Projeto sobre memória negra oferece oficinas de audiovisual em sede de Folia de Reis na Baixada

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infochpdpict000071186279A cineasta Aline Lourena vai oferecer as oficinas na sede do Reisado Flor do Oriente, em Caxias. (Foto: Guilherme Pinto / Agência O Globo)

Por Cintia Cruz, do Extra

Ainda na barriga da mãe, o pequeno Samuel já é parte de uma história de pelo menos 145 anos. E será para ele que Renata Silva de Moraes, de 29 anos, vai poder contar toda a tradição do Reisado Flor do Oriente, folia que integra desde que nasceu e que tem sede na Vila Rosário, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.

Além de Renata, grávida de seis meses, todos os integrantes do reisado vão poder produzir material audiovisual sobre a tradição da folia, através da oficina gratuita de vídeo e fotografia, que acontece neste final de semana na sede do grupo.

Reisado Flor do Oriente é uma das folias mais antigas com 145 anos
Reisado Flor do Oriente é uma das folias mais antigas com 145 anos. (Foto: Guilherme Pinto / Agência O Globo0

As aulas são frutos do projeto “Sambas e dissembas: fluxos e geografias da memória negra no estado do Rio”. A iniciativa, contemplada pelo edital do programa Territórios Culturais RJ/Favela Criativa, da Secretaria estadual de Cultura do Rio, na categoria Memória e Cidadania, busca preservar a memória local e a valorização de manifestações culturais.

— As oficinas são para discutirmos a memória da música negra no estado do Rio. A ideia é que capacitemos as pessoas para que elas produzam registro da própria história — diz Aline Lourena, cineasta, produtora executiva do projeto e professora das oficinas de audiovisual.

Aline Lourena orienta Renata, integrante da Folia de Reis Reisado Flor do Oriente, em Caxias
Aline Lourena orienta Renata, integrante da Folia de Reis Reisado Flor do Oriente, em Caxias. (Foto: Guilherme Pinto / Agência O Globo)

Para Renata, a atividade será uma troca entre a folia e as oficinas:

— Fazemos vídeo, mas sem a técnica. Cada integrante posta na sua rede. Será troca. Vamos aprender a técnica e ensinar a eles sobre a nossa cultura.

Há 45 anos no Reisado, a alferes (que conduz a bandeira) Leonor Sant’anna, a Nora, de 51 anos, acredita que produzindo materiais sobre a folia pode captar recursos para a manifestação cultural. A cada ano, o figurino dos integrantes, que representam os reis, muda. Ao todo, são 15 crianças e 32 adultos que participam. O grupo também gasta com locomoção.

— Nunca tivemos patrocínio. Se ganhássemos um edital, daríamos entrada num ônibus — revela Nora, que quer criar um site ou uma página para o grupo.

Integrantes do Reisado Flor do Oriente querem criar página com material sobre a história do grupo
Integrantes do Reisado Flor do Oriente querem criar página com material sobre a história do grupo Foto: (Guilherme Pinto / Agência O Globo)

O Reisado Flor do Oriente surgiu em Miracema, no Norte Fluminense, em 1872, com o tataravô de Nora. Há 73 anos, a folia veio para Caxias. Ele percorre as ruas e diferentes bairros do dia 24 de dezembro a 6 de janeiro, representando a jornada dos Três Reis Magos, que partem em busca do Menino Jesus.

Apesar de toda a relação com elementos católicos, a jornalista Maitê Freitas, coordenadora do Sambas e Dissembas, fala da forte presença africana nas folias:

— As folias têm herança nos cortejos africanos, atravessam a nossa diáspora e, aqui, se encontram com outros festejos de elementos portugueses.

Integrantes da folia vão fazer a oficina que também é aberta ao público
Integrantes da folia vão fazer a oficina que também é aberta ao público (Foto: Guilherme Pinto / Agência O Globo)
Em setembro, a segunda parte do projeto vai ter rodas de conversa sobre o samba. As oficinas gratuitas acontecem neste sábado, das 13h às 17h, e domingo, das 11h às 17h. Mas atenção: para se inscrever, é preciso ter a partir de 14 anos. As aulas serão na sede do reisado, na Rua Filinto de Almeida 429, Vila Rosário. E-mail: sambasedissembas@gmail.com.

Daniel Ribeiro

22 anos, estudante de administração gestão pública.

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