Seminário de pré-candidaturas negras à prefeitura lota centro de cultura da câmara e manda recado às direções partidárias

Os pré-candidatos Antônio Carlos dos Santos, o Vovô do Ilê (PDT), Moisés Rocha (PT), Vilma Reis (PT), Hilton Coelho (PSOL) e dirigentes do PCdoB e do PSB marcaram presença no encontro. (Foto: Midia4P.com/Divulgação)

Por Yuri Silva, do Mídia4P.com

O seminário que reuniu as pré-candidaturas negras à Prefeitura de Salvador, na noite desta sexta-feira, 9 de agosto, no Centro de Cultura de Câmara Municipal, na Praça Municipal, Centro Histórico, lotou o espaço com lideranças do movimento negro soteropolitano.

Dirigentes de organizações políticas, diretoras e diretores dos blocos afro e dos afoxés, além de quadros dos principais partidos de esquerda da cidade, marcaram presença no debate, organizado pelo Fórum de Entidades Negras da Bahia, pela Bancada do Feijão (grupo que se reúne todas as teças no restaurante Alaíde do Feijão para debater o processo eleitoral) e pelos movimentos ‘Eu Quero Ela’ e ‘Agora É Ela – Bicão na Diagonal’.

A potência do evento, que mostrou a unidade do movimento negro em torno do tema, foi um recado às direções partidárias, que terão muita resistência pela frente caso não se convençam da necessidade de uma candidatura negra competitiva nas eleições municipais de 2020.

O debate, colocado sobre a mesa após o lançamento de tantas postulações, tomará grande tempo dos ‘caciques’ partidários, acostumados, até então, a decidirem os rumos eleitores sem discuti-los com o movimento negro.

Os pré-candidatos Antônio Carlos dos Santos, o Vovô do Ilê (PDT), Moisés Rocha (PT), Vilma Reis (PT), Hilton Coelho (PSOL) e dirigentes do PCdoB e do PSB marcaram presença no encontro, fazendo discursos políticos inflamados e de enfrentamento – e dando um quórum significativo para o evento, com as principais siglas da base do governo estadual.

A plateia, energizada com as falas, empolgou-se em diversos momentos, puxando gritos de guerra como “povo negro unido é povo negro forte, que não teme a luta, que não teme a morte”.

Também estavam presentes a secretária de Promoção da Igualdade Racial da Bahia (Sepromi), Fabya Reis (PT), o deputado estadual Jacó (PT), o professor Samuel Vida, o ex-titular da Sepromi Elias Sampaio, entre outras lideranças políticas dos movimentos e dos partidos.

O ex-diretor da Petrobras José Sérgio Gabrielli (PT), que escreveu uma carta aberta defendendo candidatura própria do seu partido para prefeito e a presença de uma liderança negra da cabeça de chapa, também fez parte da plateia e foi citado em várias oportunidades pelo documento escrito.

Auditório ficou lotado com a presença de representantes políticos. (Foto: Mídia4P.com/Divulgação)

“Tenho plena convicção de que temos, a partir de Salvador, que dar um passo bem firme e forte nem só para essa cidade de 85% da população negra, mas para o Estado da Bahia, que tem mais de 70% de população negra, e para o nosso País, que tem mais de 50% de negros também”, afirmou em sua intervenção o vereador soteropolitano Moisés Rocha.

Já a socióloga Vilma Reis defendeu que as pré-candidaturas negras estão adotando estratégia diferente ao pautar as legendas, ao invés de reagir à agenda imposta pelos dirigentes. Ela afirmou que a ebulição de nomes negros lançados trata-se da interrupção do racismo institucional.

“É muito importante, para a gente, todas as candidaturas negras. Nós invertemos uma lógica perversa de que ficaremos esperando um projeto que nos inclua. Nós queremos um projeto em que a gente se levante”, afirmou Vilma, dizendo que tem ouvido nas ruas as pessoas dizerem que, após 20 anos, estão com vontade de ir para a rua votar.

“É isso que nós queremos. Nós oferecemos aos nossos partidos um projeto de liberdade. Que nossos partidos banque todas as candidaturas. Quem dorme com os olhos dos outros não acorda na hora que quer. A candidatura tem que nascer dentro dos partidos. O tempo é de coragem, o tempo é de liberdade. Uni-vos povo bahiense. Viva Búzios e viva a nossa liberdade”, discursou a pré-candidata petista, muito aplaudida. Assista aqui.

Ela e outros que fizeram o uso da fala lembraram, ainda, da importância da eleição de vereadores e vereadoras deste campo político em 2020.

Vovô do Ilê, quadro do PDT, lembrou da história dessa reivindicação. “Tenho defendido que ‘quero ela’ desde muito tempo. Sempre falava isso na Noite da Beleza Negra, no Curuzu”, lembrou o fundador do Mais Belo dos Belos. Ele ainda voltou a defender, como fez em entrevista ao Mídia 4P, que prefere que o primeiro negro a ser eleito prefeito de Salvador seja uma mulher. “Continuo dizendo que, se for uma negona, é melhor”, disse.

Em vários momentos foram citadas também as entrevistas exclusivas publicadas pelo portal Mídia 4P com os pré-candidatos que já colocaram seus nomes oficialmente na disputa pelo Palácio Thomé de Souza.

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