Condenada, Record News transmite programas sobre religiões de origem africana

Mãe Carmen de Oxum dá depoimento em programa sobre religiões de matriz africana na Record News.

Por Gisele Alquas, da NTV

Condenada em abril de 2018 pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região de São Paulo por veicular agressões a religiões de origem africana, a Record News passa a exibir a partir da madrugada desta quarta (10) quatro programas de direito de resposta, com duração de 20 minutos cada. Após acordo judicial, a Record não será obrigada a transmiti-los também.

A ação, de autoria do Ministério Público Federal junto ao Itecab (Instituto Nacional de Tradição e Cultura Afrobrasileira) e ao Ceert (Centro de Estudos das Relações de Trabalho e da Desigualdade), refere-se aos ataques às religiões de matriz africana realizados em 2004 no programa Mistérios e no quadro Sessão de Descarrego, ambos ligados à Igreja Universal do Reino de Deus.

O primeiro programa A Voz das Religiões Afro será exibido nesta quarta, às 2h30. Os outros três serão transmitidos, no mesmo horário, nos dias 16, 23 e 30 de julho. Eles também serão reprisados nos meses de agosto e setembro.

Em sua página no Facebook, o Colégio de Umbanda Sagrada Pena Branca de São Paulo comemorou o resultado.

“Dezesseis anos de luta! Esse horário foi usado para nos atingir, e eles conseguiram espalhar tanto ódio contra o povo das religiões afrobrasileiras. Então conseguiremos ecoar também… Serão quatro programas para mostrar que religiões afrobbrasileiras merecem respeito. Todos merecem!”, postou o grupo em suas redes sociais.

De acordo com a ação do MPF, os programas da Igreja Universal promoveram a “demonização das religiões de matriz africana, valendo-se de diversas agressões a seus símbolos e ritos”. Depois de recorrer e perder, a Record e a Record News firmaram acordo em janeiro deste ano, encerrando o embate judicial.

Além da Record ser liberada da exibição, a duração dos programas também foi reduzida: antes, eles deveriam ter uma hora cada.

Procurada pelo Notícias da TV, a Record não se posicionou sobre a condenação na Justiça e/ou sobre a exibição dos programas sobre religiões de matriz africana até a conclusão deste texto.

Antes mesmo de passar na TV, a atração foi disponibilizada no YouTube. Confira:

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