Presidente do Burundi volta à capital e militares golpistas são presos

Após a chegada, mandatário avisou em comunicado oficial que ‘não haverá piedade para inimigos da democracia’; confronto por TV pública deixou 12 mortos

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Nkurunziza voltou na noite de quinta ao Burundi, após fracasso de golpe de Estado

O presidente do Burundi, Pierre Nkurunziza, voltou nesta quinta-feira (14/05) à capital do país, Bujumbura, após a prisão dos militares dissidentes que haviam tentado dar um golpe de Estado. O mandatário foi recebido por apoiadores na cidade.

Após sua chegada, o líder do Burundi avisou em comunicado oficial que “não haverá piedade para os inimigos da democracia”, ao mesmo tempo em que encorajou os burundineses a participar das eleições de junho.

Os confrontos registrados ontem entre militares golpistas e leais ao governo nos arredores da sede da radiotelevisão nacional, a RTNB, deixaram 12 soldados que apoiaram os dissidentes mortos e 35 feridos, segundo o ministro de Segurança, Gabriel Nizigama. As forças governamentais detiveram cerca de 40 militares golpistas e nove se renderam.

A derrocada do governo havia sido declarada pelo ex-general Godefroid Niyombare na quarta (13/05), pelo rádio. A oposição aproveitou uma viagem de Nkurunziza à Tanzânia, onde o presidente discutiria a crise no Burundi, para decretar a presidência vaga. O mandatário tentou voltar ao país, mas, como as forças leais a Niyombare fecharam o aeroporto da capital e as fronteiras, o presidente voltou a Dar es Salaam. Ontem à noite, conseguiu entrar em território burundinês.

Crise

A crise no Burundi começou após o anúncio da intenção de Nkurunziza de tentar renovar seu mandato, de cinco anos, pela segunda vez. Opositores dizem que isso seria inconstitucional. O presidente, no entanto, afirma que, como foi eleito em 2005 pelo parlamento local, teria direito a mais uma reeleição (a primeira foi em 2010) pelo voto popular.

Desde abril, mais de 20 pessoas morreram e 220 ficaram feridas em meio às manifestações. Na escalada da crise, o governo exigiu, no último sábado (09/05), o fim imediato de todos os protestos contra Nkurunziza.

Observadores internacionais manifestaram preocupação com a crise institucional no Burundi. O Conselho de Segurança da ONU, na sexta-feira (08/05), pediu moderação e eleições igualitárias no país. A União Africana, os EUA e a União Europeia condenaram a nova candidatura de Nkurunziza, que, no entanto, tem rejeitado repetidamente, de acordo com a AFP, os apelos da comunidade internacional.

Refugiados

Cerca de 105 mil burundineses fugiram de casas nas últimas semanas e se refugiam na região, principalmente na Tanzânia, que abriga 70.187 nacionais desse país, informou o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, Acnur.

O número de refugiados que chegaram à Tanzânia aumentou bruscamente nos últimos dias, com cerca de 50 mil burundineses assentados na pequena cidade de Kagunga, às margens do lago Tanganica, que separa ambos os países.

Ruanda, para onde se dirigiram os primeiros refugiados, acolhe 26.300 burundineses, e a República Democrática do Congo 9.183.

Fonte: Opera Mundi

 

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