Senador Paulo Paim recebe o título de Cidadão de Porto Alegre

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Paulo Renato Paim é o único senador negro no Congresso Nacional

Paulo Renato Paim é o único senador negro no Congresso Nacional. (Fotos: Vicente Carcuchinski)

Por  Flávio Damiani

O senador da República Paulo Renato Paim, do PT, recebeu, na tarde desta sexta-feira (22/5), o titulo de Cidadão de Porto Alegre concedido pela Câmara Municipal de Porto Alegre. A proposição foi encaminhada através de um Projeto de Lei do vereador Alberto Kopittke (PT). Justificando a representatividade nacional do senador e líder sindical, o Plenário Otávio Rocha, local da homenagem, ficou lotado por representantes de entidades, associações de classe, parentes e representantes políticos. A sessão foi comandada pelo presidente da Câmara, vereador Mauro Pinheiro (PT), que destacou o trabalho de Paim em favor das minorias e dos trabalhadores.

Origens

Paulo Renato Paim é natural de Caxias do Sul, nascido no dia 15 de março de 1950. Metalúrgico formado pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), trabalhou na Indústria Abramo Eberle e na Forjasul antes de eleger-se, em 1981, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Canoas, tornando-se secretário-geral e vice-presidente nacional da Central Única dos Trabalhadores (CUT).
Em 1985, filia-se ao Partido dos Trabalhadores e, no ano seguinte, é eleito deputado federal pelo Rio Grande do Sul, participando durante o seu mandato da elaboração da Carta Magna pela Assembleia Nacional Constituinte em 1988, tornando-se vice-líder do partido neste período. Reelegeu-se deputado sucessivamente em 1990, 1994 e 1998. Entre 1993 e 1994 presidiu a Comissão de Trabalho e a Administração do Serviço Público da Câmara dos Deputados.
Notabilizou-se nacionalmente pela proposta de adoção de salário mínimo de cem dólares. Paulo Paim, por 16 anos consecutivos, foi apontado pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) como um dos 100 parlamentares mais influentes na série “Os Cabeças do Congresso Nacional”, nas edições entre 1997 e 2009. Teve destaque nas áreas do Trabalho, Sindical e Previdência. É casado com Suzana Paim e tem cinco filhos: Ednéia Cíntia, Janaína Caren, Jean Cristian, Jonathan e Tatiana Michele.

Reparando um erro

O vereador Kopittke disse que a Câmara de Porto Alegre está reparando uma injustiça com o senador, já que ele é Cidadão em mais de dez estados e em mais de 50 municípios “e ainda não era da Capital do seu estado”. Agradeceu ao senador pelo apoio que recebeu na sua primeira campanha para vereador, lembrando que, embora Paim disponibilizasse seu comitê para apoiar representantes negros, não lhe negou ajuda.
Elogiou a disposição de Paim em formar novas lideranças negras, lembrando que ele é o único senador negro no senado brasileiro, e questionou se “esta é uma sociedade justa ou igual?” Completando que Paim se confunde com a história da democracia no Brasil, afirmou a importância dele no parlamento nacional no momento em que se vive uma onda de ódio em todo o país.
Kopittke exibiu um vídeo onde Paim defende a politica de cotas e condena a homofobia e o preconceito. Naquela ocasião, o senador se emocionou e chorou durante o pronunciamento. Finalizou elogiando a luta do senador pelo fim do fator previdenciário, destacando que, “embora outros queiram se utilizar, neste momento, do fator como forma de ganhar notoriedade, esta luta sempre será reconhecida como sua”, completou Kopittke.
O vereador Airto Ferronato (PSB) parabenizou o senador pela sua luta na defesa das classes sociais e pela inclusão. “Além das cotas, Paim defende também os mais necessitados, os fragilizados, os excluídos”, disse, observando que a Casa cheia representa a sua influência.
Por sua vez, o vereador Engenheiro Comassetto (PT) recordou que a Constituição de 1988, da qual Paim fez parte, está presente em todos os debates e é um marco da política que precisa ser atualizada, “e Paim está sempre presente e vigilante à sua aplicação”.
O prefeito José Fortunati, presente na homenagem, lembrou que conheceu Paulo Paim no início dos anos 80. Fortunati, na época, era do Sindicato dos Bancários e Paim, dos Metalúrgicos. Juntos, participaram dos movimentos de sindicalistas de todo o país pela união das categorias. Destacou que, por meio da extinta Central Estadual dos Trabalhadores (CET), conseguiram integrar as classes sindicais gaúchas e logo depois participaram da fundação da Central Única dos Trabalhadores (CUT), que posteriormente participou da elaboração da Constituinte.

Paulo Paim, ao lado de Mauro Pinheiro (d), recebe o diploma entregue por Kopittke (e)

Paulo Paim, ao lado de Mauro Pinheiro (d), recebe o diploma entregue por Kopittke (e)

 

Agradecimento

Ao ocupar a tribuna para agradecer a homenagem do parlamento da Capital, Paulo Renato Paim dirigiu-se à desembargadora Cleusa Regina Helfen, do Tribunal Regional do Trabalho do RS, presente na sessão, para dizer que o maior reconhecimento que recebeu nesta semana foi o pedido, de mais de 30 juízes do trabalho, para a rejeição ao projeto de terceirização da mão-de-obra, “a fim de derrotar o projeto que quer escravizar os trabalhadores brasileiros”. Convocou as forças e centrais sindicais para uma cruzada nacional para derrotar a PL 4330.Bastante emocionado, o senador lembrou sua vida de fruteiro pelas ruas de Porto Alegre até se formar metalúrgico pelo Senai e dos movimentos sindicais e das grandes marchas que foram a base da abertura politica e da integração dos movimentos sindicais. Concluiu falando de Porto Alegre e o reconhecimento ao seu trabalho como um dos momentos mais lindos e finalizou fazendo uma declaração de amor à cidade: “Podem criar muros, barricadas e barreiras, que eu passarei por cima de tudo e não deixarei de viver colado em ti, Porto Alegre, até o último dia da minha vida”.
Fonte: CMPA

Daniel Ribeiro

22 anos, estudante de administração gestão pública.

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