Porto Alegre RS perde um lutador do povo

Alcino era um grande agente cultural da comunidade do Morro da Conceição. (Foto: Facebook pessoal)

Por Adroaldo Bauer Corrêa

Perdi o amigo, companheiro de lutas, colega de trabalho Alcino Evelásio da Rosa – Boca de Lata, que faleceu na quarta-feira (3), em Porto Alegre RS. Subi o Morro da Maria da Conceição, com a Luísa da Descentralização da Cultura da SMC/PMPA, que me apresentou num ano da década de 1990, o Alcino Evelásio da Rosa, apaixonado pelo Grêmio e pela Samba Puro, que como Boca de Lata animava a Festa da Raça do Morro da Conceição, na celebração a Zumbi dos Palmares, no dia 20 de novembro.

Todo ano, no primeiro semestre, Alcino Boca de Lata, funcionário do Departamento de Limpeza Urbana – DMLU, peregrinava pelas repartições pra apresentar o projeto da festa, relacionado ao 20 de Novembro, coletando recursos pra realização do evento que acabou conseguindo inscrever no Calendário das “Festas Populares” da cidade. No programa de longa duração, sempre num domingo próximo ao 20 de novembro, Alcino contou com Lecy Brandão, Bezerra da Silva, João Nogueira expressões nacionais da Cultura Popular, e com centenas dos melhores valores locais, Pagode do Dorinho, Produto Nacional, Marcelinho Kará, em cerca de 20 edições da Festa da Raça, realizada no campo do Vermelhão.

Trabalhamos juntos na SMC, quando foi cedido como Relações com a Comunidade do Projeto de Descentralização que coordenei de 1993 em diante.

Não tinha ruim pro Alcino.
Muitas vezes saímos da Bom Jesus, da Pinto, da Cohab Costa e Silva, da Cruzeiro, da Tinga, da Tuca, do IAPI, depois das dez da noite, em paz, como entrávamos ainda de madrugada, quase ao nascer do sol pra montar palco, som, luz, camarins e sanitários dos programas culturais de música, dança e teatro que a população decidia nos encontros do Orçamento Participativo.

Quando fui chamado pra vaga do concurso em 2003, encontrei o Alcino Evelásio da Rosa na Charanga do Simpa, uma minibateria à qual me integrei nas minhas primeiras caminhadas municipárias em defesa de direitos e por melhores salários. Alcino Evelásio da Rosa, nessas lutas, passava noites e madrugadas nos “Trancaço. do Transbordo do Lixo” na Lomba ou, sempre solidário, onde houvesse necessidade de reforçar piquetes operários nas greves da categoria.

Nas assembleias, era destacado orador, dava informes ponderados do Cores do DMLU e inflamava as plenárias quando defendia “A Greve até a Vitória”.
Nem sempre votamos juntos. Mas, decidido o rumo, sempre caminhamos juntos.

Sinto muito já a tua falta enorme, meu querido camarada Alcino Boca de Lata.
Deixo com os familiares, amizades e colegas meus sentimentos, terno abraço e esse preito de Mia Couto.

“Se não estivesse fora de moda…
Eu iria falar de Sinceridade.
Sabe, aquele pensamento antigo
de fidelidade, respeito mútuo…
e outras coisas mais.
A admiração pelas virtudes, aceitação dos defeitos…
E sobretudo, o respeito pela individualidade.

Se não estivesse tão fora de moda…
Eu iria falar em Amizade.
O apoio, o interesse, a solidariedade de uns
pelas coisas dos outros e vice-versa.
A união além dos sentimentos
e a dedicação de compreender para depois gostar.

Sabes uma coisa…
Sinto-me feliz por estar tão fora de moda. “

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