Paim destaca os 130 anos da Lei Áurea e aponta racismo estrutural no Brasil

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Waldemir Barreto. (Agência Senado)

Da Agência Senado

Em pronunciamento nesta segunda-feira (14), o senador Paulo Paim (PT-RS) destacou os 130 anos da abolição da escravatura — a Lei Áurea — celebrado no domingo, 13 de maio.

O parlamentar lembrou que, embora a escravidão tenha sido abolida no Brasil há mais de um século, o racismo ainda faz parte da realidade do país. Ele mencionou os elevados índices de homicídios, que a seu ver têm como causa a desigualdade social e o racismo estrutural, já que a maior parte das vítimas são pessoas pobres e negras.

— Não posso me omitir, não posso me calar diante da banalidade com que se desenrola o genocídio da população, principalmente, negra no Brasil — declarou o parlamentar.

Ele mencionou a taxa de homicídios no Brasil. Dados oficiais apontam que, em 2016, mais de 61 mil cidadãos foram assassinados, sendo 53% das vítimas jovens; 77% pessoas negras e, 93%, do sexo masculino. Paim afirmou que o país marginaliza, extermina e subaproveita o trabalho da população negra e branca pobre.

— É um jogo de perdedores. Todos mundo perde. A violência só aumenta. É impossível dizer quantos músicos excepcionais, quantos cientistas brilhantes, quantos médicos inovadores, quantos intelectuais que poderiam ter mudado o mundo, quantos deles e delas o nosso racismo cotidiano não enterrou nesses sacos plásticos pretos, na vala de indigentes — afirmou o senador, segundo o qual a desigualdade racial viola os direitos humanos de milhões de brasileiros e tem um custo alto para o desenvolvimento econômico do país, com graves consequências humanitárias.

Paim observou ainda que população negra tem, em média, cerca de dois anos a menos de estudos do que a população não negra, que já tem um nível educacional baixo comparado aos países desenvolvidos. Dado que os negros são 55% da população, o Brasil compromete a sua competitividade pela limitação, nesse nível de escolaridade, de negros e brancos pobres.

— Há uma disputa desigual, e, na economia global, nós vamos ficando para trás — disse o senador.

Daniel Ribeiro

22 anos, estudante de administração gestão pública.

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