“O Sopapo Contemporâneo – Um Elo com a Ancestralidade

Livro do luthier, músico e compositor José Batista, que será lançado dia 21 de junho, destaca a contribuição negra no RS a partir do resgate do sopapo como elo entre tradição e contemporaneidade

José Batista. (Foto Luis Ferreirah)

Registro fundamental da contribuição negra na cultura brasileira, o livro O Sopapo Contemporâneo – Um Elo com a Ancestralidade (MS2 Editora) é, para além de uma obra de inegável valor histórico e humanístico, um estudo antropológico da herança africana em solo gaúcho, a partir do Grande Tambor, o sopapo, enquanto elo de uma ancestralidade que resistiu pela força de seus valores civilizatórios. A obra, escrita em primeira pessoa pelo músico, compositor e luthier José Batista, do clã Batista, tradicional família de músicos e construtores de tambores, da cidade de Pelotas, é o registro de um saber relacionado à construção do tambor sopapo na forma contemporânea, da qual o autor é referência. Realizada com recursos da Lei nº 14.017/2020, Lei Aldir Blanc, a iniciativa tem a produção de Sandra Narcizo da MS2 Produtora.

A publicação chega ao público no próximo mês e para marcar a data será realizada uma live de lançamento, no formato de uma mesa redonda, no dia 21 de junho, segunda-feira, às 20h, com transmissão pelo Instagram do projeto (confira o “Serviço”).

Participam da mesa-redonda o autor, José Batista; o secretário de Cultura de Pelotas, Paulo Pedrozo; a produtora e editora, Sandra Narcizo, com mediação da produtora e jornalista Silvia Abreu. A obra tem distribuição gratuita, com destinação para bibliotecas públicas e comunitárias do Rio Grande do Sul. Entidades ligadas aos movimentos negros, indígenas, quilombolas e periféricos, artistas, comunidade acadêmica e interessados em geral, de todo o País, podem adquirir, gratuitamente, o livro (confira no “Serviço”).

Capa livro Sopapo. (Foto: Léo Garbin)

A narrativa, que assume, por vezes, um tom confessional, e em outros, didático, percorre os caminhos que levaram seu autor a buscar uma nova forma de apresentação do instrumento ancestral, de grande proporção, que em sua origem era produzido a partir de troncos de árvore e couro de cavalo, até chegar no formato atual. Hoje, o sopapo pode ser encontrado nos palcos, nos estúdios, nas escolas de samba, tendo ganhado adaptações para ser utilizado pelas mulheres.

Desde 18 de novembro de 2018, o sopapo é símbolo da cidade de Pelotas por meio do Decreto nº 6.130. Recentemente, foi aprovado o projeto de lei ordinária nº 2822 de 2021 pela Câmara de Vereadores de Pelotas que declara “o Instrumento Musical Sopapo, Patrimônio Imaterial da Cultura Pelotense”.

Como um griôt, José Batista conduz o leitor a uma viagem no tempo e no espaço. Revela as transformações pelas quais passou o instrumento, de origem ritualística, nas charqueadas de Pelotas, até o seu uso profano, com sua incorporação, a partir de 1940, nos blocos burlescos, nas escolas de samba, bem como as modernizações decorrentes destes usos, muitas das quais José Batista é autor.

Memórias pessoais e familiares se misturam ao esforço de traçar, em paralelo, o percurso da presença negra no Rio Grande do Sul, desde sua chegada ao Brasil, mais precisamente à região das charqueadas, na condição de mão de obra escravizada, até sua integração, como cidadãos e cidadãs livres, a uma sociedade que tentou, por todas as formas, desumanizá-los (as) e invisibilizá-los (as) por meio da negação de sua herança cultural. “O negro se formou cidadão, através das batidas do Sopapo, esse é o elo que nos faz respeitar o Grande Tambor como um símbolo de nossa cultura, fazendo dele um talismã intocável do negro, como símbolo de respeito aos nossos ancestrais”, afirma José Batista.

Ao contar a história do Rei dos Atabaques, outro nome pelo qual o instrumento é conhecido, José Batista traz à memória a história do famoso Carnaval de Pelotas e de sua tradição de blocos e escolas de samba. Estas inovaram ao incorporar o toque do sopapo em sua sessão rítmica, fazendo desta festa popular uma das mais famosas do Estado, entre os anos 40 e 70.

 Metodologia contemporânea

Em sua narrativa, o griô relembra um momento importante na trajetória de atualização do sopapo, o Projeto Cabobu, memorável encontro de percussionistas idealizado pelo músico e compositor Giba-Giba, realizado em Pelotas, no final dos anos 90. Por ocasião deste evento, mestre Baptista (pai de José Batista), hábil construtor de instrumentos de percussão, a pedido de Giba-Giba, assumiu o desafio de construir 40 sopapos em seis meses, incumbência que coube ao então jovem José Batista realizar.

É por meio da metodologia de construção do sopapo contemporâneo, desenvolvida por José Batista, cujo marco foi o Projeto Cabobu, que se impõe a intenção de salvaguardar o instrumento. Ao narrar este episódio, o autor reverencia outros mestres e mestras que deram grande contribuição ao desenvolvimento e à difusão do instrumento no Estado, como sua mãe, Dona Maria; Dona Sirley Amaro, Dona Zuleica, Banha, Bucha e Cacaio, além de seu pai e do próprio Giba-Giba, entre outros.

Outro aspecto fundamental desta obra é a documentação das formas de se construir o Sopapo, uma vez que registros sobre a metodologia de construção são escassos. José Batista confirma: “As informações são raríssimas, ou simplesmente não existem e, se existem, faltam pesquisas específicas, talvez envolvendo, até mesmo, métodos científicos de datação”.  Sobre a importância destes registros, ele reforça: “Nossas memórias são formadas por nossa cultura. Ser negro é ser formado pelas lembranças de nossos pais e avós, trazendo essa formação de berço, desde a infância, pois, na inconstância de registros, ou até pela ausência deles, buscamos nossas raízes por meio de nossa instrução religiosa e étnica”.

O Sopapo Contemporâneo – Um Elo com a Ancestralidade é, ainda, enriquecido com textos críticos, com depoimentos de especialistas, músicos, educadores e pesquisadores no estudo do sopapo, como Andrea Mazza Terra, Nise Franklin, Walter Mello Ferreira Pingo Borel, Gustavo Türk, Leandro Anton, Richard Serraria, Eduardo Bonis do Nascimento e Lucas Kinoshita.

Sobre o autor

Natural de Pelotas-RS, Neives José Madruga Baptisa (José Batista), músico de banda escolar e mór (condutor de banda marcial), desde 11 anos de idade, foi ritmista e ensaiador de baterias de escola de samba, ensaiador de ala lírica feminina de escola de samba, arranjador de samba de enredo para escolas de samba, cantor e compositor. Ensaiador e arranjador da Bateria Show Uirapuru e da Bateria do Mestre Baptista, ambas de importância cultural para a cidade. Construtor de tambores, projetista do sopapo no Projeto Cabobu, em 1999, é desenvolvedor da metodologia contemporânea do Grande Tambor, tendo sido instrutor no referido projeto, durante seis meses, transmitindo seus conhecimento sobre como desenvolver o modelo para a construção do sopapo.

Jose Batista também é oficineiro de temas sobre africanidade; toca violão e instrumentos de percussão. Em 2015 ganhou o prêmio de Reconhecimento da Cultura Popular da Prefeitura Municipal de Pelotas. Criador de dois modelos de sopapo para mulheres, é reformador de instrumentos de percussão, formador e instrutor de bandas escolares, grupos de percussão de ritmos afro-brasileiros.

Ficha Técnica:

Idealização e Produção | Sandra Narcizo • MS2 Produtora

Editora | MS2 Editora
Depoimentos | Andrea Mazza Terra, Edu do Nascimento, Gustavo Türk, Leandro Anton, Lucas Kinoshita, Nise Franklin, Richard Serraria, Walter Mello Ferreira (Pingo Borel)
Copidesque | Geovana Batista
Projeto gráfico | Leo Garbin
Diagramação | Alex Barreto
Revisor | Ramon Cardoso
Fotografia | Nina Batista, Leandro Anton, acervo do autor
Direção de Audiovisual/Projeto | Luis Ferreirah
Identidade Visual | Luan Dutra e Guiga Narcizo
Assessoria de Imprensa | Silvia Mara Abreu
Gestão de Redes | Kamila Muri
Contabilidade | Condotta Assessoria Empresarial e Contábil
Colaborador | Marcelo Bortagaray
Apoio | Charqueada Boa Vista, Daruma Comunicação e Marketing,
Leo Garbin Criaturas, TVE, Rádio, FM Cultura, RBS TV e Jornal Zero Hora

Projeto Realizado com recursos da Lei nº 14.017/2020 – Lei Aldir Blanc 

Trailer Oficial.mp4

https://drive.google.com/file/d/1CyOUf6-a_VEe-sMBmFGUqbbhnbHBtWgQ/view

Redes Sociais:

https://www.instagram.com/osopapocontemporaneo/

https://www.facebook.com/osopapocontemporaneo

O livro

“O Sopapo Contemporâneo – Um Elo com a Ancestralidade”

Autor: José Batista

Editora: MS2 Editora

Tiragem: 2 mil exemplares 

Número de páginas: 210

Distribuição gratuita 

Serviço

O Quê: Live de lançamento do livro “O Sopapo Contemporâneo – Um Elo com a Ancestralidade”, com as presenças do autor, José Batista; do secretário de Cultura de Pelotas, Paulo Pedrozo; da produtora e editora, Sandra Narcizo e mediação da jornalista Silvia Abreu

Quando: Dia 21 de junho de 2021, segunda-feira, às 20h.  Transmissão pelo Instagram https://www.instagram.com/osopapocontemporaneo/

Quanto: Distribuição gratuita e limitada, mediante solicitação para: editora@ms2produtora.com

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