Viaduto Abdias Nascimento recebe monumento oferecido como legado pela XI Bienal do Mercosul

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Presidente da Bienal Gilberto Schwartsmann (da esquerda), ativista social Marina Rodrigues, viúva de Abdias – Elisa Larkin, ex-vereador Delegado Cleiton, celebram a inauguração do memorial. (Foto: Banco de Imagens/NaçãoZ) 

Da Redação

Com cerimônia de inauguração realizada na sexta-feira (06/04), às 14h, na Av. Edvaldo Pereira Paiva, próximo ao viaduto, foi inaugurado o memorial em homenagem a Abdias Nascimento. A iniciativa da criação do memorial foi do presidente da Fundação Bienal do Mercosul, Gilberto Schwartsmann, como parte do legado que a XI Bienal de Artes Visuais do Mercosul, cujo tema é o triângulo Atlântico que há mais de 500 anos interliga os destinos da América, da África e da Europa, propõe deixar para a comunidade porto-alegrense, instalando diversos marcos simbólicos da presença dos povos vindos da África e sua interação na história do Brasil.

O ato público contou com a presença de Elisa Larkin Nascimento (viúva  de Abdias), Gilberto  Schwartsmann (presidente da Fundação Bienal), Delegado Cleiton (ex-vereador e proponente da Lei municipal que deu nome ao viaduto), Luciano Alabarse (secretario municipal da cultura), Juçara Coni (ex-vereadora), militantes do movimento negro e de outros   movimentos culturais da cidade. A criação da obra de arte do memorial tem a assinatura do renomado fotógrafo e professor Leopoldo Plentz.

O viaduto Abdias Nascimento, que fica localizado na Avenida Padre Cacique, teve seu memorial fixado na Av. Edvaldo Pereira Paiva, a partir de estudos técnicos que apontaram o local como de melhor visibilidade. Inaugurado em 2014 por aprovação do projeto de Lei Municipal 075/13, de autoria do vereador Delegado Cleiton (PDT), o viaduto, que fica próximo ao estádio do Internacional, vinha sendo alvo de manifestações que lhe atribuíam o nome de viaduto Mazembe, em referência à derrota do Internacional em 2010 no Mundial de Clubes para o time africano do Congo. Também, quando do trágico falecimento do jogador e capitão do mesmo time (2014), formou-se um movimento tentando pleitear a  troca do nome do viaduto de Abdias do Nascimento para Fernandão. Por fim, o memorial recentemente instalado consolida a medida legal instituída em memória de Abdias e o viaduto passa a ter sua denominação reforçada no imaginário da população porto-alegrense, fato destacado nos pronunciamentos breves do autor da Lei e do mentor do memorial neste  ato inaugural.

“Para recuperar sua própria identidade nacional e resgatar a dívida que tem para com seus cidadãos de origem africana, urge à nação brasileira mergulhar nas dimensões mais profundas da herança civilizatória africana, assim restituindo ao contingente majoritário da nossa gente – e ao próprio país – o seu autorrespeito, a sua autoestima e a sua dignidade, fontes do protagonismo e da realização humana”. (Trecho do discurso de estreia de Adias Nascimento no Senado Federal, em 14 de novembro de 1991, que está transcrito no painel do memorial).

Sobre Abdias Nascimento

(Franca, 14 de março de 1914 — Rio de Janeiro, 24 de maio de 2011)

Abdias do Nascimento foi artista plástico, escritor, poeta, dramaturgo e ativista do movimento negro brasileiro. Nasceu na cidade de Franca-SP em março de 1914, onde morou até completar 15 anos de idade. Em 1929, mudou-se para a cidade de São Paulo a fim de se alistar no Exército.  Em São Paulo, na década de 30 iniciou seu ativismo político na Frente Negra Brasileira ajudando a combater o preconceito racial nos estabelecimentos comerciais da cidade. Em 1938 organizou o Congresso Afro-Campineiro e em 1944 fundou o Teatro Experimental do Negro.

Formou-se em economia na Universidade Estadual do Rio de Janeiro, adquiriu diploma pós-universitário no Instituto Superior de Estudos Brasileiros- ISEB (1957) e pós-graduação em Estudos do Mar pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro/ Ministério da Marinha (1967). Recebeu dois títulos Doutor Honoris Causa pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro, (1993) e Universidade Federal da Bahia (2000), foi também professor emérito da Universidade do Estado de Nova York.

Após a volta do exílio (1968-1978), inseriu-se na vida política tornando-se deputado federal de 1983 a 1987 e senador da República de 1996 a 1999, além de ter colaborado intensamente para a criação do Movimento Negro Unificado (1978).

Publicou diversos livros, dentre eles: “Sortilégio”, “Dramas Para Negros e Prólogo Para Brancos”, “O Negro Revoltado”.

Daniel Ribeiro

22 anos, estudante de administração gestão pública.

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