Ubuntu Esporte Clube: filósofo Silvio de Almeida debate o racismo estrutural no futebol

Barbosa é o maior goleiro da história do Vasco. (Foto: Arquivo)

Do Ge

O futebol brasileiro é marcado por grande jogadores pretos que, dentro dos gramados do mundo todo, foram e ainda são reverenciados. Mas quando se olha para os cargos de confiança e administrativos a presença preta é rara. Para o convidado da edição do Podcast Ubuntu Esporte Clube, desta quarta-feira, o professor, filósofo e escritor Silvio de Almeida, essa ausência é apenas mais um sintoma do racismo estrutural que acomete toda a sociedade.

– O futebol vai reproduzir essa lógica. No futebol você tem essa divisão social, racial do trabalho. Os negros são aqueles que estão no campo, aqueles que estão na quadra. Eles são aqueles que vão oferecer o espetáculo do ponto de vista da sua composição. Entretanto não serão essas mesmas pessoas que vão dirigir. Não são essas mesmas pessoas que vão cuidar da organização – avaliou.

– Falar de esporte é falar de algo que é desenvolvido em determinadas condições sociais e econômicas. A gente não pode retirar o esporte das reflexões que nós fazemos sobre política, economia, sobre cultura de uma maneira geral. O futebol ele é influenciado por todas as transformações no campo da economia, da política e da cultura. Assim como o racismo faz parte desse processo disse.

Além do racismo estrutural, Almeida destaca a preconceito em sua forma mais vistosa, aquela que por meio de agressões ou injúrias, visam a afetar a confiança dos jogadores pretos, como foi o caso de Marinho, atacante do Santos, que foi alvo, nesta semana, de declarações preconceituosas de um comentarista que chamou o jogador de “burro” e afirmou que ele deveria “ir para a senzala”. Filho de um goleiro negro, o Barbosinha, do Corinthians, o professor analisa essa questão a partir de sua própria relação familiar.

– O apelido do meu pai era Barbosinha. E é como se todos os goleiros negros carregassem esse estigma de que em alguma hora, provavelmente na hora mais importante, essas pessoas vão falhar. Um dos elementos fundamentais do racismo é tirar a confiabilidade – analisou.

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