Região remota do Chade recebe 18 mil nigerianos após ação do Boko Haram

Grupo radical domina região vizinha; veja fotos de campo de refugiados. Organização tenta ajudar com apoio médico e psicológico.

Hadza El-Hagizegri, nigeriana refugiada no Chade, com seus filhos no campo de refugiados (Foto: Sylvain Cherkaoui/Cosmos/ Médicos Sem Fronteiras)

Hadza El-Hagizegri, nigeriana refugiada no Chade, com seus filhos no campo de refugiados (Foto: Sylvain Cherkaoui/Cosmos/ Médicos Sem Fronteiras)

A região do Lago do Chade, na fronteira do Chade com a Nigéria, tem recebido um grande número de nigerianos nos últimos meses apesar de ser um local árido, remoto e inseguro. Desde os ataques do grupo radical Boko Haram no nordeste da Nigéria, em janeiro deste ano, mais de 18 mil nigerianos fugiram de suas casas rumo ao país vizinho, com medo da violência extrema praticada pelo grupo.

O Boko Haram nasceu como movimento religioso islâmico em 2002 e depois de 10 anos passou a atacar escolas, professores e estudantes para impedir educação ocidental no país. O grupo é responsável por sequestros e ataques a bomba e controla cidades e vilarejos principalmente do nordeste do país.

Um dos locais no Chade que abriga parte da população de refugiados é o campo de Dar es Salaam, que fica a 12 km da cidade de Baga Sola. Este campo abriga 5 mil refugiados, segundo dados da organização Médico Sem Fronteiras (MSF), que está na região desde março prestando assistência a essas pessoas.

Uma delas é Hadza El-Hagizegri, que fugiu de seu vilarejo próximo de Baga, na Nigéria, em janeiro. Ela estava no quinto mês de gestação e deu à luz no campo. “Eu e minha família ficamos em um barco por quatro dias para cruzar o lago e chegar ao Chade. Tive meu filho debaixo de uma tenda no campo de refugiados, com a ajuda de outras mulheres refugiadas. Não recebemos alimentos há 5 dias”, disse à MSF.

Outros refugiados se abrigaram nos diversos vilarejos da região do Lago do Chade.

Ataques do Boko Haram no Chade em fevereiro, especialmente na cidade de Ngouboua, também ameaçaram os próprios chadianos, que foram forçados a se deslocar a outras cidades da região. De acordo com a MSF, cerca de 13 mil deixaram seus lares.
Yakah Mamadou é uma das deslocadas após a ação do Boko Haram em Ngouboua. “O vilarejo foi incendiado e as pessoas foram mortas. Decidi fugir para ficar com a família de minha filha em Forkouloum. Aqui, a situação de segurança é melhor”, diz à organização.
A MSF, que divulgou imagens dessa região, atende refugiados nos vilarejos de Forkouloum, Ngouboua e Baga Sola, além do campo de Dar Es Salaam. Segundo a organização, o Lago do Chade é a região mais pobre do Chade, com um alto risco de epidemias. As principais ocorrências médicas são por diarreia e infecções respiratórias. O atendimento psicológico também constata ansiedade e sintomas de depressão.

Grupo radical
Desde o início de 2014, o Boko Haram matou mais 5 mil civis em 300 invasões e ataques durante seu avanço, segundo a Anistia Internacional. O grupo – seu nome significa “a educação ocidental é pecado”- atua principalmente no nordeste da Nigéria, onde controla a maior parte dos estados de Borno, Adamawa e Yobe.

Estima-se que tenha cerca de 15 mil combatentes, que operam em células de relativa autonomia e têm como líder político e espiritual Abubakar Shekau.

Um ataque do Boko Haram em fevereiro deste ano, na cidade de Ngouboua, no Chade, levaram milhares de pessoas a deixarem suas casas (Foto: Sylvain Cherkaoui/Cosmos/ Médicos Sem Fronteiras)

A MSF conduz consultas voltadas para saúde mental no campo de refugiados de Dar Es Salaam (Foto: Sylvain Cherkaoui/Cosmos/ Médicos Sem Fronteiras)

Refugiada espera por atendimento médico no Chade (Foto: Sylvain Cherkaoui/Cosmos/ Médicos Sem Fronteiras)

Cerca de 5 mil refugiados nigerianos estão vivendo no campo de Dar Es Salaam, no Chade (Foto: Sylvain Cherkaoui/Cosmos/ Médicos Sem Fronteiras)

Fonte: G1

 

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