pois depois de ouvir bastante o que pensa o caboclo das margens do Velho Chico, os repórteres do DataPaulo, num entardecer, quando os caboclos voltavam dos canaviais e passavam pelos bares para dar uma beiçada num copo de cachaça, fizeram um apanhado da radiografia do golpe, para que os caboclos entendessem o que estava acontecendo: a) as preliminares; inviabilizaram o Congresso com pautas-bomba e contrárias ao governo, inviabilizando a governança; a mídia criou e instrumentalizou um personagem que se chamou de analfabeto político, aquele ser que não pensa, só ouve a bobagem e a reproduz como se verdade verdadeira fosse; gente de todos os naipes foram compradas; b) as intermediárias; fazer o impeachment ser aprovado, se apoiando nas preliminares; c) o golpe; colocar alguém que pudesse modificar as leis, aprovar retrocessos para o trabalhador, e vender as riquezas do país; d) o contragolpe; trocar o comando do governo por alguém mais palatável e que possa dar continuidade ao que se iniciou com o golpe.

Noite já fechada, e os caboclos não vão para casa, tamanho o interesse em conhecer os fatos e as artimanhas que norteiam seu país. Um dos caboclos, nego veio que viveu os tempos do AI-5, dizia para outros caboclos das mesas ao redor que o DataPaulo hoje fazia o mesmo papel que outrora fizeram Millor Fernades, com o seu “Livre pensar é só pensar”; o jornal “O Pasquim”, que cifradamente passava mensagens para o povo; poetas e compositores que através de suas músicas passavam mensagens para o público. Em muitas mesas, se falava da importância do DataPaulo nos dias de hoje como uma referência na análise e no debate político do momento, e como uma forte oposição à hipocrisia!

Mais de dez horas da noite, quando os repórteres do DataPaulo saem do bar acompanhados pelos últimos caboclos que ouviram até o fim as análises. Bem na saída do bar, o grupo avistou um anúncio escrito em várias cores numa tábua com mais ou menos um metro de largura por um metro altura, talvez posto ali por algum caboclo que quisesse contribuir com a fala dos repórteres. Dizia o anúncio: em letras cinzas; precisa-se de; mais embaixo, em letras bem vermelhas, talvez para chamar atenção da urgência do anúncio; Presidente, Governadores, Senadores, Deputados, Prefeitos e Vereadores; um pouco mais embaixo, em letra cinza novamente, dizia: para trabalhar nas áreas de; mais embaixo, em letra bem verde, talvez para mostrar a real necessidade do que se precisava, dizia: saúde, segurança, saneamento e educação; mais embaixo, em letra cinza, concluía o anúncio: o povo paga bem!

Uma simples tábua pregada em uma árvore à frente de um bar que sempre foi lugar de encontro de bebedores de cachaça e jogares de truco fez com todos fossem para suas casas pensando no que o povo realmente quer e precisa!

*Analista social

Daniel Ribeiro

22 anos, estudante de administração gestão pública.

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